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terça-feira, 30 de maio de 2017

MENINAS, DIGAM "NÃO" À DITADURA DA BELEZA

Ah, como seria maravilhoso se a beleza interior sempre triunfasse sobre a aparência externa...

Que menina não passou por alguma situação em que se sentiu avaliada através dos olhares dos outros? O que, talvez, muitos não entendem é o quanto isso pode ser dramático para as pessoas, especialmente para as jovens adolescentes. E isso não ocorre apenas quando há o interesse por um relacionamento romântico, mas sim, em todas as interações humanas.

Infelizmente vivemos numa sociedade onde a mídia, principalmente a televisiva, impõe um padrão de beleza de forma cruel, e que causa distúrbios psicológicos de toda ordem. Em nosso país, a valorização de um específico modelo de corpo é um verdadeiro absurdo, pois a imagem corporal imposta não corresponde à realidade da vida das mulheres brasileiras, seja por características biológicas, por falta de tempo e dinheiro para “se cuidar” ou mesmo por que não querem ser diferentes do que são. Entretanto, por força da mídia, uma garota que não seja magra e com o corpo sarado, com a pele e cabelos perfeitos, pode ter sua autoestima severamente diminuída, gerando sentimentos de medo, insegurança, frustração, angústia, ansiedade e, até mesmo, depressão. Em muitos casos, as garotas podem apresentar fobia social e transtornos alimentares. Alie-se a isso, o fato de que esse padrão transforma as meninas em insaciáveis consumistas, todas em busca do ideal de beleza e aparência. As garotas adolescentes são o alvo principal desse bombardeio midiático e capitalista, mas os garotos também o são, ainda que num menor grau.

Para seu conhecimento, outros comportamentos típicos da jovem com baixa autoestima são a necessidade de aprovação (quer ser reconhecida; quer agradar a todos), dependência financeira e emocional, inveja, ciúmes excessivos, sentimento de incapacidade para realizar as coisas, dúvidas do próprio valor, não confiar em si e em ninguém, autoproibição para errar, perfeccionismo, raiva, agressividade, comodismo, vergonha, dificuldade para desenvolver-se psicologicamente e sentimento de inferioridade. Muitos casos de autoflagelação (cortar-se; arranhar-se; machucar-se) também estão associados a essa questão.

É cada vez maior a procura por academias e clínicas de estética e não há problema algum em querer se manter bonita e saudável. Observa-se, contudo, exageros, seja por exercícios levam à exaustão, seja pela privação de alimentos que pode causar doenças como anorexia e bulimia, ou através de cirurgias estéticas que já levaram à morte tantas moças famosas e anônimas.

O que fazer? Qual é o ponto em questão?

O ponto é que a cultura e a mídia seguirão impondo o que é ou deve ser visualmente desejável, independentemente de nosso próprio desenho intuitivo ou o que realmente queremos ou achamos atraente. O “photoshop” é mágico e faz as “correções” na imagem, mas a vida real não é assim. As meninas querem e tentarão quase qualquer coisa para terem o ideal. O problema é que nunca há um ponto final porque o ideal é inalcançável. No final das contas, vem a frustração pela percepção de que o excesso de preocupação com a beleza é desnecessário, uma vez que o conceito de beleza é relativo e muda frequentemente por conta dessa mesma cultura.

Procurar o ideal do corpo não é como identificar uma profissão que se quer seguir. O corpo está determinado pela genética e não há como ir contra isso. A garota pode pagar por um monte de produtos de beleza e cirurgia plástica para melhorar e embelezar a aparência para sentir-se atraente em nossa cultura, mas existem limitações. Produtos e cirurgia não podem mudar o tamanho do quadril, a altura ou a mudança como nossos corpos usam e armazenam gordura. Produtos e cirurgia podem melhorar, mas não criam autoestima – esse é o ponto principal.

Os sentimentos gerados pela ditadura da beleza também geram, com frequência, graves problemas na vida pessoal e na carreira profissional. Por exemplo, a garota fica suscetível a se envolver em relacionamentos instáveis e infrutíferos; por medo de perder o relacionamento e medo de não conseguir conquistar outro, acaba ficando em posição de submissão. Na vida profissional, como ela não confia em si mesma, acaba criando obstáculos para os desafios que surgem – ela tem medo de se arriscar por achar que não vai conseguir.

Quero dizer a vocês, jovens garotas, e também aos seus pais e mães, que a verdade é que não há fórmulas mágicas para melhorar a autoestima. A única solução é o autoconhecimento. Compare a vida de uma garota com essas dificuldades a um guarda-roupa bagunçado, onde é muito difícil encontrar uma roupa limpa (qualidades). É preciso achar as roupas que devem ser lavadas, as que não servem mais (livrar-se de mágoas que ocupam espaço na vida da garota levando-a a sofrer). Depois disso, é necessário encontrar as roupas que estão ali, novinhas sem nunca terem sido usadas (potencial). Pode ser trabalhoso, mas o autoconhecimento permite à pessoa ver as coisas com mais clareza, encontrando as qualidades muitas vezes reprimidas, negadas pela própria pessoa e/ou pelos outros. Mas tem que querer fazer essa mudança, senão não adianta.

Algumas mudanças de postura contribuem para melhorar a autoestima feminina, como fazer algo que gosta; aceitar críticas construtivas; abandonar a coitadinha guardada em si; não afogar as mágoas comendo; realizar práticas espiritualizadas; fazer exercícios físicos; fazer psicoterapia e escolher ser feliz. Não se enquadre em modelos já estabelecidos, pois a beleza está nos olhos de quem vê. Não é uma ciência exata como, por exemplo, a matemática, em que dois mais dois é igual a quatro e não há questionamentos. Ao contrário, o conceito de beleza é subjetivo e são as imperfeições que formam a perfeição relativa.

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Um abraço,

Psicólogo Paulo Cesar

Psicoterapeuta de adolescentes, adultos, casais e gestantes. Psicólogo de linha humanista com acentuada orientação junguiana e budista. Consultório próximo ao Shopping Metrô Santa Cruz. Atendimento de segunda-feira aos sábados. Marque uma consulta pelos fones 11.5081-6202 e 94111-3637 ou pelos links www.psicologopaulocesar.com.br ou www.blogdopsicologo.com.br  

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