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Daqui em diante, você encontrará muitos outros artigos sobre psicologia. A finalidade da Psicoterapia é entender o que está ocorrendo com o cliente, para ajudá-lo a viver melhor, sem sofrimentos emocionais, afetivos ou mentais. Aqui você encontrará respostas sobre a PSICOTERAPIA - para que serve e por que todos deveriam fazê-la. Enfim, você encontrará nesses artigos,informações sobre A PSICOLOGIA DO COTIDIANO DE NOSSAS VIDAS.

O DESPERTAR DO MITO: DA FÁBULA AO FUNDAMENTO DA EXISTENCIA

Durante muito tempo, especialmente até o século XIX, o pensamento ocidental tratou o mito como o oposto do real: algo fantasioso, ilusório, quase infantil. O século XX, porém, promoveu uma virada decisiva. A partir de estudos como os de Mircea Eliade, o mito deixou de ser visto como invenção ingênua e passou a ser reconhecido como a própria base de sentido das sociedades tradicionais.

Para os povos arcaicos, o mito não era metáfora. Era verdade absoluta. Narrava acontecimentos sagrados ocorridos no “tempo dos começos” e, por isso, servia como modelo exemplar para todos os atos humanos. Comer, amar, construir, guerrear, governar: tudo só ganhava pleno sentido quando repetia um gesto inaugural de um Deus ou Herói. Ao imitar esse gesto primordial, o ser humano se desligava do desgaste do tempo comum e entrava no Grande Tempo, o tempo sagrado sempre renovado.

O mito, portanto, não era uma história sobre o mundo; era uma maneira de habitar o mundo.

Sagrado e profano: a ruptura moderna

Do ponto de vista social, certos símbolos coletivos continuam operando como focos de pertencimento e identidade. Contudo, no plano íntimo ocorreu uma fratura decisiva: o homem contemporâneo passou a pensar-se como indivíduo separado, autocentrado, enquanto o homem arcaico se compreendia sobretudo como participante de um drama cósmico maior do que ele.

Essa mudança teve consequências profundas. Aquilo que antes era vivido como participação num ritmo sagrado passou a ser experimentado como sucessão linear e cansativa de horas, dias e anos. O tempo tornou-se algo que se “mata”, não algo que se celebra.

Nas culturas tradicionais, o trabalho era rito. Plantar, caçar, tecer ou edificar significava colaborar com a ordem do cosmos. Por repetir o gesto divino inaugural, o trabalho inseria o homem num tempo pleno, não havia tédio nem a sensação de prisão.

Quando o trabalho perde esse caráter simbólico, transforma-se em obrigação nua. O homem moderno sente-se aprisionado pela profissão porque ela já não o conduz para fora do tempo desgastante. Incapaz de reencontrar no fazer cotidiano uma abertura para o sagrado, ele busca saídas laterais.

É aí que surgem as distrações.

Distração como tentativa de fuga do tempo

Livros, novelas, jogos e filmes oferecem um deslocamento para outros ritmos temporais. Ao mergulhar numa narrativa, a pessoa suspende por instantes o relógio biográfico e vive num tempo diferente do seu. Essa experiência revela algo importante: o desejo persistente de escapar da corrosão do tempo linear.

Nas sociedades antigas, quase não havia “distrações” porque não eram necessárias. O próprio viver já era atravessado por uma dimensão ritual que renovava o mundo a cada gesto responsável. Hoje, a fuga é compensatória. Ela alivia, mas não transforma.

O mito antigo elevava o cotidiano ao nível do cosmos. A distração moderna apenas anestesia o peso do cotidiano.

Ainda assim, essa fuga não é vazia. Ela mostra que o impulso mítico continua vivo.

O mito nunca desapareceu

Mesmo quando expulso do centro da vida social, o mito persiste na experiência interior. Ele reaparece nos sonhos, nas fantasias, nas nostalgias sem nome. Esse retorno não é acidental: o comportamento mítico é inseparável da condição humana porque expressa nossa angústia diante do tempo que passa e da morte que se aproxima.

