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Prólogo do livro SALMO 133 NA MAÇONARIA - UNIÃO, EGO E FRATERNIDADE

 Queridos Irmãos,

Com alegria, informo a vocês que escrevi o livro Salmo 133 na Maçonaria - União, Ego e Fraternidade, uma leitura psicológica e simbólica para o mundo contemporâneo, fruto do diálogo entre minha vivência maçônica e a Psicologia.

Neste trabalho, o Salmo 133 é lido não apenas como ideal de união, mas como um espelho simbólico dos desafios reais da convivência fraterna, do ego e da maturidade emocional..

É um livro de 256 páginas em tamanho 16x23 cm, considerando os capítulos e apêncides, e para que tenham uma ideia do tom e da proposta da obra, compartilharei a seguir o Prólogo

Ao final, deixarei os links para quem desejar adquirir o livro.

Fraternalmente,
Paulo Cesar T. Ribeiro


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SALMO 133 NA MAÇONARIA - UNIÃO, EGO E FRATERNIDADE

Prólogo do livro 

 

Há textos que atravessam séculos como se fossem parte da respiração humana. O Salmo 133 é um deles. Curto como um sussurro e profundo como uma montanha, ele sobreviveu não apenas porque é belo, mas porque diz algo essencial sobre o destino humano: nascemos para o encontro, mas não sabemos como habitá-lo.

O tempo, ao passar, faz escolhas. Há textos que se tornam monumentos, outros que se reduzem a vestígios, outros ainda em ruínas que visitamos por curiosidade histórica. O Salmo 133 não pertence a nenhuma dessas categorias. Ele é um rio subterrâneo que atravessa séculos silenciosamente, brotando vez ou outra em pequenas superfícies de água pura, mas cujo curso profundo não se revela a quem apenas recita palavras. Seu poder não está na letra, mas na atmosfera que cria, na forma como toca o espaço psicológico entre os seres, na vibração que produz quando é lido não como poesia religiosa, mas como um estado interior.

Em um século marcado pela cultura do espelho, onde a predominância do ego é confundida com força e o vínculo fraterno se tornou uma commodity emocional descartável, o Salmo 133 ressurge não como uma citação antiga, mas como um antídoto existencial para a fragmentação contemporânea.

É por isso que ele sempre esteve presente no coração da Maçonaria, mesmo quando não se falava explicitamente dele. Incorporou-se ao rito sem anúncio, como se tivesse intuído que ali encontraria uma morada adequada: um espaço simbólico onde a fraternidade é menos um ideal e mais uma construção laboriosa do espírito.

O maçom que avança em silêncio pelo Templo talvez não perceba que, antes de atravessar qualquer grau, ele atravessa um estado de consciência. E este estado foi anunciado por Davi quando escreveu: “Quão bom e quão suave é que os irmãos vivam em “união”. A frase parece simples demais para inaugurar um caminho iniciático, mas sua simplicidade esconde um paradoxo: a “união” é sempre uma obra difícil.

E mais: ela é “suave”. Mas essa suavidade não é fraqueza. Ela é a força que se expressa sem violência; a potência que se manifesta sem atrito.

“união” é “suave” porque só pode surgir quando a aspereza do ego foi polida pelo ritual, quando o impulso natural de predominância foi substituído pela humildade da presença. Ela não se impõe; ela acontece quando o espírito encontra disciplina interna suficiente para escutar, acolher e sustentar o vínculo.

O rito a evoca simbolicamente no encontro de olhares, na contenção da palavra, no gesto de respeito mútuo, na tentativa de suspender - ainda que por instantes - as turbulências do ego. Ao entrar no Templo, o irmão não se torna automaticamente unido a ninguém; ele se coloca diante de um estado que precisa aprender a habitar, e este estado é, em essência, o Salmo 133 respirando através dele.

O portal ritual do Salmo 133 não é uma porta física ou um limite explícito; é um movimento de consciência. A “união” que ele celebra não é espontânea, nem sentimental, nem ingênua. Ela é construída como se se erguesse uma ponte entre territórios que, por natureza, não se compreendem de imediato.

O ego humano raramente deseja a “união”; ele deseja predominância, reconhecimento, segurança. A fraternidade, enquanto experiência psíquica, é um chamado contra a gravidade natural da psique, e o rito torna visível essa luta interior. Por isso o azeite que escorre sobre a “cabeça” de Aarão é uma metáfora adequada: a “união” exige um movimento vertical que desce sobre nós, uma descida suave que penetra as zonas onde a alma resiste, onde preferiríamos permanecer isolados, protegidos, intactos. A “união” ritual é um “óleo” que encontra fissuras e nelas repousa.

Entrar no Templo é, portanto, fazer o gesto de se deixar alcançar por essa descida. Não é raro que os irmãos, mesmo os mais antigos, experimentem uma espécie de apaziguamento interior ao adentrar o espaço sagrado. Este apaziguamento não é mera associação afetiva ou nostalgia fraternal: é o reconhecimento, ainda que inconsciente, de que colocamos o pé em um território que suspende a lógica ordinária do mundo.

