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Daqui em diante, você encontrará muitos outros artigos sobre psicologia. A finalidade da Psicoterapia é entender o que está ocorrendo com o cliente, para ajudá-lo a viver melhor, sem sofrimentos emocionais, afetivos ou mentais. Aqui você encontrará respostas sobre a PSICOTERAPIA - para que serve e por que todos deveriam fazê-la. Enfim, você encontrará nesses artigos,informações sobre A PSICOLOGIA DO COTIDIANO DE NOSSAS VIDAS.

O FILHO ADOLESCENTE PEDE ATENÇÃO

Introdução do livro "POR FAVOR, OUÇAM! - Como Recuperar a Confiança e o Diálogo com seus Filhos Adolescentes", de minha autoria.


A adolescência é um território em que as certezas se dissolvem, o corpo se transforma com pressa, e as emoções ganham uma intensidade quase inédita. É nesse tempo que o olhar sobre o mundo muda - e o olhar sobre si mesmo também. O que antes parecia simples se torna complexo. O que antes era dito com clareza agora vacila na garganta. Surge uma urgência de ser diferente, de ser único, de ser livre - mas também um medo surdo de não ser suficiente, de não pertencer, de não ser compreendido.

Esse processo, tão natural quanto desafiador, pode provocar abalos na relação entre quem cuida e quem cresce. Há uma mudança de linguagem, de tom, de ritmo. Os pais que antes se comunicavam com facilidade passam a enfrentar silêncios desconcertantes, respostas secas, distanciamentos inesperados. Não raro, sentem que perderam o acesso ao jovem, como se ele tivesse se tornado alguém estranho dentro da própria casa.

Mas o que muda não é o vínculo - é a forma como ele se revela. O que muda não é o vínculo - é a maneira como ele se revela. É preciso sensibilidade para perceber que esse afastamento aparente pode ser apenas uma tentativa de reorganização interna. E é justamente aí que este livro deseja atuar: como ponte, como tradução, como oportunidade de reconexão.

Cada capítulo aqui é um gesto de aproximação. Um esforço para que quem cuida possa não apenas entender melhor a adolescência, mas principalmente se colocar ao lado do adolescente durante essas transições profundas. Em muitos momentos, a fala será direta, como se o próprio jovem estivesse se dirigindo aos seus pais e responsáveis, dizendo: “olhe para mim com menos pressa, escute o que eu não sei explicar.” Em outros, trago a escuta clínica e afetiva construída ao longo de minha jornada com famílias e jovens, oferecendo novas chaves de compreensão, acolhimento e sustentação da relação.

Um dos principais objetivos desta obra é ampliar o olhar dos adultos sobre o que está por trás de certas reações adolescentes. Por trás da impaciência, pode haver insegurança. Por trás do silêncio, um pedido de reconhecimento. Por trás da irritação, a tentativa desajeitada de se proteger. Nem tudo o que machuca é dito. E muitas vezes, aquilo que mais fere se oculta sob uma aparente indiferença.

Ao escrever, mantive uma linguagem acessível, fluida, afetiva - para que a leitura não se transforme em mais uma cobrança, mas sim em um convite: um convite ao diálogo possível, ao olhar sem julgamento, à presença que acolhe. Pais e mães não precisam ser perfeitos. Precisam apenas estar dispostos a aprender - e reaprender - a amar de um modo que seus filhos consigam sentir.

Porque a adolescência, embora envolta em contradições, é um momento precioso. É nela que brotam os primeiros contornos da identidade, as primeiras escolhas de autonomia, as primeiras experiências de confronto com o mundo e com a própria vulnerabilidade. É um tempo em que a escuta - principalmente a emocional - pode fazer toda a diferença. E é também um tempo em que cada gesto de cuidado, mesmo os mais discretos, é absorvido com uma intensidade silenciosa e inesquecível.

Este livro não pretende substituir o encontro direto entre pais e filhos. Mas pode, talvez, facilitar esse reencontro. Pode ajudar a criar condições para conversas mais verdadeiras, mais respeitosas, mais tocadas de humanidade. E pode, quem sabe, restaurar pontes que pareciam frágeis demais para sustentar o afeto.

Se você está aqui, lendo estas linhas iniciais, é sinal de que deseja se aproximar mais do universo emocional do seu filho ou filha adolescente. Esse gesto já revela um enorme passo em direção ao outro. Que esta leitura seja companhia. Que ela traga consolo, lucidez e, sobretudo, esperança. Porque quando um adulto se dispõe a ouvir de verdade, o adolescente encontra, enfim, um espaço seguro para ser - e crescer.

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O livro digital (e-book) está disponível para venda (R$ 49,90). Clique em https://www.amazon.com.br/dp/B0FMFTGFY8 

Um abraço,

Paulo C. T. Ribeiro

  • Psicoterapeuta de adolescentes, adultos, casais e gestantes – Presencial e Online.
  • Psicólogo Orientador Parental
  • Psicólogo clínico de linha humanista existencial e de orientação das Psicologias Analítica (Carl Jung), Relacional e Budista.
  • Escritor.
  • Contatos: www.psipaulocesar.psc.br

NOVO LIVRO - FUGAS E ENCONTROS: A Psicoterapia em Terrenos Delicados


Fugas e Encontros: A Psicoterapia em Terrenos Delicados
Autor: Paulo C. T. Ribeiro, psicólogo clínico
Disponível no Kindle Amazon Brasil – R$ 74,99


“Toda fuga é também um pedido de reencontro.” — Paulo C. T. Ribeiro

Entre o silêncio e a palavra, entre o medo e o vínculo, a clínica revela seus terrenos mais delicados. Este livro é um convite a caminhar por eles com sensibilidade, rigor ético e coragem humana.

Em Fugas e Encontros, o psicólogo Paulo C. T. Ribeiro reúne reflexões profundas sobre os impasses da psicoterapia — pacientes resistentes, vínculos desafiadores, sentimentos do terapeuta e os paradoxos que habitam o encontro clínico.

Cada capítulo é construído com base em experiências reais de escuta e em sólida fundamentação teórica, integrando abordagens humanista-existencial, analítica, relacional e fenomenológica.

📘 Leitura indispensável para:

  • Psicólogos, psiquiatras e psicoterapeutas em formação;

  • Estudantes e profissionais de Saúde Mental;

  • Leitores leigos que desejam compreender a alma humana e os bastidores do cuidado psicológico.