Redescobrir o mito não significa abandonar a razão, mas reconhecer que há em nós uma dimensão que busca sentido por meio de narrativas exemplares, imagens fundadoras e jornadas simbólicas.

Esse reencontro pode inaugurar um novo humanismo, capaz de atravessar culturas.

O tesouro escondido em casa

A antiga história do rabino Eisik, de Cracóvia, ilustra de forma luminosa essa busca. Sonhando três vezes com um tesouro escondido sob uma ponte em Praga, ele empreende longa viagem. Vigiado por guardas, não consegue cavar. Ao contar seu sonho ao capitão, ouve dele uma gargalhada: o próprio capitão também sonhara com um tesouro em Cracóvia, atrás do fogão de um rabino chamado Eisik, mas considerara isso absurdo demais para levar a sério.

O rabino volta para casa, cava atrás do fogão e encontra o tesouro.

A lição é dupla. O que nos salva está perto, enterrado no centro vivo do nosso ser. Mas muitas vezes só descobrimos isso depois de uma longa viagem exterior. E, curiosamente, quem nos revela o sentido da jornada é o estrangeiro: o outro, o diferente, aquele que não pertence à nossa crença nem à nossa cultura.

O encontro com o distante devolve-nos ao mais íntimo.

Essa é a dinâmica profunda de toda verdade reencontrada.

Mito e psicologia profunda

O “atrás do fogão” é imagem do centro que aquece e sustenta a vida: o coração do coração. Psicologicamente, trata-se da interioridade esquecida. O mito opera como mapa simbólico dessa escavação. Ele orienta a travessia para dentro ao mesmo tempo em que exige deslocamentos para fora.

A viagem e o retorno, o estrangeiro e a casa, o longe e o íntimo formam um único movimento de autoconhecimento.

Daí a atualidade do mito: ele oferece uma linguagem para aquilo que a racionalidade pura não alcança, sem por isso negar a lucidez.

O cinema como ritual imperfeito

O mundo contemporâneo criou novos palcos para essa experiência de suspensão do tempo. A sala escura do cinema funciona como um limiar: por algumas horas, o tempo cotidiano é substituído pelo tempo da narrativa. Séculos passam em minutos, segundos se expandem em eternidades. Vivida muitas vezes em grupo, essa imersão coletiva lembra o recolhimento ritual dos antigos iniciados.

Os grandes heróis das telas cumprem papel semelhante ao dos heróis míticos: encarnam justiça, sacrifício, poder, redenção. Histórias de origem funcionam como cosmogonias modernas, explicando “como tudo começou”. A ficção científica e a fantasia, ao explorar multiversos e viagens no tempo, tocam diretamente na velha aspiração humana de não ficar presa a uma única linha temporal.

Há, porém, uma diferença decisiva.

No mito vivido como rito, a narrativa retornava ao cotidiano e o transformava. O indivíduo sentia-se responsável por manter a ordem do mundo. No cinema e nas séries, a experiência costuma terminar com os créditos finais. O espectador volta para a mesma rotina dessacralizada. O alívio é real, mas provisório.

O mito antigo integrava. O mito consumido distrai.

Para além da fuga: um novo humanismo

Compreender o mito é uma das grandes conquistas do pensamento moderno porque nos devolve algo que nunca perdemos totalmente: a capacidade de encontrar, no interior da própria vida, fontes de sentido que atravessam épocas e culturas.

Não se trata de restaurar o passado, mas de reativar em nós as fontes espirituais que deram origem às grandes criações humanas. O mito mostra que, apesar das diferenças históricas, todos partilhamos a mesma angústia diante do tempo e o mesmo desejo de um centro que aqueça a existência.

Quando reconhecemos o que ainda é mítico em nossa vida — nos sonhos, nas buscas, nas jornadas que fazemos para depois voltar para casa — abrimos espaço para um humanismo verdadeiramente amplo: não baseado apenas em conquistas técnicas, mas na experiência comum de procurar, perder-se, viajar e finalmente escavar, em silêncio, o tesouro escondido em nosso próprio chão.