As tensões da vida profana não desaparecem, mas se reorganizam diante de algo mais amplo. O Salmo 133 age como um campo sutil, um convite à diminuição do ruído interno para que a percepção da presença do outro possa emergir com mais nitidez. Em outras palavras, ele prepara o psiquismo para o encontro.

E é desse encontro que nasce a verdadeira ritualidade. Nada no rito é apenas decorativo. Os símbolos - o compasso, o esquadro, a pedra bruta, o malhete - não falam de objetos, mas de estados psíquicos. Cada um deles aponta para um processo de transformação em que a “união” é o horizonte, não o ponto de partida.

Um irmão não se torna fraterno porque conheceu outro irmão; ele se torna fraterno porque permitiu que algo dentro dele fosse polido, reorientado, afinado. O Salmo não descreve uma “união” já conquistada: descreve uma “união” a ser continuamente reencenada. A cada reunião, a cada gesto, a cada silêncio compartilhado, o Templo se torna laboratório de um modo de ser que o mundo exterior raramente incentiva.

Talvez seja por isso que, para muitos maçons, a sensação de “voltar para casa” ao entrar no Templo não seja apenas emotiva, mas simbólica. A casa dos irmãos que o Salmo implicitamente menciona não é um lugar: é um estado. E como todo estado interior, ele precisa ser cultivado.

Não existe fraternidade madura sem vigilância constante, sem cuidado com as palavras, sem humildade diante dos próprios limites, sem a consciência de que o vínculo humano pode ser tão delicado quanto o “orvalho” que repousa sobre o Monte Hermon. É significativo que o Salmo utilize o “orvalho” como metáfora: ele não cai com violência, não se anuncia, não altera a paisagem abruptamente. Ele sustenta a vida com suavidade. A verdadeira “união” também age assim: discretamente, sustentando o que não aparece.

Quando o Salmo 133 ressoa dentro do Templo, mesmo que não seja lido, ele cria uma moldura invisível na qual os irmãos se reconhecem como participantes de uma obra comum. Não uma obra externa, mas uma obra interior. O rito não apenas conduz o maçom: ele o afina. Ele o coloca em uma frequência onde virtudes como paciência, escuta, cooperação e presença podem emergir com menos resistência.

E é precisamente essa frequência que Davi captou quando escreveu o Salmo. Ele não estava descrevendo um ideal utópico; estava descrevendo uma realidade possível - porém frágil - que só se sustenta quando há consciência do esforço necessário para mantê-la viva.

Assim, este texto inicial se volta ao coração do rito não para explicá-lo, mas para revelar que há um portal simbólico que antecede tudo. Antes de qualquer grau, antes de qualquer luz, antes de qualquer viagem, existe a necessidade de atravessar o estado interior que o Salmo 133 evoca. Ele é o limiar entre o homem que adentra o Templo e o homem que sai dele transformado, mesmo que de forma sutil.

A Maçonaria não adota o Salmo 133 como enfeite ou citação honrosa: ela o respira. E quando o maçom se permite entrar nessa respiração, o rito se torna não apenas um caminho de instrução, mas um caminho de “união” consigo, com o outro e com aquilo que transcende ambos.

Mas esse estado de consciência não se sustenta apenas no abstrato; ele é forjado em memória, gesto e ancestralidade. Antes de respirarmos o Salmo com a alma, precisamos honrá-lo em sua raiz concreta, compreendendo o que significavam o “óleo” e o “orvalho” para o homem que o escreveu e o que significam os gestos que o maçom reencena no Templo. É a partir dessa fundação histórica e mitológica que o símbolo se liberta para se tornar ferramenta psicológica.

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COMO ALGUÉM COMEÇA A EXISTIR COMO ALGUÉM?

 Uma conversa clínica com quem está começando a escutar

 

Ao longo dos anos de clínica, tive a oportunidade de atender muitos estudantes de Psicologia, profissionais recém-formados, psicoterapeutas já experientes vivendo momentos de impasse e também médicos que, em determinado ponto de suas trajetórias, decidiram acrescentar a psicoterapia aos serviços que ofereciam. Cada um chegou por caminhos distintos, com formações e histórias diferentes, mas quase sempre trazendo uma inquietação comum: como sustentar a escuta sem se perder nela?

Esses encontros foram me mostrando que, independentemente do tempo de experiência, há perguntas que retornam. Perguntas sobre técnica, sobre limites, sobre o que fazer quando o sofrimento do outro não se organiza em sintomas claros, quando a interpretação parece insuficiente ou quando a sensação de não estar ajudando começa a pesar. Muitas dessas conversas não giravam em torno de escolas teóricas específicas, mas da experiência viva de estar diante de alguém que sofre e de se perguntar, silenciosamente, qual é o lugar possível do terapeuta ali.

É pensando nessas pessoas - nos estudantes que estão dando seus primeiros passos, nos profissionais que ainda tateiam o próprio estilo clínico, nos colegas que já caminharam bastante e, ainda assim, se permitem duvidar - que escrevo este texto. Não como manual, nem como orientação técnica definitiva, mas como um compartilhamento de percurso, construído a partir do que a clínica foi me ensinando com o tempo.