✨ Por que ler:

  • Explora, com linguagem acessível e poética, os desafios emocionais da clínica;
  • Ilumina o papel do terapeuta como presença humana, não como técnico infalível;
  • Oferece percepções sobre resistência, transferência, vínculos, silêncios e cura;
  • Inspira quem busca aprofundar sua prática ou sua própria jornada interior.
📖 Prefácio de Dr. Alberto Starzewski Júnior, psiquiatra e psicoterapeuta, que descreve a obra como “um itinerário que conduz pelos caminhos sinuosos da mente, onde toda fuga contém em si o desejo de encontro.”

💡 Edição Kindle – leitura fluida, capítulos curtos e notas clínicas que unem técnica e humanidade.

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VOCÊ QUER MELHORAR A SUA CAPACIDADE DE SER EMPÁTICO?

Veja essas frases: “Você nunca tem paciência apenas para sentar e ouvir!. Tudo o que você quer fazer é tentar consertar as coisas!.
Você simplesmente não entende o quanto doeu quando você disse isso!.
Você simplesmente não entende!"...

Julgamentos como os citados acima e inúmeros outros, ​​no contexto das relações interpessoais, muitas vezes apontam para um problema popular: a falta de empatia pelo outro! E num mundo onde poucos estão conectados “de verdade” aos outros, dar e receber empatia é mais importante do que nunca, afinal, a maioria das pessoas normais e saudáveis anseiam por ser realmente ouvidas e compreendidas. Felizmente, demonstrar empatia é uma habilidade que pode ser aprendida e praticada, considerando principalmente que quando somos empáticos com alguém, a outra pessoa fica com a certeza de que seus sentimentos são importantes e que recebe preciosos “presentes”: a conexão e a validação.

Ser empático significa estar no mesmo nível das outras pessoas. Implica, também, em focar intensamente os sentimentos que o outro está expressando. Trata-se de colocar-se no lugar do outro, reagir às suas emoções com ternura e validar quem ele é e como se sente – você está, numa determinada situação, com essa pessoa tentando entender o que ela está lhe dizendo e como ela está se sentindo.

A empatia é uma condição das relações interpessoais funcionais. Em contextos pessoais, incluindo casamentos, parcerias, amizades e relacionamentos familiares (com filhos, netos, primos, tios, etc.) bem como em contextos profissionais (por exemplo: relacionamentos gerenciais, entre profissionais e clientes, entre médicos, psicólogos e outros profissionais da Saúde e seus pacientes, entre alunos e professores e colegas, e nos vários relacionamentos da vida), ser empático pode promover confiança mútua, levando a uma comunicação aberta e honesta com as pessoas, facilitando assim a resolução de conflitos interpessoais e mudanças construtivas. Podemos, inclusive, considerar que a Inteligência Emocional de uma pessoa (o quociente emocional tem a empatia como componente central) pode, com frequência, ser mais importante do que o quociente de inteligência (QI), mesmo sabendo que a empatia envolve componentes afetivos / emocionais e cognitivos / racionais!

Há uma diferença entre simpatia ou empatia. Receber simpatia pode parecer que alguém sente pena de você ou o coloca numa posição inferior, como se estivesse dizendo: “Coitado, sinto pena de você!”. Empatia, por sua vez, é ouvir e compreender autenticamente a outra pessoa - sem tentar resolver um problema, dizer a ela o que fazer ou contar uma história semelhante sobre você. Quando se está realmente sintonizado com o outro e ouvindo-o com empatia, o foco permanece nele, não em você, que também não precisa concordar com o que ele está dizendo - você está lá para ouvi-lo e se preocupar com o bem-estar dele.

Penso que ser empático é uma virtude, porém, antes de tudo, é importante distinguir entre empatia como um estado de espírito e empatia como um traço de caráter ou disposição. Veja que, nesse caso, o primeiro está relacionado ao segundo na medida em que aqueles que tem a empatia como um de seus traços de caráter tendem a experimentar estados de empatia ao se relacionarem com as dificuldades dos outros. Como um estado de espírito, a empatia envolve a ressonância com o que está acontecendo no mundo subjetivo do outro. Vamos chamar a pessoa com quem você simpatiza de “alvo de sua empatia”. Agora, quando você tem empatia por alguém, não só sabe o que o “alvo” está passando como também sente, embora, como diria o psicólogo Carl Rogers, sem perder a qualidade do “como se”, ou seja, sem perder a objetividade como um observador. 

O filósofo Aristóteles sustentava que a virtude é alcançada através da prática. Assim como as pessoas aprendem a ser verdadeiras, corajosas e justas dizendo a verdade, fazendo coisas corajosas e tratando os outros com justiça, da mesma forma, ser empático requer prática. Para se tornar empático (ou seja, cultivar a virtude da empatia), é preciso praticar. Logo, a questão é: como você pode alcançar a virtude da empatia? Menciono, a seguir, algumas sugestões extraídas da jornada de minha vida pessoal e profissional como psicólogo clínico.

A comunicação é importante para ser uma pessoa empática, então, ouça com atenção não apenas o que está sendo dito, mas principalmente os sentimentos que estão sendo expressos. Durante a conversa, repita para a pessoa o que você a ouviu dizer, para ter certeza de que a está entendendo. Você pode dizer algo como: “Ouvi dizer que você está se sentindo (triste, zangado ou confuso) sobre (seja qual for a situação)”. E é importante fazer isso porque muitas vezes fazemos suposições erradas sobre os demais com base em nossos próprios problemas ou experiências, em vez de ouvir profundamente o que a outra pessoa nos diz. Ainda sobre comunicação, a pessoa que está falando com você pode informar se você a ouviu corretamente. Se isso não ocorrer, peça-lhe gentilmente que repita o que ela quer que você saiba e mostre que deseja entendê-la. Quando você reprisar com precisão o que está ouvindo, reconheça os sentimentos da pessoa evidenciando que acolhe e compreende esses sentimentos. Você pode dizer algo como: “Vejo que você está sofrendo e se sentindo triste, e sei que isso não é bom”. Ou: “Entendo que esta situação o deixa com raiva e frustrado. Apenas saiba que estou aqui com você.”. Quando a pessoa se sentir ouvida, você pode pensar em soluções se ela pedir, mas, por experiência, digo que a maioria das pessoas não quer que você diga o que fazer. Elas só querem que você as ouça e entenda. É possível que você se surpreenda se eu lhe disser que, muitas vezes, a empatia pode ser expressa de maneira muito simples com apenas algumas palavras como: “Caramba, isso é terrível.” Ou, “Uau, isso deve doer.” Ou, “Você deve estar se sentindo realmente traído.”