Um abraço,

Paulo Cesar T. Ribeiro

  • Psicoterapeuta de adolescentes, adultos e gestantes e Psicólogo Orientador Parental
  • Escritor.
  • Contatos: www.psipaulocesar.psc.br

PESSOAS FRIAS E MANIPULADORAS: COMO RECONHECER E SE PROTEGER NO DIA A DIA - SEM PERDER A PAZ

Quando ouvimos a palavra psicopata, muita gente imagina automaticamente uma figura criminosa, violenta, quase cinematográfica. É compreensível: por décadas, filmes, séries e manchetes ajudaram a construir essa imagem de alguém cruel, sádico e fora de qualquer limite. Mas a realidade clínica costuma ser menos barulhenta e, por isso mesmo, mais difícil de reconhecer.

Em muitos casos, a psicopatia e os comportamentos antissociais não aparecem como crimes graves. Eles surgem como frieza emocional, manipulação, ausência de responsabilidade afetiva, jogos de culpa e uma habilidade impressionante de preservar boa aparência social. E é justamente aí que mora um dos maiores desafios: há pessoas que convivem anos com alguém assim — como parceiro, familiar, chefe, colega ou amigo — e só percebem o estrago depois de um longo processo de desgaste interno.

Por isso, o objetivo deste artigo é simples e prático: ajudar você a reconhecer dinâmicas típicas, entender o que pode estar acontecendo e aprender a se proteger sem perder a humanidade. Não se trata de transformar o leitor em “perito” em diagnóstico, nem em alguém que olha o mundo com paranoia. Trata-se de oferecer lucidez para quem sente que algo está errado, mas não consegue nomear o que está vivendo.

Antes de tudo, vale esclarecer uma confusão comum. No cotidiano, os termos psicopatia, sociopatia e comportamento antissocial são usados como sinônimos. Na clínica e na pesquisa, existem diferenças e nuances. Para o público leigo, um bom jeito de compreender é pensar em gradações. O termo “comportamento antissocial, ou, mais oficialmente, Transtorno de Personalidade Antissocial - é a classificação mais comum nos manuais diagnósticos, descrevendo um padrão persistente de violação de regras, irresponsabilidade e pouca ou nenhuma culpa pelos danos causados. A psicopatia, por sua vez, é muito estudada, especialmente em contextos forenses, mas não costuma aparecer como diagnóstico separado em alguns manuais; ainda assim, o conceito permanece importante porque descreve um conjunto de características marcadas por frieza afetiva, charme superficial, manipulação e ausência de empatia emocional autêntica, muitas vezes com uma aparência social organizada e calculada. Já a sociopatia costuma ser entendida como uma configuração mais reativa e impulsiva, com explosões emocionais, instabilidade e dificuldade de se adaptar às normas, podendo, em alguns casos, manter vínculos restritos com pessoas específicas, ainda que de forma limitada. Na prática, o que importa não é “fechar um rótulo”, mas perceber quando a convivência vira um padrão repetitivo de abuso emocional, manipulação e ausência de reciprocidade.

Uma parte central do sofrimento moderno vem do que se descreve como “máscara de sanidade”: pessoas que conseguem circular socialmente com aparência normal, até encantadora, mas que por dentro funcionam com baixa empatia, egocentrismo e uma visão instrumental dos outros. Essas pessoas podem ser o parceiro que se mostra irresistível no início e depois vira um campo minado, o colega “agradável” que faz você sempre sair como culpado, o chefe carismático que parece competente mas destrói a equipe por dentro, ou o parente “bonzinho” que controla tudo com chantagem emocional. E isso explica por que tantas vítimas dizem algo como: “mas ele nunca me bateu…”. Sim, não bateu. Mas esvaziou. Confundiu. Desorganizou. Feriu. Há violências que não deixam hematomas e, ainda assim, fazem a alma sangrar.

E como esses padrões aparecem no dia a dia? Aqui é importante dizer: não existe um “teste caseiro” para diagnosticar alguém. Mas existem sinais relacionais que merecem atenção, sobretudo quando se repetem de maneira consistente. Um deles é o charme acompanhado de pressa emocional: a pessoa acelera a intimidade, promete demais, fala de “destino”, “conexão rara”, cria uma sensação de grande intensidade e prende você rapidamente. Outro sinal comum é a manipulação sutil: ela não pede, ela conduz. E quando você percebe, já está cedendo por culpa, medo ou confusão. Muitas vezes também há a simulação de afeto: a pessoa entende suas emoções, sabe o que dizer, mas não se comove de verdade com elas. Ela pode saber o que você sente, mas não sente com você. Em vez de encontro, há cálculo.

