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O MEDO (texto de Krishnamurti)

Caros amigos,

Quem dentre nós nunca sentiu medo de algo? Ou sente medo ainda hoje, por várias razões íntimas? O medo é algo que estagna a vida: de um lado, ele garante a sobrevivência humana, mas de outro, ele ajuda a diminuir a energia necessária para viver.

É um assunto, sem dúvidas, super-importante para todos e, por este motivo, escolhi um texto do filósofo indiano Krishnamurti. Este indiano, que sempre repudiou a idéia de ser chamado de “guru”, abordou assuntos como a revolução psicológica, meditação, conhecimento, relações humanas, a natureza da mente e a realização de mudanças positivas na sociedade global, e, constantemente, ressaltou a necessidade de uma revolução na psique de cada ser humano, enfatizando que tal revolução não poderia ser levada a cabo por nenhuma entidade externa seja religiosa, política ou social. Vamos ver o que ele nos ensina sobre o “medo”!

“Bombaim, 22 de Fevereiro de 1961

Vamos agora considerar o medo na sua totalidade. Uma mente atemorizada, que bem lá no fundo está tomada pela ansiedade, pelo medo e pela esperança, que é fruto do medo e do desespero, uma mente assim não é, evidentemente, uma mente saudável. Ela frequenta templos e igrejas, é capaz de elaborar qualquer tipo de teoria, reza, pode até ser erudita. Por fora, talvez possua a polidez da sofisticaçao, talvez seja obediente, adequada e refinada, talvez até se comporte da forma correta exteriormente, mas uma mente assim, que tem tudo isso e que tem suas raízes no medo (como a mente da maioria de nós), não tem, evidentemente, capacidade para enxergar direito.

O medo produz diversas formas de doença mental. Ninguém tem medo de Deus, mas a pessoa tem medo da opinião pública, de não conseguir isto ou aquilo, de não se realizar, de não ter oportunidades. Como conseqüência de tudo isso, há esse extraordinário sentimento de culpa - ela fez algo que não deveria ter feito gerando o sentimento de culpa no próprio ato de fazer. Ela é saudável, enquanto há outros que são pobres e doentes. Ela tem comida, enquanto outros não têm. Quanto mais a mente investiga, penetra, pergunta, maior o sentimento de culpa, de ansiedade. E se todo esse processo não é compreendido, se o medo, na sua totalidade, não é compreendido, então surgem atividades peculiares, as atividades dos santos, as atividades políticas - atividades que podem todas ser explicadas, que você observa, que se dá conta dessa natureza contraditória do medo, tanto o consciente como o inconsciente. Você conhece o medo - medo da morte, medo de não ser amado ou de amar, medo de perder, medo de ganhar. Como você lida com isso?

O medo é o impulso que procura um mestre, um guru. O medo é o manto da respeitabilidade, tão amado por todos - ser respeitável. Não estou falando de nada que não seja um fato. É possível ver tudo isso no dia-a-dia. Essa natureza extraordinária e penetrante do medo - como é que você lida com ela? Será que você desenvolve a qualidade da coragem apenas de modo a atender às exigências do medo? Compreende? Você decide ser corajoso para enfrentar os acontecimentos da vida, ou apenas racionaliza o medo para afastá-lo, ou para encontrar explicações que darão satisfação à mente tomada pelo medo? Como você lida com isso? Liga o rádio, lê um livro, vai a um templo, apega-se a algum tipo de dogma ou de crença? Vamos discutir como lidar com o medo. Se você se dá conta dele, qual a sua maneira de abordar essa sombra? Evidentemente, é possível perceber com clareza que a mente amedrontada se apaga. Ela não consegue funcionar de modo adequado, não consegue pensar racionalmente por medo (não me refiro ao medo que existe no nível consciente apenas, mas também ao que existe nos recessos profundos da mente e do coração). Como saber? E ao descobrir, como proceder? Eu não estou propondo uma questão teórica. Não diga: "Ele irá responder." Eu vou responder, mas vocês precisam descobrir. No momento em que não existir mais medo, não existirá ambição, mas ação, a qual se dá pelo amor do que é feito e não pelo reconhecimento daquilo que você irá fazer. Assim, como lidar com isso? Qual a sua resposta?