Um outro macete é concentrar a sua atenção no bem-estar, interesses e necessidades dos outros, e introduzir os valores humanos compartilhados para isso, o que exige alguma capacidade de assumir a perspectiva de valor da outra pessoa. De igual valia é a sugestão de suspender, temporariamente, seus próprios julgamentos e críticas visto que pronunciamentos e clichês sobre superação e como seguir em frente não o aproximarão do mundo subjetivo da pessoa que quer ajudar, o seu “alvo”. Você não sentirá a dor ou angústia dele nem a tensão em seus próprios músculos. Em vista disso, é melhor dispensar suas próprias análises e críticas, evitando concentrar-se em como consertar as coisas. Nesse sentido, podemos dizer que a empatia é “antipragmática”. 

Há um outro dispositivo que pode promover com eficácia a compreensão empática: a reflexão. Sendo uma forma de expressar compreensão empática no contexto de um aconselhamento - exempli gratia -, a reflexão envolve a tentativa de esclarecer o que o outro está dizendo, reflexionando (e não repetindo) o que o “alvo” está pensando ou sentindo: “Parece que você está se sentindo muito desapontado por não ter recebido um aumento”, “Então, parece que você está pensando que os outros o estão julgando negativamente quando você comete um erro”. Isso não só facilita o desenvolvimento da narrativa do “alvo” como também demonstra que ele está sendo ouvido, além de promover maior clareza e compreensão da narrativa. Um costumeiro efeito é aumentar o potencial de “conectar” e “entrar” no mundo subjetivo do outro, em vez de vê-lo de um ponto de vista externo.

A reflexão visa melhorar a própria compreensão do “alvo” ao inserir significados e implicações mais profundas embutidas em sua narrativa. Mas isso tem que ser feito com cuidado para não alterar os significados propostos. Por exemplo, dizer “Parece que você não gosta do seu pai” para alguém que acabou de dizer “Eu odeio aquele filho da puta!” não traz nada para a mesa, seja cognitiva ou emocionalmente. Em contraste, a resposta “Parece que você sente que seu pai não estava ao seu lado quando você precisou dele” pode abrir novos caminhos para expandir a narrativa. De fato, mesmo que a reflexão seja errônea, ela ainda assim pode ajudar a esclarecer as coisas. Entretanto, muitas reflexões imprecisas podem, de outro modo, destruir as perspectivas de empatia com a “pessoa-alvo”. Considere igualmente que se você tem o hábito de falar ou dar sermões aos outros em vez de ouvi-los, provavelmente não será empático, a menos que faça um esforço concentrado para superar esse hábito.

Uma maneira de não ouvir com atenção (e perder algum “potencial de empatia”) é gastar seu tempo falando sobre si mesmo. Na verdade, os outros provavelmente não se abrirão nem compartilharão seus mundos subjetivos pessoais se forem poucas as oportunidades de discussão / debate e, ademais, se pensarem que você está mais interessado em si mesmo do que neles. No entanto, a autorrevelação (falar sobre si mesmo) pode ser uma forma útil e poderosa de se conectar com valores compartilhados quando é relevante e não excessiva. Com efeito, a autorrevelação que aproxima seu próprio mundo subjetivo do mundo do “alvo” pode, por certo, embelezar e aumentar a empatia: “Lembro-me de quando meu pai me disse que eu nunca chegaria a nada; eu sei o quanto isso me fez sentir mal!”. Aqui, a autorrevelação de suas próprias experiências pode ajudar a iluminar a angústia de um amigo ou um paciente por ter sido rejeitado pelo pai.

Digamos que você tenha passado por uma confusão e divórcio e agora está ouvindo um amigo que está vivendo algo semelhante. Se você começar a ver a narrativa de seu amigo como sendo sua e começar a projetar nela as suas próprias emoções e angústias, então o mundo subjetivo de seu amigo se tornará o seu! Perceba que em consequência você não terá mais condições de se relacionar construtivamente com a situação de seu amigo porque agora é sua também! Você, então, vai se perder naquele mundo, nele se afogando ineptamente junto com seu amigo. Por outro lado, se você chegar ao apuro de seu amigo com um frio "supere isso!" e, assim, não conseguir conectar-se com ele, você estará, destarte, muito longe do mundo subjetivo de seu amigo para lhe ser útil. E qual é a distância adequada e como chegar lá?

A recomendação é de não se envolver muito pessoalmente e tampouco se relacionar com isso de maneira muito impessoal. Há de se encontrar, para um bom equilíbrio, a “distância psicológica”, algo que leve à diminuição máxima da reserva sem que ela desapareça. Por exemplo, sua filha adulta conta como ela é infeliz no casamento e como seu marido é egocêntrico e insensível; e conforme ela desenvolve sua narrativa, você se vê ficando cada vez mais irado e prestes a dizer a ela para se divorciar do “idiota”. Mas, em vez disso, você muda sua perspectiva para ressoar com uma apreciação mais profunda dos sentimentos de sua filha - seu sentimento de desesperança, desamparo, negligência e desilusão. Dessa forma, você transforma sua indignação, afastando-a de sua preocupação prática para se concentrar e se conectar com os valores humanos compartilhados que estão em jogo. Como tal, a experiência permanece altamente carregada emocionalmente, mas as distrações práticas – a condenação e o julgamento sobre como resolver o problema são “filtradas”.

Você realmente quer melhorar a sua capacidade de ser empático? Então pratique! É claro que quando emoções fortes são acionadas, nem sempre é fácil praticar com esses filtros que citei, mas é exatamente por isso que a empatia requer prática e perseverança a fim de cultivar o hábito certo - É também por isso que a empatia é uma virtude ou uma excelência do ser humano.

Embora oferecer empatia possa parecer fácil e direto, há, como disse no início desse artigo, uma surpreendente falta dela na cultura atual. Aprender a se tornar mais empático ajudará a aprofundar suas conexões com seus filhos, parceiros, familiares, amigos, clientes e outros. É uma condição verdadeiramente inestimável. Então, eu recomendo que você pratique as sugestões acima quando um amigo, membro da família, colega, cliente ou outro relacionamento seu quiser – apenas - alguém com quem conversar. Uma vez que não é difícil encontrar tais contextos na corrente principal da vida, posso afirmar que é bastante fácil encontrar ocasiões para praticar a empatia. Isso não o tornará perfeito porque ninguém é perfeito, mas pode, de fato, ajudar a torná-lo mais empático, e isso pode, por sua vez, ser de valor inestimável para melhorar a qualidade de seus relacionamentos interpessoais bem como a vida de muitas pessoas de seu círculo de relacionamentos.