Em muitos casos, o que mais destrói é uma técnica psicológica quase invisível: o gaslighting. Não se trata apenas de mentir. Trata-se de minar sua confiança na própria percepção. Surgem frases como “você é sensível demais”, “você imagina coisas”, “você está exagerando”, “você está ficando instável”. Aos poucos, a vítima começa a duvidar da própria memória, da própria intuição e até do próprio valor. E uma consequência quase inevitável é a inversão do papel de vítima. Quando confrontada, a pessoa não repara. Ela se vitimiza. Ela vira o ferido, o injustiçado, o incompreendido. E quem denuncia passa a ser visto como agressor. Esse mecanismo é especialmente eficaz porque sequestra a empatia do outro e transforma a dor em arma.

Somado a isso, aparece a falta de responsabilidade afetiva. Não há pedido de desculpas verdadeiro, ou até existe um “desculpa”, mas o padrão se repete. Sem mudança real, a palavra vira estratégia. Muitas vezes também há uma relação flexível com regras e acordos: promessas quebradas, pequenas mentiras, combinações reescritas conforme o interesse do momento. A pessoa que convive entra num esforço interminável de se ajustar - e quase sempre perde.

O impacto desse tipo de convivência costuma ser profundo e gradual. Não é um choque que acontece em um dia. É um desgaste contínuo. Quem convive começa a apresentar ansiedade, hipervigilância, sensação de estar sempre pisando em ovos, baixa autoestima, confusão mental e culpa crônica. Em muitos casos, surge também isolamento, porque a vítima sente que ninguém vai acreditar nela. E existe um detalhe cruel: o agressor costuma preservar uma imagem pública muito boa, enquanto a vítima aparece “nervosa”, “instável”, “dramática”. Isso aumenta a solidão emocional e a sensação de impotência.

Diante disso, como se prevenir? Aqui está uma das partes mais importantes para qualquer leitor leigo. Prevenção não é “descobrir quem é psicopata”. Prevenção é não se perder de si mesmo dentro de uma dinâmica adoecedora. Um primeiro ponto é confiar nos sinais repetidos e não apenas no episódio isolado. Todo mundo erra. Mas o que adoece é o padrão: repetir, negar, inverter e desgastar. Um segundo ponto é observar como você se sente depois do contato. Relações saudáveis podem ser difíceis, mas não te deixam menor. Se toda conversa termina com dúvida, culpa e confusão, isso é um sinal. Também é importante evitar entregar sua vida íntima com profundidade a quem não demonstra cuidado consistente: pessoas manipuladoras podem usar vulnerabilidades como mapa.

Um exercício simples e poderoso é colocar limites claros e observar a reação. Um limite saudável não precisa gritar. Ele pode ser calmo: “não aceito esse tom comigo”, “eu preciso de respeito nessa conversa”, “sobre isso, minha decisão está tomada”. E o que realmente importa é a resposta do outro. Alguém emocionalmente saudável pode se frustrar, mas tenta reparar. Uma personalidade manipuladora tende a atacar, punir, ridicularizar ou inverter o jogo. E, quando o ambiente é assim, ter rede de apoio se torna vital. Ninguém se protege sozinho. Uma rede não precisa ser uma multidão: bastam duas ou três pessoas confiáveis que devolvam realidade.

Em alguns casos, conversar não melhora. Piora. Porque o outro não quer construir: quer vencer. E então pode ser necessário um distanciamento emocional como forma de autocuidado. Distanciamento não é frieza. É proteção. É parar de se oferecer como alvo. É reduzir exposição, reorganizar a vida, recuperar o centro interno. Às vezes, a solução não é diálogo - é redução de contato, limites firmes e, quando necessário, afastamento gradual.