O que segue não é um conjunto de respostas prontas, mas uma tentativa de colocar em palavras uma ética de escuta que fui construindo aos poucos. Uma ética que se sustenta menos na pressa de compreender e mais no cuidado de não interromper aquilo que, em cada paciente, ainda tenta nascer.

Quando comecei a atender, eu acreditava que ser psicoterapeuta era, sobretudo, entender. Entender rápido. Entender bem. Entender antes do paciente, se possível. Eu estudava, anotava, interpretava. Havia em mim uma urgência silenciosa: se eu conseguisse nomear o sofrimento do outro, talvez ele diminuísse. Talvez eu estivesse fazendo um bom trabalho.

Com o tempo - e não foi pouco tempo - a clínica foi me ensinando outra coisa.

Muitos pacientes não chegam trazendo conflitos organizados ou sintomas que pedem decodificação simbólica. Eles chegam com algo mais primário e mais difícil de nomear: uma sensação difusa de vazio, irrealidade, cansaço de existir. Não perguntam diretamente “o que isso significa?”, mas comunicam, de muitas formas, a experiência de não se sentirem plenamente existentes.

Foi nesse contexto que uma pergunta passou a orientar meu trabalho clínico: como alguém começa a existir como alguém? Não como paciente, não como diagnóstico, não como sujeito funcional ou adaptado - mas como alguém que sente que a própria vida lhe pertence.

Na prática clínica, essa pergunta exige reconhecer que há sofrimentos que não se organizam a partir do conflito neurótico clássico. Há pacientes cujo sofrimento está ligado a falhas precoces de sustentação emocional, falhas que comprometeram a continuidade da experiência de ser. Nesses casos, a interpretação - especialmente quando precoce - pode produzir mais fragmentação do que integração.

Aprendi, muitas vezes errando, que interpretar nem sempre é cuidar. Em certos momentos, interpretar pode se tornar uma intervenção intrusiva. Não por falta de técnica, mas por inadequação temporal. O paciente ainda não dispõe de um self suficientemente integrado para se beneficiar da interpretação. Antes disso, ele precisa de experiências de sustentação.

No início da carreira, a interpretação funciona quase como um salva-vidas. Ela nos protege da angústia do silêncio, da sensação de não saber, do medo de “não estar fazendo nada”. Mas aprendi - muitas vezes tarde demais — que interpretar cedo demais pode ser uma forma elegante de interromper o que ainda está tentando nascer.

Há pessoas que não precisam ser interpretadas. Precisam ser sustentadas.

Demorei para aceitar isso. Sustentar dá mais trabalho do que interpretar. Sustentar exige que eu esteja inteiro, e não apenas intelectualmente preparado. Exige tolerar não compreender tudo, não organizar tudo, não avançar no ritmo que aprendi nos livros. Exige suportar ver alguém existir de modo precário, instável, confuso - sem tentar consertar isso imediatamente.

Ao longo dos anos, fui compreendendo que minha função clínica, em muitos atendimentos, não era promover insight, mas não interromper o processo de vir-a-ser do paciente. Isso implica oferecer um enquadre estável, uma presença confiável e uma relação que não exija desempenho psíquico imediato.

Assumir a clínica como sustentação do ser modifica profundamente a posição do terapeuta. Passamos a reconhecer que o silêncio pode ser terapêutico, que a regressão pode ser necessária e que o ritmo do paciente deve prevalecer sobre a ansiedade do terapeuta por resultados.

Nesse ponto, o conceito de falso self também mudou de lugar para mim. Ele deixou de ser algo a ser desmontado e passou a ser compreendido como uma organização defensiva necessária, construída para garantir sobrevivência psíquica em contextos ambientais insuficientes. O trabalho clínico não é eliminar o falso self, mas criar condições para que o verdadeiro self possa emergir com segurança.

Essa emergência não acontece por convencimento, mas por experiência. Ela aparece quando o paciente sente que não será invadido, corrigido ou abandonado. Quando percebe que pode existir no espaço clínico sem precisar se adaptar constantemente às expectativas do outro.

Um indicador clínico importante desse processo é a possibilidade de brincar. Brincar, aqui, não no sentido lúdico infantil, mas como capacidade de transitar entre realidade interna e externa com relativa liberdade. Quando o paciente começa a brincar - com ideias, palavras, imagens, associações ou silêncios - algo da vitalidade psíquica está sendo restaurado. Onde não há brincar, a vida tende a se tornar obrigação, desempenho, controle. A clínica, quando perde o brincar, vira mais um espaço de exigência. Dentre as referências, recomendo que leia livros do Winnicott.

Nesse percurso, encontrei grande ressonância no humanismo, no existencialismo e na psicologia budista. Cada uma dessas abordagens, à sua maneira, sustenta uma ética clínica baseada no respeito à experiência vivida e na recusa de intervenções invasivas ou normativas. Elas nos lembram que o sofrimento humano não é um erro a ser corrigido, mas uma experiência a ser acolhida e compreendida no tempo possível.