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Um abraço,

Psicólogo Paulo Cesar

  • Psicoterapeuta de adolescentes, adultos e casais. Psicólogo de linha humanista com acentuada orientação junguiana e budista. Palestrante sobre temas ligados ao comportamento humano no ambiente social e empresarial.
  • Consultório próximo à estação de metrô Vila Mariana. Atendimento de segunda-feira aos sábados.
  • Atendimentos presenciais e por internet.
  • Marcação de consultas pelo tel. e whatsapp 11.94111-3637.

DIZ O FILHO: “EU NÃO SOU MAIS UMA CRIANÇA” - REFLEXÕES: ADOLESCENTE NÃO É CRIANÇA

Capítulos 4.1. e 4.2. do livro "FILHOS PEDEM ATENÇÃO, PAIS BUSCAM RESPOSTAS - O QUE OS FILHOS SENTEM. O QUE OS PAIS PODEM OUVIR"


4.1 - Diz o Filho: “Eu não Sou Mais Uma Criança”

Pai, mãe, eu sei que pra vocês é difícil. Ainda lembram de mim correndo pela casa com brinquedos na mão, pedindo colo, falando com a voz fina e rindo de qualquer coisa. E eu entendo. De verdade. Mas o tempo passou. E eu mudei. Por dentro e por fora. Só que, às vezes, parece que vocês ainda enxergam aquele menino - ou aquela menina - que eu fui, e não quem estou me tornando.

É como se vocês ainda esperassem que eu obedecesse sem questionar. Que eu sorrisse pra tudo. Que eu fosse sempre doce, sempre previsível, sempre tranquilo. Mas agora eu tenho opiniões, vontades próprias, dias em que quero ficar no meu canto. Às vezes eu me irrito com pouco. Noutras, fico sensível sem saber por quê. Tem dias em que eu mesmo não me reconheço. E o mais difícil é quando vocês também não me reconhecem - e, em vez de tentar entender, só brigam.

Quando eu reclamo, vocês dizem que estou respondendo. Quando questiono, vocês dizem que estou desrespeitando. Quando me isolo, acham que estou de “manha”. Parece que tudo o que eu faço é errado, só porque não faço mais do jeito que fazia antes. Mas será que vocês não percebem que isso faz parte do meu crescimento?

Eu preciso ser visto como sou agora. Com as dúvidas, as confusões, os altos e baixos. Preciso de espaço pra errar, pra testar, pra pensar diferente de vocês. E, principalmente, preciso que parem de comparar com “quando eu era criança”. Eu não sou mais aquela criança. E, mesmo que às vezes sinta falta da segurança de antes, eu estou tentando me tornar quem eu sou.

É difícil crescer. Machuca. Dói quando a gente se sente estranho no próprio corpo. Quando parece que ninguém entende. Quando os amigos mudam, os sentimentos bagunçam, e tudo vira um caos por dentro. E aí, quando chego em casa esperando encontrar abrigo, o que recebo é bronca, julgamento ou aquele silêncio que grita: “Você decepcionou”.

Eu sei que mudei. Mas não virei inimigo. Não sou rebelde por prazer. Não quero confrontar vocês o tempo todo. Só estou tentando existir com um pouco mais de verdade, mesmo que isso doa. Às vezes, tudo o que eu preciso é que vocês respirem fundo, me olhem com olhos novos, e digam: “a gente está aprendendo a lidar com essa nova versão de você”.

E se eu errar, por favor, não me reduzam ao erro. Me ajudem a entender. Me ajudem a crescer. Não quero proteção sufocante, mas também não quero abandono emocional. Quero presença firme, não autoritarismo. Quero escuta, não sermão. Quero afeto, mesmo quando estiver difícil gostar de mim.

Eu ainda sou filho de vocês. Só que agora, mais do que nunca, preciso ser tratado como alguém que está em transição. Nem criança, nem adulto. Apenas alguém tentando se tornar inteiro. E, se vocês conseguirem atravessar essa fase comigo, eu juro: um dia a gente vai rir de tudo isso - juntos.

Com afeto (e vontade de ser compreendido),

seu filho adolescente.

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Pontos-chave

  • O adolescente busca reconhecimento de sua crescente autonomia.
  • Ser tratado como criança pode gerar frustração e resistência.
  • A independência precisa vir acompanhada de responsabilidade proporcional.
  • A confiança dos pais fortalece o senso de identidade do filho.

Convite à Reflexão

  • Tenho reconhecido as capacidades e limites que meu filho já conquistou?
  • Sei equilibrar proteção com liberdade crescente?
  • Será que, por medo, estou retardando a autonomia dele?

Sugestões de Ação

  • Ofereça responsabilidades compatíveis com a idade e maturidade.
  • Dialogue sobre limites de forma clara e negociada.
  • Evite infantilizar na fala ou no tratamento diário.
  • Reconheça publicamente as conquistas e avanços de autonomia.

Indicações

  • Boyhood: Da Infância à Juventude (Boyhood, 2014) – Crescimento e transição para a vida adulta. Disponível: Amazon Prime Video, Google Play, Apple TV.
  • Pequena Miss Sunshine (Little Miss Sunshine, 2006) – Individualidade e amadurecimento. Disponível: Amazon Prime Video, Google Play, Apple TV.
  • Livro: Adolescência: Do Adeus à Infância à Construção de Si (Ross Campbell, 2018) – Entender as transições da adolescência.

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4.2 - Reflexões: Adolescente não é criança

Há um momento, quase sempre silencioso e não anunciado, em que os filhos deixam de nos olhar com o encantamento próprio da infância - e começam a nos fitar com a exigência de quem deseja ser visto de forma diferente. O brilho nos olhos que antes refletia admiração começa a dar lugar a expressões de irritação, indiferença ou resistência. E os pais, muitas vezes, se perguntam: “o que aconteceu com aquele menino doce, com aquela filha tão afetuosa?”

É natural que essa transição doa. De um dia para o outro - ou assim parece -, aquele ser pequeno, dependente e afável se transforma em alguém que se fecha no quarto, responde atravessado, questiona ordens, evita demonstrações de afeto e passa a demandar liberdade com urgência. Muitos pais vivem esse momento como uma perda. E, de certo modo, é mesmo. É o fim de um tempo. Mas não é o fim do amor - é o começo de uma nova forma de amar.

A adolescência é uma travessia emocional e simbólica. E como toda travessia, envolve rupturas. Os filhos precisam se afastar para poder se diferenciar. Precisam deixar de ser definidos apenas pelos olhos dos pais para descobrir como querem ser reconhecidos no mundo. Esse processo pode gerar tensão, mas não deve ser interpretado como rejeição pessoal.