E a pergunta que sempre aparece é: “mas tem tratamento? dá para mudar?”. Nos casos graves, o prognóstico costuma ser limitado. Muitas dessas pessoas não procuram ajuda por sofrimento interno, e sim por conveniência, pressão externa ou interesses secundários. Nos quadros mais leves e subclínicos, pode haver alguma melhora comportamental - especialmente quando existe certo grau de consciência, algum medo de perder vínculos ou um desejo real de funcionar melhor. Ainda assim, é fundamental que o leitor leigo compreenda uma realidade dura, mas libertadora: o foco do cuidado quase sempre precisa estar mais em quem convive do que em quem agride. Porque é o convivente que adoece tentando entender, provar, consertar e salvar.

E aqui chegamos a um ponto de humanidade essencial. Existe uma diferença vital entre compreender e se sacrificar. Compreender ajuda você a sair do labirinto mental. Mas se sacrificar para manter um vínculo destrutivo é outra coisa: é desistir de si. Se você convive com alguém emocionalmente frio, manipulador ou antissocial em algum grau, não precisa cair no ódio nem na paranoia. Precisa, acima de tudo, de lucidez para enxergar o padrão, limites para proteger seu espaço interno e apoio para não carregar isso sozinho. Porque convivência humana não deveria ser um jogo de sobrevivência emocional. Relações existem para sustentar a vida - não para consumir a alma.

E se você estiver saindo de uma dinâmica assim, guarde uma frase como lembrança e cura: o que você perdeu não foi “fraqueza”. Foi energia tentando amar alguém que não sabe amar de volta.

Um abraço,

Paulo Cesar T. Ribeiro

  • Psicoterapeuta de adolescentes, adultos e gestantes e Psicólogo Orientador Parental
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A mulher que está se submetendo a um tratamento de fertilidade e que não se sente emocional e psicologicamente equilibrada, pode estar precisando de algum tipo de apoio à saúde mental como a psicoterapia. Isso não é incomum, pois cerca de 80% das pacientes que lidam com a infertilidade realmente vivem algum sofrimento psicoemocional – e 30 a 40% dessas pessoas podem apresentar importantes graus de depressão e ansiedade.

Observa-se, por exemplo, que se houver excesso de controle e rigidez, a escolha e capacidade de prever o que ocorrerá nessa fase que está por vir é influenciada por um elevado nível de estresse. Em outras palavras, há uma considerável pluralidade de mulheres em tratamento de infertilidade que ficará estressada visto que engravidar não está mais sob seu controle, suas possibilidades de decisões são subitamente limitadas e os resultados futuros podem se tornar desconhecidos. Ademais, se a paciente, em adição ao estresse consequente dos desafios de fertilidade, também crê que a sua condição diária (de fadiga, frustração, ansiedade, irritação, ou seja, de estresse) é o agente causador dos problemas de infertilidade, poderão advir sentimentos de culpa e vergonha, além do aumento do próprio estresse.

A boa notícia é que o aconselhamento centrado no cliente e/ou o tratamento psicoterápico na área de infertilidade vem sendo considerado cada vez mais conveniente e proficiente na preparação de pacientes para o tratamento, resolvendo os efeitos psicológicas negativos e dando suporte ao planejamento de suas vidas após o tratamento, independentemente do resultado.

De fato, em situações como transferência de embriões, a recuperação de óvulos, a espera pelos resultados de teste de gravidez, a decisão sobre esperma ou óvulo doado, adoção ou útero de substituição ou simplesmente lidando com resultados não esperados mostram a necessidade de suporte psicoemocional para a melhor condição de saúde mental.

A experiência tem mostrado que, ao iniciar o processo de fertilização assistida, as informações prestadas pelos médicos como esclarecimentos de procedimentos, o entendimento dos termos médicos bem como o conhecimento das possibilidades de resultados são suficientes para diminuir a ansiedade. Por exemplo, assimilar que as alterações hormonais provocadas pelo estresse geralmente são autocorretivas e limitadas no tempo, ou são apenas gatilhos para condições médicas preexistentes, ajuda, na maioria dos casos, a minimizar ou eliminar culpas ou vergonhas, e estimula o paciente a se sentir mais confortável para compartilhar suas preocupações com outras pessoas. Entretanto, no seguimento do tratamento, pode haver a necessidade do apoio de um psicólogo quando tiver que tomar decisões, ou para aderir às prescrições de medicamentos feitas pelo médico. bem como para aprender a lidar com perguntas intrusivas de familiares ou gestações de amigos e como equilibrar-se entre as exigências profissionais e o autocuidado durante a delicada fase do processo de fertilização assistida - ou mesmo como suporte psicoemocional em situações de crise.