Uma das aprendizagens mais importantes foi reconhecer que nem todo sofrimento pede interpretação. Alguns pedem presença. Presença estável, não intrusiva, capaz de sobreviver ao silêncio, à dependência e à desorganização temporária do paciente. Presença que diz, sem palavras: eu fico.

Essa posição clínica exige maturidade emocional do terapeuta. Exige tolerância à incerteza, à lentidão e ao sentimento de “não estar fazendo nada”. Exige, sobretudo, a capacidade de sustentar o paciente sem recorrer precocemente à técnica como defesa contra a própria angústia.

Com o tempo, minha concepção de saúde também se transformou. Saúde deixou de ser ausência de sofrimento ou resolução de conflitos. Passei a reconhecê-la quando o paciente começa a sentir que a vida vale a pena ser vivida, mesmo em meio à dor. Quando ele se sente real, presente, autor da própria experiência - não apenas funcionando.

Se você está começando agora na clínica, talvez eu possa lhe dizer algo que ninguém me disse com clareza: você não precisa saber tudo. Não precisa interpretar tudo. Não precisa salvar ninguém. O que você precisa, sobretudo, é não destruir o que ainda tenta nascer.

Ao longo da prática clínica, aprendemos que nem todo sofrimento pede compreensão imediata, e que nem toda intervenção precisa se traduzir em interpretação. Há momentos em que a tarefa terapêutica fundamental é oferecer um espaço suficientemente estável para que a experiência possa se organizar por si mesma.

Para quem inicia na clínica, talvez seja importante lembrar que o trabalho mais delicado não é acelerar processos, mas não interromper aquilo que ainda tenta nascer. Sustentar a escuta, respeitar o tempo do paciente e reconhecer os limites da técnica são gestos simples, mas profundamente transformadores.

Em muitos casos, a psicoterapia não começa quando o paciente entende, mas quando ele passa a se sentir real. E acompanhar esse processo, com presença e responsabilidade, já é um exercício clínico de grande profundidade.

Em muitos casos, ser psicoterapeuta é simplesmente oferecer um espaço suficientemente confiável para que alguém possa, talvez pela primeira vez, começar a existir como alguém.

E isso, do ponto de vista clínico, já é um trabalho profundo.

Um abraço,

Psicólogo Paulo Cesar T. Ribeiro

  • Psicoterapeuta de adolescentes, adultos, casais e gestantes – Presencial e Online.
  • Psicólogo Orientador Parental
  • Escritor.
  • Contatos: www.psipaulocesar.psc.br
Veja a VITRINE DOS MEUS LIVROS: https://www.blogdopsicologo.com.br/2025/11/vitrine-dos-meus-livros.html

M NATAL POSSÍVEL: PRESENÇA, ACOLHIMENTO E HUMANIDADE - Aos meus parentes, amigos e clientes

 UM NATAL POSSÍVEL: PRESENÇA, ACOLHIMENTO E HUMANIDADE

Uma mensagem aos meus parentes, amigos e a todos que caminham comigo na psicoterapia


À medida que o ano se aproxima do fim, somos naturalmente convidados a olhar para dentro. O Natal chega envolto em luzes, encontros e símbolos de renovação, mas, sobretudo, traz um chamado mais silencioso: cuidar do que é essencial. Cuidar daquilo que fomos, do que atravessamos e do que ainda estamos nos tornando.

Neste momento especial, deixo um abraço afetuoso aos meus parentes, amigos e a todas as pessoas que, de formas diferentes, caminharam comigo ao longo deste ano — inclusive aqueles que confiam a mim partes sensíveis de suas histórias no espaço da psicoterapia. Cada vínculo, cada encontro e cada conversa fez parte de um tempo de aprendizados, desafios e amadurecimento. E por isso, a palavra que mais se impõe é gratidão.

Aos familiares e amigos, desejo um Natal de aproximação verdadeira. Que possamos estar juntos não apenas nos rituais externos, mas na presença real: em conversas simples, risos espontâneos e silêncios que confortam. Que o afeto circule sem pressa, sem cobranças e sem a necessidade de perfeição. Muitas vezes, estar disponível já é o maior gesto de amor.

Aos meus clientes, meu desejo é profundamente respeitoso. A psicoterapia é um encontro humano, antes de tudo. Um espaço de coragem — coragem de olhar para dentro, de revisitar histórias, de nomear dores e de construir novos sentidos. Testemunhar cada pequeno passo, cada insight e cada conquista é um privilégio. Que neste Natal você possa ser gentil consigo mesmo. Que não haja exigência de felicidade, mas permissão para sentir o que for possível sentir.

O Natal não precisa ser ideal. Ele pode ser verdadeiro.

Se houver alegria, que ela seja simples. Se houver saudade, melancolia ou cansaço, que tudo isso encontre acolhimento.