Infelizmente, muitos pais não estavam preparados para esse afastamento. Esperavam que o vínculo da infância fosse eterno, que os filhos continuassem obedientes, dóceis, acessíveis. Quando se deparam com a realidade da adolescência - com sua intensidade emocional, seus silêncios, suas explosões e sua busca por autonomia -, reagem com dor, rigidez ou mesmo com afastamento. Passam a ver o adolescente como “difícil”, “desafiador”, “insolente”. E a relação, antes pautada pelo afeto, passa a ser conduzida pelo controle e pelo conflito.

Mas é preciso compreender: um adolescente não é mais uma criança. E tratá-lo como tal é uma forma de negar o processo vital de crescimento que está em curso. Assim como o corpo se transforma, a mente e o coração também entram em ebulição. O adolescente pensa diferente, sente diferente, vive uma crise de identidade - e precisa ser acompanhado nesse processo, não impedido de vivê-lo.

É comum que, diante dessas mudanças, pais se perguntem: “onde foi que eu errei?”. Mas a pergunta mais útil seria: “como posso me adaptar a esse novo momento sem perder o vínculo?”

A adolescência não é uma ofensa. Não é desobediência por maldade. É uma exigência da natureza do desenvolvimento humano. O jovem está em construção - e construir-se implica, muitas vezes, destruir moldes antigos. Isso inclui a forma como se via, como era visto, como se relacionava. E o adulto que compreende isso com maturidade tende a se tornar uma referência mais sólida e confiável para o adolescente.

Isso não significa abdicar do papel orientador. Pelo contrário. Um adolescente precisa - e muito - de orientação, de limites consistentes, de supervisão afetiva. Mas ele precisa disso de uma forma nova. Não mais por imposição, mas por conexão. Não mais por medo da punição, mas por respeito ao vínculo.

Pais que conseguem manter o canal de escuta aberto mesmo nos momentos de confronto constroem uma ponte segura entre o passado infantil e o futuro adulto do filho. Essa ponte é feita de paciência, de silêncio respeitoso, de perguntas sem julgamento, de presença firme que não se assusta com o caos.

Quando o adolescente disser “vocês não me entendem”, evite reagir com raiva. Em vez disso, tente perguntar: “me ajuda a entender?”. Quando ele responder com irritação, lembre-se de que essa irritação muitas vezes é só a superfície de uma confusão interna muito maior. Quando ele se isolar, não o abandone. Continue batendo à porta, mesmo que com um simples “estou aqui se precisar”.

Outra armadilha comum é o uso da comparação com a infância: “quando você era pequeno, era tão carinhoso”, “antes você me escutava, agora só rebate”. Esses comentários, embora saudosos, são vividos pelo adolescente como invalidações. Ele sente que, para continuar sendo amado, precisaria regredir ao que já não é mais. E isso gera culpa, vergonha, ressentimento.

Ao invés de comparar, acolha. Diga: “sei que você está mudando, e que isso pode ser confuso até para você. Mas quero estar aqui, mesmo sem entender tudo”. Essa atitude, embora simples, é profundamente terapêutica. Ela legitima o movimento de crescimento e reafirma a continuidade do amor.

Outro ponto essencial é entender que adolescentes nem sempre verbalizam suas dores com clareza. Muitos preferem o silêncio, a ironia, a distância. Isso não significa que não desejam ser amados. Significa apenas que ainda não sabem como expressar suas vulnerabilidades. Se você estiver presente, sem invadir; disponível, sem sufocar; firme, sem agressividade - seu filho, em algum momento, vai procurar esse colo.

A adolescência, embora marcada por tensões, é também uma chance preciosa de reconstruir o vínculo sob bases mais maduras. Um amor que deixa de ser protetor para se tornar respeitoso. Uma convivência que troca a autoridade unilateral pelo diálogo honesto. Uma confiança que não se baseia mais no medo, mas na presença constante.

Sim, haverá momentos difíceis. Haverá gritos, portas batidas, lágrimas. Mas haverá também reconciliações, silêncios compartilhados, abraços inesperados. Se você conseguir atravessar esse tempo com o coração aberto, descobrirá que o amor pode se transformar - e, ao se transformar, pode se aprofundar.

Seu filho adolescente ainda é seu filho. Mas está aprendendo a ser ele mesmo. E você, como adulto, está sendo convidado a amadurecer também - não para controlar, mas para acompanhar. Não para impedir o voo, mas para garantir que, quando ele voar, saiba que sempre poderá voltar para um ninho onde foi respeitado em sua travessia.

Porque, no fundo, todo adolescente precisa disso: ser visto, mesmo quando muda; ser amado, mesmo quando erra; ser respeitado, mesmo quando ainda está em construção. E todo pai e toda mãe têm essa chance: a de continuar sendo casa - mesmo que a porta, às vezes, esteja entreaberta.

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Pontos-chave

  • A adolescência é uma fase de transição, não de ruptura total.
  • Respeitar o processo de amadurecimento evita conflitos desnecessários.
  • O diálogo ajuda a ajustar expectativas de ambos os lados.

Convite à Reflexão

  • Sei reconhecer quando meu filho está pronto para decidir por si mesmo?
  • Como lido com o medo de vê-lo errar?
  • Tenho clareza de que errar faz parte do crescimento?

Sugestões de Ação

  • Construa juntos um “mapa” de responsabilidades e liberdades.
  • Ajuste gradualmente o grau de supervisão conforme a maturidade demonstrada.
  • Mostre confiança, mas esteja disponível para aconselhar quando solicitado.
  • Celebre avanços, mesmo que pequenos, rumo à independência.

Indicações

  • Juno (2007) – Maturidade precoce e escolhas difíceis. Disponível: Amazon Prime Video, Google Play, Apple TV.
  • O Começo da Vida (2016) – Desenvolvimento humano e transição da infância. Disponível: Netflix, Amazon Prime Video.
  • Livro: A Adolescência e o Sentido da Vida (Viktor Frankl, 2019) – Enfrentando mudanças e encontrando propósito.

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Sobre o livro "FILHOS PEDEM ATENÇÃO, PAIS BUSCAM RESPOSTAS - O QUE OS FILHOS SENTEM. O QUE OS PAIS PODEM OUVIR"

Este livro nasceu da escuta atenta da vida dos adolescentes e das inquietações dos pais. A cada conjunto de capítulos, o leitor encontra duas vozes em diálogo:

  • 💌 A carta de um filho adolescente, revelando sentimentos, medos, desejos e conflitos.

  • 🗝️ A reflexão do psicólogo, que acolhe, interpreta e aponta caminhos possíveis para fortalecer vínculos familiares.