A maioria dos psicólogos atuante em psicoterapia de mulheres inférteis afirmam que de três a seis meses de terapia podem fazer uma grande diferença nos níveis de estresse durante o tratamento. Ainda que muitos pacientes com ansiedade ou estresse leves contem com a família e amigos com redes de apoio, é muito importante receber ajuda de um profissional da área de saúde mental pelo tempo que for necessário.

Os psicólogos utilizam técnicas psicoterapêuticas variadas, inclusive técnicas de relaxamento e de meditação, todas apropriadas à situação que a paciente vive. Vale dizer que esses profissionais são flexíveis e usam mais de uma abordagem para ajudar as pacientes em suas jornadas psicológicas.

Deve-se salientar, aliás, que mais importante do que as técnicas são os objetivos da psicoterapia ou apoio psicoemocional no decorrer do tratamento de infertilidade, como, por exemplo, ajudar o paciente a seguir sempre em frente sem que haja perda desnecessária de tempo. Com certeza, contar com esse apoio psicológico especializado vai ajudar a paciente a manter-se resoluta em sua meta de construir a sua família. O psicólogo poderá assegurar a superação de estágios emocionais complicados – qualquer pessoa lida com decepções e alegrias e equilibra-se superando-as, cada qual em seu próprio ritmo, além de entender que podemos experimentar mais de uma emoção simultaneamente. A pessoa não precisa resolver todos os seus problemas para seguir em frente, afinal, nem a vida nem o tratamento da infertilidade funcionam assim. Enfim, a abordagem psicoterápica durante esse processo auxilia as pessoas a assimilarem que devem ser atentas com suas vidas e a buscarem melhorias e mudanças, e não apena, ajudar a diminuir a ansiedade, o estresse e a depressão, os quais podem interferir na capacidade de engravidar.

Você pode acessar os conteúdos divulgados nesses locais:

Um abraço,

Psicólogo Paulo Cesar

    • Psicoterapeuta de adolescentes, adultos e casais.
    • Psicólogo de linha humanista existencial com acentuada orientação junguiana, budista e pós-graduações em Sexualidade Humana, Autismo e Psicologia Clínica.
    • Associado à ABRAP – Associação Brasileira de Psicoterapia
    • Associado à SBRA - Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida e à ABRA - Associação Brasileira de Reprodução Assistida
    • Colaborador do site HSPMAIS – Saúde Suplementar e de Apoio à Pesquisa Clínica (Serviço de Reprodução Humana da Escola Paulista de Medicina).
    • Palestrante sobre temas ligados ao comportamento humano no ambiente social e empresarial.

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    • Consultório próximo à estação de metrô Vila Mariana em São Paulo, SP.
    • Atendimentos (presenciais e por internet) de segunda-feira a sexta-feira.

 

ACORDO PSICOTERAPÊUTICO E NORMAS DE FUNCIONAMENTO ENTRE PACIENTE E PSICÓLOGO PAULO CESAR T. RIBEIRO


ACORDO TERAPÊUTICO E NORMAS DE FUNCIONAMENTO

Um Cuidado Compartilhado Sobre o Nosso Trabalho



Este texto foi escrito com a intenção de tornar mais claro, seguro e acolhedor o espaço da psicoterapia. Ele não substitui o diálogo - ao contrário, existe para sustentá-lo.

A psicoterapia é um encontro humano, atravessado por afetos, limites, responsabilidades e escolhas. Quando essas bases estão bem compreendidas, o trabalho se torna mais profundo, respeitoso e possível.