Não há nada de errado em viver emoções ambíguas nesta época. Elas também fazem parte da experiência humana. Que este período seja um ponto de pausa. Um intervalo necessário para respirar, descansar da autocrítica, silenciar comparações e respeitar os próprios limites. O cuidado que realmente sustenta a vida nem sempre aparece em fotos, mas se revela em gestos cotidianos: dormir melhor, ouvir o corpo, dizer “não” quando preciso, acolher-se sem julgamento.

Desejo que este seja um Natal possível - aquele que respeita sua história, seu momento e seus limites. Um Natal em que a esperança não seja entendida como ausência de dor, mas como a confiança de que é possível atravessar a vida com mais presença, dignidade e humanidade.

Que o novo ciclo que se aproxima traga menos exigência e mais consciência. Mais verdade nos vínculos. Mais compaixão consigo mesmo. Mais cuidado com o que realmente importa.

Recebam meu carinho, minha gratidão e meus votos sinceros.

Que o Natal seja um tempo de reconexão — com a vida, com os vínculos e consigo mesmo.

Feliz Natal e excelente ano novo!

Com afeto, presença e cuidado.

Paulo Cesar

PROJEÇÃO PSICOLÓGICA: SOMBRAS REVELADAS

 Cap. 05: Projeção Psicológica: Sombras Reveladas

“Para sobreviver à dor psíquica, o self cria divisões e projeta a parte intolerável fora de si. Mas isso cobra um preço nas relações”, Donald Kalsched.

 

A mente humana, em sua complexidade, desenvolve mecanismos para proteger-se da dor psíquica. Entre eles, a projeção talvez seja um dos mais frequentes - e também dos mais difíceis de reconhecer. Trata-se de um processo inconsciente pelo qual aspectos inaceitáveis de nós mesmos são atribuídos a outras pessoas. Ao projetar, deslocamos para o outro, sentimentos, impulsos ou conflitos que não conseguimos acolher em nosso próprio mundo interno. Trata-se, no entanto, de um procedimento que permite que o traço difícil seja aflorado e possa ser abordado, mas sem que o indivíduo o reconheça plenamente em si mesmo.

Projeções podem ser positivas ou negativas, mas é nas negativas  que geralmente  se encontra  o  sofrimento  mais

mais agudo. A crítica intensa, a irritação desproporcional ou o desprezo que sentimos por certas atitudes alheias muitas vezes revelam os comportamentos ou características que não conseguimos ver e aceitar em nós mesmos. É como se o outro se tornasse um espelho - um espelho que rejeitamos porque reflete o que negamos ver e ser.

A projeção é um processo que envolve deslocar os sentimentos de uma pessoa para outra, seja ela um ser humano, um animal ou um objeto. Este termo é frequentemente utilizado para descrever uma projeção defensiva, que se refere à atribuição de impulsos inaceitáveis ​​de uma pessoa e outra. Por exemplo, quando uma pessoa intimida e ridiculariza constantemente um colega por suas inseguranças, é possível que o agressor esteja refletindo suas próprias dificuldades com a autoestima na outra pessoa.

Embora os autores clássicos tenham descrito suas raízes, é no cotidiano das relações que a projeção mostra seu impacto mais contundente. Freud apresentou a projeção pela primeira vez ao descrever uma paciente que, ao enfrentar sua vergonha, buscava escapar dessa realidade ao imaginar que seus vizinhos estavam falando dela. Carl Jung e Marie-Louise von Franz, em suas reflexões, sugeriram que a projeção pode servir como um mecanismo de defesa contra o medo do desconhecido, embora isso possa, em algumas situações, prejudicar quem a utiliza. Compreende-se, igualmente, que as pessoas tendem a projetar em situações que não compreendem como uma resposta natural ao desejo de uma vida mais previsível e claramente organizada. O que acontece é que, por meio desse mecanismo, um pensamento é suprimido e substituído por outro, que se torna um filtro constantemente acessível, através do qual se percebe o mundo.

Esse fenômeno, longe de ser patológico em si, é parte da dinâmica psíquica normal. Todos nós, em algum grau, projetamos. O problema surge quando essa projeção se torna persistente, rígida e interfere nas relações interpessoais. Pais que acusam os filhos de “rebeldes” por expressarem autonomia podem estar projetando a própria dificuldade de lidar com a perda de controle. Parceiros que veem deslealdade em todos os gestos do outro podem estar inconscientemente lidando com sua própria insegurança ou desejo não reconhecido.

Um homem casado que se sente atraído por uma colega de trabalho pode, em vez de considerar essa atração, projetar seus sentimentos ao acusá-la de flertar com ela. Esse é o caso de uma possível projeção, assim como uma mulher que enfrenta uma batalha interna contra o impulso de roubar, e que acredita que seus vizinhos estão tentando invadir seu lar. Um outro exemplo é o de alguém que expressa que outra pessoa está constantemente monitorando seu comportamento, escondendo o medo de alguma insegurança ou segredo íntimo que possa vir à tona.