Não se trata de receitas prontas, mas de uma ponte de compreensão entre gerações. Pais e mães descobrirão como ouvir de verdade, com empatia e presença; filhos sentirão que suas vozes e dores podem ser traduzidas em palavras que tocam o coração adulto.

É uma leitura para famílias, educadores e todos que convivem com adolescentes, trazendo clareza sobre os desafios do crescimento e esperança sobre a possibilidade de diálogo amoroso.

O livro está disponível na Amazon Kindle: https://www.amazon.com.br/dp/B0FMFTGFY8 

E-Book Kindle: R$ 84,99 ou diretamente com o autor, via whatsapp 11 9 81995612

Em breve, lançamento do livro impresso.

Um abraço,

Paulo C. T. Ribeiro

• Psicoterapeuta de adolescentes, adultos, casais e gestantes – Presencial e Online.

• Psicólogo Orientador Parental

• Psicólogo clínico de linha humanista existencial e de orientação das Psicologias Analítica (Carl Jung), Relacional e Budista.

• Escritor.

• Contatos: www.psipaulocesar.psc.br


ANCESTRALIDADE E PSICOLOGIA: ENTRE RAÍZES, IDENTIDADE E EXPERIÊNCIA HUMANA

A palavra ancestralidade evoca a ligação invisível que une cada ser humano às gerações que o precederam. Mais do que herança genética, trata-se de uma dimensão simbólica, cultural e psicológica, onde memórias, valores e experiências se perpetuam. A Psicologia, em suas diferentes vertentes, tem se aproximado dessa noção para compreender como o passado coletivo influencia a subjetividade individual.

Tenho um apreço especial por esse tema e, em razão disso, decidi compartilhar essas reflexões com vocês.

Explorar a ancestralidade é, ao mesmo tempo, uma viagem para dentro e para fora de si: uma busca de autoconhecimento e pertencimento, mas também uma forma de dialogar com a história da humanidade e com as narrativas que nos antecederam.

A ancestralidade pode ser entendida como um fio invisível que conecta passado, presente e futuro. Ela se manifesta em traços físicos, mas também em modos de ser, hábitos, crenças e valores que atravessam gerações. Conhecer as histórias de avós, bisavós e antepassados distantes é uma experiência transformadora: ajuda a compreender comportamentos herdados, fortalece a identidade e devolve sentido a fragmentos de si mesmo.

Do ponto de vista psicológico, esse reconhecimento atua como recurso terapêutico. Ao perceber-se parte de uma linhagem, o indivíduo compreende que não é apenas fruto de escolhas pessoais, mas também de trajetórias coletivas. Essa consciência amplia o senso de pertencimento, reduz a solidão existencial e abre espaço para uma reconciliação com a própria história.

A motivação para essa busca é múltipla: pode nascer do desejo de conhecer raízes étnicas, do fascínio pelas semelhanças familiares, ou mesmo da tentativa de preencher lacunas deixadas por guerras, migrações ou perdas. Em qualquer caso, olhar para trás é também resgatar humanidade e reconstruir identidades que, em muitos contextos, foram fragmentadas por processos de colonização, racismo ou exclusão social.

O livro A História Secreta da Raça Humana nos mostra que a ancestralidade não se reduz à genealogia imediata. Ele desafia modelos tradicionais de evolução e sugere que os humanos podem ter habitado a Terra em épocas muito mais antigas do que se admite.

Mais do que uma polêmica científica, essa perspectiva nos convida a reconhecer que a narrativa da ancestralidade é também uma construção simbólica.

Arqueologia, mitos e relatos esquecidos revelam que nossa identidade é feita não apenas de genes, mas também de memórias culturais e espirituais. A ancestralidade, nesse sentido, abarca não apenas os avós conhecidos, mas uma herança humana mais vasta, que atravessa civilizações, continentes e eras.

Cada ser humano é herdeiro não apenas de uma família, mas de uma história cósmica e coletiva, que amplia a percepção de pertencimento e nos coloca em diálogo com a humanidade inteira.

A ancestralidade, muitas vezes entendida como herança coletiva, não se limita a tradições, valores e narrativas transmitidas ao longo de gerações. Ela também se entrelaça de maneira íntima com a experiência singular de cada sujeito. É nesse ponto que a Psicologia encontra um campo fértil de reflexão: como a história herdada dialoga com o modo particular de cada indivíduo existir no mundo?

A tese da mestra e doutora em Psicologia Gisella Mouta Fadda (O Enigma do Autismo), ao investigar adultos diagnosticados como autistas, trouxe contribuições preciosas para esse entendimento. Por meio de uma abordagem fenomenológica, a pesquisa revelou que a vivência da identidade em pessoas autistas se organiza em torno de alguns elementos estruturais:

• a abertura ao encontro com o outro, que permite confirmar a si mesmo;

• a intensidade do corpo vivido, muitas vezes extenuante, que imprime um modo peculiar de habitar o mundo;

• a percepção do passado como presença constante, onde as experiências anteriores não se tornam distantes, mas continuam a pulsar no presente como parte inseparável da existência.

Esses achados ampliam a compreensão de ancestralidade, pois mostram que não herdamos apenas genes e histórias familiares, mas também modos de ser que se atualizam no cotidiano. Cada indivíduo, ao receber esse legado coletivo, o ressignifica a partir de sua própria experiência subjetiva. Assim, a ancestralidade deixa de ser uma linha reta que vem do passado e passa a ser uma teia de camadas, entrelaçada entre memória coletiva e vivência pessoal.

No caso das pessoas autistas, essa integração se torna ainda mais visível: a herança transgeracional - feita de padrões, símbolos e histórias - encontra uma forma singular de expressão no modo como percebem e interpretam o mundo. Essa singularidade não rompe com a ancestralidade; ao contrário, ela a recria em novas linguagens, lembrando-nos de que cada sujeito é, ao mesmo tempo, continuidade e novidade.

Em última instância, isso vale para todos nós. A história pessoal, com suas marcas únicas, conecta-se ao fluxo maior da memória herdada, compondo uma rede complexa de significados que sustenta a existência humana. Reconhecer essa articulação é compreender que a ancestralidade não é apenas aquilo que recebemos, mas também aquilo que, a partir de nossa vivência, entregamos de volta ao mundo como contribuição às gerações futuras.

Olhar para a ancestralidade através da Psicologia é mais do que resgatar o passado: é criar pontes para o futuro. Ao registrar narrativas, valorizar tradições e compreender padrões herdados, deixamos às próximas gerações a possibilidade de uma conexão mais consciente com suas origens.