Ao iniciar ou manter um processo psicoterapêutico comigo, peço que você leia com atenção os pontos abaixo:

  • Sobre a Psicoterapia

A psicoterapia é um espaço de escuta, reflexão, elaboração emocional e tratamento das condições psicológicas do paciente. Não se trata de respostas prontas, conselhos rápidos ou soluções imediatas, mas de um processo construído ao longo do tempo, no ritmo possível para cada pessoa. Portanto, exige tempo, regularidade e envolvimento, não se configurando como aconselhamento pontual, orientação imediata ou solução rápida de problemas.

Reforçando, o compromisso com a regularidade e com o próprio processo é parte essencial do cuidado.

Os resultados dependem de múltiplos fatores, incluindo a disponibilidade emocional do paciente e a continuidade do trabalho com frequência regular.

  • Sigilo Profissional

Tudo o que é compartilhado em sessão é protegido por sigilo profissional, conforme o Código de Ética do Psicólogo.

O sigilo só poderá ser rompido em situações previstas em lei, como risco grave à vida do paciente ou de terceiros, ou mediante autorização expressa do próprio paciente.

O "set" psicoterapêutico é um espaço de segurança psíquica.

  • As Sessões

As sessões têm duração média de 50 minutos.

Estas informações tem como objetivo esclarecer as condições básicas do trabalho psicoterápico, garantindo transparência, respeito mútuo e um enquadre adequado para o cuidado psicológico.

O horário é reservado exclusivamente para o paciente.

Atrasos não implicam extensão do tempo da sessão.

A frequência (semanal ou outra) será definida em comum acordo, conforme a necessidade clínica.

  • Faltas e Cancelamentos

Cancelamentos devem ser comunicados com antecedência mínima de 24 horas.

Sessões não canceladas dentro desse prazo, assim como faltas sem aviso, serão cobradas, pois o horário foi reservado exclusivamente para você.

Em casos excepcionais, o psicólogo avaliará a situação de forma ética e sensível.

  • Honorários

O valor da sessão é previamente acordado.

O pagamento deve ser realizado conforme combinado (normalmente mensal).

Reajustes poderão ocorrer periodicamente, sempre com aviso prévio.

A psicoterapia é um serviço profissional, e a regularidade e a clareza financeira fazem parte do enquadre que sustenta o cuidado psicoterápico.

  • Modalidade Online

Nas sessões online, é importante que o paciente esteja num local reservado, silencioso e  com conexão adequada.

Problemas técnicos que inviabilizem a sessão serão avaliados caso a caso.

A confidencialidade depende também do cuidado do paciente com o ambiente em que se encontra.

  • Contato Fora das Sessões

O contato fora do horário terapêutico deve ser restrito a questões administrativas (horários, pagamentos, agendamentos, remarcações) e urgências.

A psicoterapia acontece prioritariamente no espaço da sessão, onde devem ser tratadas as demandas emocionais mais extensas. Entretanto, em situações de urgência e havendo disponibilidade do psicólogo, será possível a realização de uma sessão antes do horário regularmente revervado para o paciente.

  • Interrupção do Processo

A psicoterapia pode ser interrompida:

O processo psicoterápico pode ser interrompido pelo paciente, a qualquer momento., e pelo psicólogo, quando avaliar que o processo não há condições éticas ou clínicas para continuidade.

Sempre que possível, recomenda-se que essa decisão seja conversada em sessão, como forma de fechamento e elaboração.

  • Sobre Este Texto e a Confirmação de Leitura

Este acordo existe para cuidar do espaço terapêutico, do vínculo e da qualidade do trabalho que construímos juntos. Ele não é, de modo algum, um instrumento punitivo, mas um suporte para que a psicoterapia aconteça com clareza, respeito e segurança.

Caso você tenha recebido o link deste texto por mensagem, peço, por gentileza, que responda confirmando que recebeu e realizou a leitura. Essa confirmação não é burocrática - ela é apenas um gesto simples de cuidado compartilhado e clareza mútua.

A confirmação pode ser feita por mensagem de whatsapp, email ou no espaço para comentários (após o texto), no Blog do Paicólogo.

Obrigado,

Psicólogo Paulo Cesar T. Ribeiro