Em   contextos   de intimidade   emocional, a   projeção   se intensifica. Quanto mais próximo alguém está, mais facilmente se torna alvo de conteúdos internos mal resolvidos. Na relação terapêutica, esse processo pode aparecer de forma intensa, revelando-se nos afetos transferenciais. Um paciente, por exemplo, pode acusar o terapeuta de “distante e frio”, quando, na verdade, está lutando com a própria dificuldade de confiar e se abrir. Outro, ao sentir-se ignorado em pequenas interrupções, pode estar projetando o sentimento de invisibilidade vivido na infância.

A projeção tem também uma função de defesa. Ela nos permite manter uma imagem idealizada de nós mesmos. Ao atribuir ao outro o que nos desagrada, preservamos uma autoimagem coerente com as exigências do superego ou com o ideal de ego. No entanto, isso tem um custo: perdemos a oportunidade de conhecer partes importantes de quem somos, e comprometemos a autenticidade dos vínculos que estabelecemos.

Uma metáfora útil para entender a projeção é a das sombras em uma sala mal iluminada. O que está atrás de nós, e, portanto, fora do nosso campo de visão, projeta uma sombra à frente. Vemos essa sombra no outro, mas ela nos pertence. O que incomoda demais, o que provoca reações intensas e imediatas, quase sempre diz mais sobre nossa história emocional do que sobre o comportamento real do outro. A projeção revela mais sobre o emissor do que sobre o receptor.

Na clínica, um exemplo marcante foi o de uma paciente que acusava o marido de ser “sempre crítico e controlador”. Ao longo do processo terapêutico, veio à tona sua própria rigidez consigo mesma. Crescida em um ambiente em que errar era inaceitável, ela internalizou um padrão de autocrítica feroz. O incômodo com o marido estava, em parte, vinculado à forma como ela mesma se tratava internamente. Ele tornou-se o palco externo onde suas dores silenciosas se projetavam.

A projeção também é comum em dinâmicas familiares. Filhos podem ser alvo das expectativas não realizadas dos pais. Irmãos são comparados, cônjuges acusados de serem o que, no fundo, teme-se ser. Nessas situações, os vínculos se tornam distorcidos, pois o outro deixa de ser visto como é, e passa a ser moldado por lentes subjetivas.

Uma consequência prejudicial da projeção constante é quando essa característica se torna parte da identidade do indivíduo. Um pai que não alcançou uma carreira de sucesso pode transmitir ao filho mensagens como: “você não vai conseguir nada” ou “nem se dê ao trabalho de tentar”. Observe que o pai está transferindo suas próprias inseguranças para o filho; um desafio surge quando o filho internaliza essa mensagem e começa a acreditar que realmente nunca será bem-sucedido.

Do ponto de vista do autoconhecimento, reconhecer nossas projeções é um passo fundamental. Quando somos capazes de perceber que aquele traço que tanto nos incomoda no outro também habita em nós - ainda que de forma diferente -, abrimos espaço para uma relação mais honesta conosco e com os demais. A psicoterapia é o espaço privilegiado para essa descoberta, pois oferece um espelho simbólico que reflete sem julgar e acolhe sem reforçar o engano.

No dia a dia, como identificar se você está projetando suas emoções ou experiências nos outros? Após aprender que seus temores ou inseguranças são acionados e acarretar projeções, ao suspeitar que pode estar projetando, o primeiro passo é distanciar-se do conflito. A distância proporcionará a oportunidade de deixar suas defesas desaparecerem, permitindo que você reflita de maneira mais clara e racional sobre a situação. A partir desse ponto, você pode (1) descrever o conflito de maneira objetiva, (2) relatar as ações que você praticou e as suposições que formulou, e, por fim, (3) descrever as ações da outra pessoa e as suposições que ela fez. Isso pode ser uma oportunidade para você investigar se e para que pode estar projetando.

O trabalho terapêutico com a projeção exige cuidado. Confrontar diretamente o paciente pode gerar resistência ou retraimento. O terapeuta precisa, com empatia e escuta, ajudar o paciente a enxergar o vínculo entre sua história emocional e os conflitos atuais. Pequenas perguntas reflexivas como “Você já sentiu algo parecido antes?”, “Que parte dessa reação lhe parece familiar?”, ou “Será que essa leitura pode estar influenciada por algo antigo?” são chaves que abrem janelas para o inconsciente.

A psicoterapia pode ajudar o paciente a identificar conteúdos projetados em relações recorrentes, reintegrar aspectos rejeitados da própria personalidade, além de reduzir o julgamento impulsivo e desenvolver escuta empática. Como consequência, o paciente conseguirá aumentar a consciência sobre padrões emocionais herdados e reestabelecer vínculos mais autênticos, baseados na realidade e não na fantasia.

Projeção não é defeito, é recurso de sobrevivência psíquica. Mas quando se torna regra, impede o crescimento, distorce os vínculos e bloqueia o encontro com o eu real. Ao iluminar as sombras e reintegrar os fragmentos rejeitados, a psicoterapia permite que o sujeito deixe de lutar contra si mesmo. O que antes era fuga se torna reencontro. E o outro, antes espelho de angústias, pode voltar a ser presença, relação e possibilidade de construção mútua.