Em uma sociedade marcada pela globalização e pelo desenraizamento, a reconexão com raízes familiares e culturais pode atuar como um gesto de cura, resistência e autovalorização. A Psicologia Humanista, Existencial e Fenomenológica recorda que o desejo de pertencimento é constitutivo do ser humano. Reconhecer e celebrar a ancestralidade é afirmar que cada vida faz parte de uma história maior, que transcende o indivíduo, mas que nele encontra continuidade.

Por fim, a ancestralidade e a Psicologia se encontram no ponto em que identidade, história e experiência convergem. Enquanto a ancestralidade oferece raízes e pertencimento, a Psicologia fornece instrumentos para elaborar essas heranças no plano subjetivo.

Honrar as histórias que nos antecederam, questionar narrativas oficiais e acolher singularidades de cada existência são caminhos de autoconhecimento e libertação. Ao integrar passado, presente e futuro, reconhecemos que nossas vidas são fios de uma trama muito maior. E, ao honrar nossas raízes, não apenas preservamos a memória, mas semeamos futuros possíveis.

Um abraço,

Paulo C. T. Ribeiro

• Psicoterapeuta de adolescentes, adultos, casais e gestantes – Presencial e Online.

• Psicólogo Orientador Parental

• Psicólogo clínico de linha humanista existencial e de orientação das Psicologias Analítica (Carl Jung), Relacional e Budista.

• Escritor.

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PAIS DE CRIANÇAS ATÍPICAS

A dedicação dos pais é um fator importante para o desenvolvimento psicoemocional e desenvolvimento infantil. 


 

ADULTOS EM TERAPIA: REFLEXÕES SOBRE EXISTÊNCIA E PSICOTERAPIA


Um livro de cabeceira prá quem gosta de Psicologia: ADULTOS EM TERAPIA - Reflexões Sobre Existência e Psicoterapia. uma obra que une sensibilidade, reflexão e profundidade simbólica: 

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QUANDO AMAR JÁ NÃO BASTA, MAS O SOFRIMENTO TAMBÉM NÃO PODE CONTINUAR

Há relações que começam com promessas de eternidade, mas que se perdem no caminho —não por falta de amor, mas por excesso de dor. Relações onde os gestos de carinho foram substituídos por respostas ásperas, onde a cumplicidade cedeu lugar à disputa, onde a intimidade virou território hostil. E o mais doloroso: muitas dessas relações continuam. Continuam por medo por hábito ou por culpa. Continuam por apego à ideia do que um dia foi, ou à esperança de que um dia volte a ser. Mas há um momento em que é preciso olhar no espelho e fazer uma pergunta corajosa: estamos vivendo juntos ou sobrevivendo lado a lado?

O fim de um amor não começa com a ausência. Começa com o excesso de críticas, de gritos, de mágoas não ditas. Começa quando o tom da voz vira arma, quando o toque físico desaparece, quando o olhar foge. Começa no dia em que você sente que precisa se proteger da pessoa com quem deveria se sentir mais seguro.

Muitas vezes, o sofrimento conjugal não vem de grandes tragédias, mas de pequenas violências diárias: a agressividade verbal que se tornou normal, a forma grosseira de se expressar, como se falar com amor fosse fraqueza, a incapacidade de escutar sem interromper, desprezo silencioso que congela qualquer tentativa de aproximação ou a desvalorização da história familiar do outro, como se amar alguém fosse possível sem acolher minimamente de onde ele veio. É assim que o amor se desgasta: não por falta de sentimento, mas por falta de cuidado.

Quando o parceiro se torna o inimigo

Não há nada mais solitário do que dormir ao lado de alguém que virou fonte de sofrimento. Quando o lar se transforma em campo de batalha, o corpo se contrai, a alma se fecha, o afeto se esconde, e, o que era para ser amor vira um jogo de sobrevivência. Um controla, o outro resiste; um cobra, o outro se silencia; um grita, o outro se fecha. E assim, dia após dia, a relação vai morrendo em silêncio, mesmo que por fora pareça viva. Por trás desse ciclo, muitas vezes, existem feridas profundas que podem vir da infância, da relação com os pais, de traumas nunca tratados.

Alguns agem com explosividade porque aprenderam que força é sinônimo de poder. Outros se tornam frios e irônicos porque têm medo de sentir. E há ainda os que repetem padrões herdados: homens que tratam mulheres como extensão de seu ego ferido; mulheres que se anulam esperando que o amor mude quem se recusa a mudar.

Narcisismo, orgulho e ressentimento: o triângulo que destrói

Relações envenenadas pelo narcisismo são especialmente difíceis. Um dos parceiros sente necessidade constante de estar certo, de ser admirado, de controlar o outro. Não aceita crítica, interpreta desacordo como ataque, usa o amor como moeda de barganha.  Ou faz o outro se sentir culpado por existir com desejos próprios. Mas o outro lado da moeda também adoece: quem convive com esse perfil muitas vezes se torna amargo, impaciente, reativo, e ambos se tornam cúmplices de um pacto doentio - o de manter uma relação que fere, com medo de enfrentar o vazio que viria se ela acabasse. Se a isso somam-se as rejeições familiares, o desprezo pelos cunhados ou sogros, a competição velada entre sogras, a crise se agrava. A família, que deveria ser pano de fundo, vira palco de conflitos secundários que alimentam as mágoas principais.

O que sustenta uma relação viva? Penso que o respeito mútuo, a escuta sincera, a disposição para mudar e a coragem para amar com maturidade. Viver a dois é mais do que amar: é escolher cuidar. Cuidar da forma como se fala, de como se olha, de como se reage. É desistir de ter sempre razão para construir uma razão comum. É aprender a pedir desculpas mesmo sem ter certeza se está errado. É parar de apontar o dedo e começar a abrir o coração.

Relacionamentos saudáveis não são aqueles sem conflitos — são os que enfrentam os conflitos com diálogo e não com guerra. Com paciência e não com castigo. Com presença e não com chantagem.

Viver bem é uma escolha que começa no espelho

Escolher viver bem é, antes de tudo, um ato de coragem individual. É olhar para dentro e admitir: “Eu também tenho responsabilidade sobre o que está acontecendo.” É entender que não há mudança real sem autoconhecimento. É reconhecer que continuar num casamento onde há humilhação, agressão verbal ou desprezo não é prova de amor — é negação de si. Viver bem exige rupturas, nem sempre com o outro, mas com velhos padrões:

  • O padrão de reagir sempre com raiva.
  • O padrão de não dizer o que sente.
  • O padrão de repetir as dores que herdamos.