É claro que a resposta cotidiana ao medo é empurrá-lo para o lado, encobri-lo com a vontade, a determinação, a resistência, a fuga. É isso o que fazemos, senhores. Não estou dizendo nada de extraordinário. Então, o medo continua perseguindo você como uma sombra e você não fica livre dele. Refiro-me à totalidade do medo, não apenas a um determinado medo específico - da morte, ou do que o seu vizinho vai dizer, o medo da morte do marido ou do filho, ou de que a esposa fuja. Sabem o que é o medo? Cada um tem a sua forma particular de medo - não um, mas múltiplos medos. Uma mente que tem alguma forma de medo não pode, evidentemente, ter a qualidade de amor, da simpatia, da ternura. O medo é a energia destrutiva no homem. Ele faz a mente fenecer, distorce o pensamento, leva a todo tipo de teoria de extraordinária sagacidade e sutileza a superstições absurdas, a dogmas e cren­ças. Se você percebe o quanto o medo é destrutivo, como proceder, então, para purificar a mente?

(Krishnamurti)"

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Um abraço,

Psicólogo Paulo Cesar
Psicoterapeuta de adolescentes, adultos, casais e gestantes. Psicólogo de linha humanista com acentuada orientação junguiana e budista. Consultório próximo ao Shopping Metrô Santa Cruz. Atendimento de segunda-feira aos sábados. Marque uma consulta pelos fones 11.5081-6202 e 94111-3637 ou pelos links www.psicologopaulocesar.com.br ou www.blogdopsicologo.com.br  

6 comentários:

  1. O que devo fazer para melhorar minha alto-estima?E o que fazer para controlar minha ansiedade?

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  2. Descobri que tenho transtorno da ansiedade e agora o que devo fazer?

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  3. Para os dois primeiros comentários pergunto por que querer fazer alguma coisa a respeito? Telvez a OBSERVAÇÃO DESTITUIDA DE QUALQUER PESAMENTO CONDENANDO OU JUSTIFICANDO É A CHAVE. PARA TAL É NECESSÁRIO UMA ATENÇÃO CONSTANTE DE MOMENTO A MOMENTO SEM UM EU DIGA ISSO É SERTO AQUILO É ERRADO, MAS UMA PASSIVA OBSERVAÇAO. SEM ATRITO.
    LEIAM MAIS KRISHNAMURTI !!!

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  4. Se todos os seres humanos soubessem dar valor a essa máquina fascinante que é o próprio corpo, pararia de colocar tanta baboseira dentro das suas mentes,( medo). O que tem que ser feito é a concentização de que o nosso corpo é o nosso templo e ao mesmo tempo o nosso presente dado pelo UNIVERSO, cuidar mais de si, da sua vida e de um bom alimento o qual é digerido pelo cérebro.

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  5. Não compreendo como um psicólogo que tenta ajudar o outro a se encontrar publica K que negava qualquer um que quisesse "ajudar"? Como um psicólogo que tem os mesmos problemas de toda a humanidade, ou seja, que não vê a si mesmo pode ajudar o outro a se ver? A descrição que fará do outro estará sempre contaminada por sua própria imagem, seus conhecimentos psicológicos, etc...
    Estamos TODOS navegando em barcos sem remos. O que K ensinou foi que você não encontrará remos em barco nenhum, seja em qualquer barco- consultório, barco-templo, barco-bandeira... É preciso saltar fora do barco, jogar-se na imensidão do mar. Não saltamos porque achamos que não saberemos nadar, porém o que K ensinou foi que nós somos o oceano, portanto dê o salto decisivo.

    Leiam mais Krishnamurti.

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    1. Interessante o seguinte posicionamento de Krishnamurti: A ânsia de se tornar causa medo; ser, conseguir, e assim depender engendra o medo. O estado do não-medo não é negação, não é o oposto de medo e nem é coragem. Compreendendo a causa do medo, há a sua interrupção, não o se tornar corajoso, pois em todo tornar-se existe a semente do medo. Depender de coisas, de pessoas, ou de ideias gera medo; a dependência vem da ignorância, da falta de autoconhecimento, da pobreza interior; o medo causa incerteza da mente-coração, impedindo a comunicação e a compreensão. Através da consciência de si, nós começamos a descobrir e então compreender a causa do medo, não só o superficial, mas os profundos medos acumulativos e casuais. O medo é tanto inato como adquirido; ele se relaciona com o passado, e para libertar o pensamento-sentimento dele, o passado deve ser compreendido através do presente. O passado está sempre querendo dar vida ao presente que se torna a memória identificada do “eu” e do “meu”. O ego é a raiz de todo medo.

      J.Krisnamurti, The Book of Life

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