Um abraço,

Paulo Cesar T. Ribeiro

  • Psicoterapeuta de adolescentes, adultos, casais e gestantes – Presencial e Online.
  • Psicólogo Orientador Parental
  • Psicólogo clínico de linha humanista existencial e de orientação das Psicologias Analítica (Carl Jung), Relacional e Budista.
  • Escritor.
  • Contatos: www.psipaulocesar.psc.br


VIVER COM DESCONFIANÇA CONSTANTE: UM OLHAR HUMANO SOBRE A PERSONALIDADE PARANOICA

Há pessoas cuja mente funciona como uma sentinela silenciosa, sempre observando, sempre avaliando, sempre tentando entender se há algo por trás do que é dito, feito ou insinuado. Elas não estão perdendo o contato com a realidade, não estão enlouquecendo e não estão “inventando histórias”. Estão apenas tentando sobreviver dentro de um mundo que, em algum momento de suas vidas, se mostrou imprevisível demais, confuso demais ou doloroso demais para que fosse possível relaxar.

O Transtorno de Personalidade Paranoica (TPP) descreve um tipo de funcionamento psicológico em que a desconfiança deixa de ser um recurso ocasional e passa a ser uma lente permanente. A pessoa continua lúcida, continua lógica, continua conectada ao que acontece ao seu redor - mas interpreta esse mundo por meio da dúvida constante, da cautela exagerada e da necessidade de se proteger antes que algo aconteça. A vida, então, deixa de ser apenas convivência e torna-se também vigilância.

Para quem vive assim, pequenos gestos carregam grandes significados. Uma resposta que demora alguns minutos pode provocar uma sucessão de pensamentos desconfortáveis: “Será que eu disse algo errado? Será que ele se irritou comigo? Será que eu fiz alguma coisa sem perceber?”. O silêncio se transforma em cenário, e o detalhe vira enigma.

Nada disso acontece por escolha. É como se a mente tentasse antecipar tudo o que pode machucar. Ela faz perguntas, cria hipóteses, reconstrói diálogos, relembra situações, compara expressões. E, no fundo, acredita estar protegendo a pessoa de novas decepções.

Mas viver nesse estado de alerta permanente desgasta. A alma se cansa. O corpo se tensiona. A mente se divide entre querer confiar e temer confiar. O mundo parece sempre um pouco mais ameaçador do que realmente é.

Quando estar com outras pessoas exige tanto esforço emocional, a solidão começa a parecer um lugar seguro. Não há surpresas, não há conversas ambíguas, não há gestos que precisam ser interpretados. A casa se torna um porto silencioso, onde se pode finalmente descansar do excesso de estímulo interno.

Um convite para um jantar entre amigos, que para muitos seria motivo de alegria, pode se transformar em um labirinto emocional para quem vive com TPP. A dúvida aparece, o receio cresce, o corpo pesa. Surge o impulso de recuar, de cancelar, de evitar o que possa despertar desconforto. “Estou cansado hoje”, diz a pessoa - e está mesmo, cansada de viver em alerta.

O problema é que a solidão protege, mas também isola. Pouco a pouco, a vida vai se estreitando, as relações perdem profundidade e a sensação de estar à margem se torna familiar demais. A solitude desejada se transforma em silêncio pesado, e o silêncio, quando prolongado, vira saudade de tudo aquilo que poderia existir, mas não acontece.

Quando o cotidiano se torna terreno delicado

Nas relações afetivas, a sensibilidade aumenta. Comentários simples - “você anda quieto”, “achei que você viria”, “estranhei sua ausência” - podem soar como cobranças, críticas ou sinais de rejeição. O coração aperta, a mente tenta interpretar novamente, e o mal-estar cresce.

No trabalho, uma crítica técnica pode ser vivida como ameaça. “Esse relatório precisa de ajustes” se transforma, dentro da mente, em “não confio em você, não gosto do seu trabalho”. E o corpo reage antes mesmo que a razão consiga acalmar.

Nos estudos, o medo de exposição impede perguntas, aproximações, pedidos de ajuda. Não é falta de interesse; é receio de ser interpretado, observado ou julgado.

Em todos esses cenários, a pessoa continua tentando acertar, continua desejando relações mais leves, continua buscando pertencimento - mas a vigilância emocional torna o caminho estreito demais.

Quando a mente não encontra repouso na convivência, ela tenta criar segurança por meio da repetição. Conferir portas, reler mensagens, repassar conversas, observar gestos, analisar entonações, revisar sinais. Não é mania; é tentativa de encontrar um ponto firme em meio ao excesso de incertezas internas.

E, embora esses comportamentos aliviem por alguns minutos, acabam reforçando o cansaço. A pessoa sente que precisa estar sempre atenta, sempre avaliando, sempre cuidando para não ser surpreendida. É uma existência vivida com o freio de mão puxado.

Quando a pessoa com TPP entra em uma conversa que desperta desconforto emocional, algo interno se reorganiza rapidamente. O corpo fica mais tenso, a respiração fica curta, e a mente começa a buscar, quase compulsivamente, o ponto exato onde teria havido uma crítica, um desprezo ou uma ameaça escondida. Não é birra, não é agressividade gratuita; é defesa.