Muitas vezes, a ajuda profissional é o único caminho possível: a psicoterapia individual, por exemplo, para curar traumas, reconhecer falhas, restaurar a autoestima.

Não há vergonha alguma em admitir que não está funcionando. Vergonha é seguir fingindo que está tudo bem enquanto tudo se desfaz por dentro.

E se o amor ainda existir? Se ainda há afeto, se ainda há admiração adormecida, se ainda existe o desejo sincero de reconstruir — então vale lutar. Mas não por um amor idealizado, e sim por um amor real, que se reinventa, que aprende a conversar, aprende a perdoar e a respeitar limites.

Mas se não houver mais amor, mais escuta, mais desejo de permanecer… então talvez seja hora de aceitar que o ciclo se fechou. Separar-se com respeito pode ser mais digno do que insistir numa relação que só sobrevive por medo.

A vida é curta demais para viver mal acompanhado, todos merecem viver uma vida em que sua voz é ouvida r em que seus gestos são valorizados e o amor não dói mais do que cura.

Ninguém nasceu para viver em guerra e ninguém floresce no desrespeito. Ninguém cresce num ambiente onde precisa se esconder para não ser ferido. Se for possível transformar, transforme! Se for necessário partir, parta! Mas não se traia ou aceite uma relação que apaga sua luz, silencia sua alma e adoece seus dias. Viver bem é um direito que só se torna realidade quando vira uma escolha. E nunca é tarde para escolher.

Um abraço,

Psicólogo Paulo Cesar T. Ribeiro

  • Psicoterapeuta de adolescentes, adultos, casais e gestantes – Presencial e Online.
  • Psicólogo Orientador Parental
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QUANDO A POLÍTICA INVADE O AMOR

RELAÇÕES, IDEOLOGIAS E O DESAFIO DA CONEXÃO 


Sabe quando uma conversa aparentemente inocente sobre política se transforma em um silêncio pesado? Quando um comentário atravessa o peito, não por falar de economia, direitos ou costumes, mas por tocar algo íntimo - quem somos, no que acreditamos, o que esperamos da vida e do outro?

A política, muitas vezes, é apenas a superfície. Por baixo dela estão valores, histórias de vida, feridas antigas e sonhos para o futuro. Cada escolha política carrega um pouco de nós: o que aprendemos na infância, os medos que carregamos, os traumas que moldaram nossa visão de mundo e as esperanças que nos movem.

Quando duas pessoas se encontram, esses mundos internos também se encontram. Às vezes, criam um terreno comum onde o diálogo flui leve, construindo pontes. Outras vezes, colidem - e é aí que percebemos que uma divergência de ideologias pode ser muito mais do que um desacordo racional: pode tocar camadas profundas da identidade.

Imagine um casal em que uma pessoa valoriza intensamente a liberdade individual, enquanto a outra luta com igual paixão pela igualdade social. Na superfície, parece apenas um embate sobre modelos políticos. Mas, em profundidade, fala sobre pertencimento, segurança e significado. Para um, sentir-se livre é prioridade; para o outro, garantir que ninguém seja deixado para trás é essencial. Não há “certo” ou “errado” nesse cenário - são formas diferentes de buscar paz. Porém, quando defendemos algo vital para nossa identidade, qualquer discordância pode soar como rejeição. Não rejeição da ideia, mas de quem somos. E, quando isso acontece, o que parecia uma discussão sobre política se transforma numa defesa da própria essência.

As redes sociais trouxeram novas camadas de complexidade. Um simples “curtir” pode ser interpretado como uma declaração pública de valores. Uma postagem vira gatilho. Amigos, família ou grupos próximos reforçam crenças diferentes e, de repente, sentimos a pressão de escolher lados. O ambiente digital nos expõe constantemente, criando uma vitrine onde cada gesto pode ser interpretado como posicionamento político - e essa exposição pode desgastar os vínculos. Não se trata apenas de opiniões: o que está em jogo, muitas vezes, é o pertencimento, a necessidade de se sentir visto, aceito e respeitado por quem amamos.

Há uma camada ainda mais sutil: a escolha do parceiro também pode refletir partes inconscientes de nós mesmos. Um parceiro mais progressista pode simbolizar a liberdade que alguém aprendeu a reprimir. Já um parceiro mais conservador pode representar a estabilidade que falta na própria história.

Quando  brigamos  sobre política,  talvez  estejamos  brigando  com partes nossas que

projetamos no outro. Ele se torna um espelho dos nossos próprios conflitos internos. Na terapia, essa percepção pode ser transformadora: entender o que aquela diferença desperta dentro de nós pode abrir espaço para diálogos mais honestos e menos defensivos.

Muitos casais aprendem a “dançar” com as diferenças. Criam pontes, estabelecem diálogos respeitosos, reconhecem que pensar diferente não significa amar menos. Descobrem que o segredo não está em convencer o outro, mas em ouvir, compreender e sustentar o vínculo apesar dos contrastes. Por outro lado, há quem perceba que o abismo é grande demais. Quando valores fundamentais - como ética, liberdade, crenças religiosas ou educação dos filhos - se chocam de forma irreconciliável, pode ser necessário admitir limites. Não significa fracasso; significa maturidade para reconhecer quando projetos de vida seguem caminhos distintos. Nesses casos, a terapia de casal pode ser um espaço valioso, ajudando não apenas a decidir juntos o que fazer, mas a atravessar o processo com menos dor, mais clareza e respeito.

Perguntas que Valem a Reflexão:

  • O que, para mim, é realmente inegociável?
  • O que me incomoda na visão do outro: a ideia em si ou o que ela desperta dentro de mim?
  • Como posso ouvir sem precisar convencer?
  • Quais sonhos compartilhamos que podem ser maiores do que nossas diferenças?

Essas perguntas não trazem respostas prontas, mas criam um espaço de diálogo mais profundo - primeiro conosco mesmos e, depois, com o outro.

No fim, o amor não pede uniformidade de pensamento. Ele pede respeito, escuta e empatia. Pede que possamos enxergar no outro alguém inteiro, com razões, dores e esperanças próprias.

Ideologias mudam. Contextos históricos se transformam. Mas a qualidade do vínculo que construímos - se baseada em presença, cuidado e acolhimento - pode permanecer.

Talvez a pergunta mais importante não seja “De que lado você está?”, mas “Que vida queremos construir juntos, apesar das diferenças?”. Se conseguirmos responder a essa pergunta com sinceridade, descobriremos que, antes de sermos de direita ou de esquerda, somos, acima de tudo, seres humanos em busca de conexão, pertencimento e amor.

Um abraço,

Psicólogo Paulo Cesar T. Ribeiro

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