Nesses momentos, sua sensibilidade ao risco emocional se traduz em comportamentos que muitas vezes são mal interpretados pelos outros: a voz pode ficar mais firme, os gestos mais contidos, o olhar mais fixo. A raiva aparece não como vontade de ferir, mas como um pedido silencioso de proteção — uma forma de dizer: “eu estou tentando sobreviver ao que sinto agora”.

O pensamento também tende a se enrijecer. Quanto maior o desconforto, menor a flexibilidade interna para enxergar nuances. A mente busca certezas, interpretações únicas, explicações imediatas. A ambiguidade se torna insuportável.

Por isso, numa discussão, a pessoa com TPP pode insistir em sua percepção com força, mesmo quando, mais tarde, reconhece que exagerou. Não é orgulho; é autopreservação emocional. É o medo de admitir que pode ter se enganado — porque, para ela, enganar-se significaria ter abaixado as defesas num momento perigoso.

O nervosismo surge como consequência da carga emocional que se acumula muito rápido. O corpo reage antes que a razão tenha tempo de organizar o que está acontecendo. Às vezes, a pessoa se arrepende minutos depois. Mas no calor do momento, a dúvida, a raiva e a rigidez do pensamento se unem para tentar impedir que algo machuque novamente.

E, ainda assim, por trás da aparência dura, há uma imensa vulnerabilidade. A pessoa não quer brigar; quer se sentir segura.

Não é delírio. É sensibilidade dolorosa.

É muito importante entender que o TPP não é psicose. Não há perda da realidade. Não há delírios estruturados. Há, sim, uma sensibilidade aumentada ao risco emocional. Uma tendência a interpretar o mundo pela via da proteção, não da confiança. Quem vive assim não está “inventando problemas”; está tentando sobreviver a eles. E, justamente por isso, o sofrimento é real.

A terapia como um espaço de descanso emocional

Para quem vive em estado de alerta, a terapia não pode ser fria, mecânica ou técnica demais. Não pode ser uma sequência de tarefas, nem um manual de instruções. O que a terapia oferece - no seu melhor - é uma experiência emocional diferente daquelas que machucaram. Ela cria um espaço onde a pessoa pode ir chegando aos poucos, desconfiando aos poucos, se permitindo aos poucos. E cada “aos poucos” é respeitado.

Na psicoterapia, não se exige confiança imediata. Ela nasce do encontro, não da ordem. O terapeuta está ali para sustentar o vínculo, mesmo quando a desconfiança aparecer. Mesmo quando houver dúvidas, silêncios, afastamentos momentâneos. E esse tipo de estabilidade - rara na vida de quem vive com TPP - começa a mostrar que é possível existir em relação sem se sentir ameaçado o tempo inteiro. Com o tempo, a pessoa descobre que pode:

  • reconhecer seus padrões emocionais;
  • entender de onde vieram suas feridas;
  • perceber quando a mente cria histórias baseadas em medo;
  • distinguir perigo real de perigo imaginado;
  • viver com menos peso e mais espaço interno.

A terapia não muda a essência da pessoa. Mas devolve movimento àquilo que estava duro demais.

É preciso falar que os medicamentos não curam o Tanstorno de Personalidade Paranoide, mas podem ajudar a reduzir ansiedade, tensão, irritabilidade e sofrimento. Quando usados com cuidado e explicações claras, dão um pouco mais de espaço para que a mente respire e para que a terapia siga seu curso.

A vida possível: menos medo, mais escolha

Melhorar não é “virar alguém que confia em tudo e todos”. Melhorar é aprender a reconhecer quando a desconfiança protege e quando aprisiona. É descobrir que alguns vínculos podem ser seguros. É perceber que você pode recuar quando necessário, mas pode, também, avançar um pouco mais quando desejar.

Mudanças importantes não começam com grandes revoluções internas. Começam quando, pela primeira vez, você diz a si mesmo: “Talvez isso não seja o que eu pensei. Talvez eu possa respirar antes de reagir.”

E esse pequeno intervalo - esse breve espaço entre sentir e agir - já é transformação. O TPP não impede ninguém de amar, trabalhar, construir relações, sonhar ou viver bem. Ele apenas pede que o caminho seja feito com mais cuidado, mais compreensão, mais delicadeza - inclusive consigo mesmo.

Com tempo, com apoio e com um espaço seguro para existir, a vida volta a ganhar forma. E a desconfiança, que antes ocupava tudo, torna-se apenas uma das vozes dentro da casa interna - não mais a que comanda tudo, mas a que pode ser ouvida, compreendida e, aos poucos, sossegada.

Um abraço,

Paulo Cesar T. Ribeiro

  • Psicoterapeuta de adolescentes, adultos, casais e gestantes – Presencial e Online.
  • Psicólogo Orientador Parental
  • Psicólogo clínico de linha humanista existencial e de orientação das Psicologias Analítica (Carl Jung), Relacional e Budista.
  • Escritor.
  • Contatos: www.psipaulocesar.psc.br


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