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Daqui em diante, você encontrará muitos outros artigos sobre psicologia. A finalidade da Psicoterapia é entender o que está ocorrendo com o cliente, para ajudá-lo a viver melhor, sem sofrimentos emocionais, afetivos ou mentais. Aqui você encontrará respostas sobre a PSICOTERAPIA - para que serve e por que todos deveriam fazê-la. Enfim, você encontrará nesses artigos,informações sobre A PSICOLOGIA DO COTIDIANO DE NOSSAS VIDAS.

O QUE É PSICOTERAPIA E COMO ELA FUNCIONA



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"O QUE É PSICOTERAPIA E COMO ELA FUNCIONA"

Você já se sentiu sobrecarregado ou estressado, a ponto de ter dificuldades para resolver os 
seus problemas? Se sua resposta é “sim”, saiba que você não está sozinho. Estima-se que mais de 25% da população adulta mundial já passou ou está passando por períodos de depressão, ansiedade ou algum outra dificuldade psicológica. Algumas pessoas precisam de ajuda para lidar com uma doença grave, perder peso ou parar de fumar. Outras lutam para conseguirem superar separações, problemas de relacionamento, abuso sexual ou doméstico, perda de emprego, a morte de alguém muito amado, estresse, abuso de substâncias psicoativas ou outros problemas igualmente importantes e que podem se tornar debilitantes.

A psicoterapia é um eficaz recurso para todas essas questões porém, ainda há muito desconhecimento, desconforto e preconceito a respeito dela. Esse é o motivo que me fez apresentar num único artigo, o máximo de informações que possam modificar essa situação e facilitar a ida das pessoas ao psicólogo. O artigo é longo, porém, servirá para eliminar suas dúvidas quanto a essa maravilhosa experiência que é fazer psicoterapia.

O que é a psicoterapia?

Um psicólogo pode ajudá-lo a lidar e resolver os problemas que citei no início desse artigo. Através da psicoterapia, nós ajudamos pessoas de todas as idades a conquistarem vidas mais felizes, saudáveis ​​e produtivas. Durante a psicoterapia, podem ser usados vários procedimentos cientificamente validados que auxiliam as pessoas a desenvolver hábitos mais saudáveis ​​e mais eficazes. Esses procedimentos seguem vários tipos de abordagens tais como terapia cognitivo-comportamental, interpessoal, existencial, humanista, fenomenológica, Junguiana e outras, todas com o mesmo fim, que é ajudar as pessoas a cuidar de seus problemas.

A psicoterapia é um tratamento colaborativo baseado na relação entre o paciente e o psicólogo. Fundamentada no diálogo, ela cria um ambiente de apoio que favorece a conversa aberta com alguém que é objetivo, neutro e imparcial. Você e seu psicólogo trabalharão juntos para identificar e mudar os padrões de pensamento e os comportamentos que impedem que você se sinta bem.

Ao final da terapia, você não apenas terá resolvido o problema que o fez procurar um psicólogo, como também terá aprendido novas habilidades que lhe ajudarão a enfrentar melhor quaisquer desafios que surjam no futuro.

Quando você deve pensar em fazer psicoterapia?

Por causa dos muitos equívocos sobre a psicoterapia (como mencionado acima), eu entendo que você possa ficar um pouco relutante. E ainda que você conheça a realidade em vez de mitos sobre isso, ainda assim poderá se sentir nervoso em tentar quando pensar em fazer psicoterapia. Mas posso lhe garantir que superar esse nervosismo e a desconfiança vale a pena. Digo com muita segurança que sempre que sua qualidade de vida não estiver como você quer, a psicoterapia pode lhe ajudar.

Algumas pessoas procuram psicoterapia porque se sentem deprimidas, ansiosas ou com raiva há muito tempo; outras podem querer ajuda porque alguma doença crônica está interferindo em seu bem-estar emocional ou físico; outros, além do citado, podem estar passando por um divórcio, enfrentando um distanciamento dos filhos, sentindo-se pressionado num novo emprego ou lamentando a morte de um membro da família, por exemplo.

Veja alguns momentos em que você poderia se beneficiar da psicoterapia:
  • Quando você está sentindo uma sensação intensa e prolongada de desamparo e tristeza.
  • Quando você está percebe que o desamparo e a tristeza estão lhe levando a uma depressão
  • Quando você está convivendo com muitos medos e não sabe bem como lidar com situações do passados.
  • Quando seus problemas parecem não melhorar apesar de seus esforços e ajuda de familiares e amigos.
  • Quando você acha difícil superar um luto ou uma separação. 
  • Quando você acha difícil se concentrar em tarefas de trabalho ou realizar outras atividades cotidianas.
  • Quando você fica excessivamente preocupado, fica esperando o pior ou está constantemente “no limite”.
  • Quando a vida acelerada ou excessos de preocupações lhe tornam ansioso(a) e/ou numa situação de pânico.
  • Quando suas condutas (como beber muito álcool, usar drogas ou ser agressivo), estão prejudicando você ou outras pessoas.
Quais são os diferentes tipos de psicoterapia?

Existem muitas abordagens diferentes de psicoterapia e nós podemos usar uma ou mais abordagens conforme o caso. Cada perspectiva teórica atua como um roteiro para ajudar o psicólogo a entender os seus clientes, seus problemas e o desenvolvimento de soluções. Significa dizer que o tipo de abordagem a ser usado com você dependerá de uma variedade de fatores: atualização sobre pesquisas psicológicas, orientação teórica do psicólogo e o que funciona melhor para sua situação.

A perspectiva teórica do seu psicólogo afetará o que acontece no consultório. Psicólogos que usam terapia cognitivo-comportamental, por exemplo, podem pedir para que seus pacientes façam determinadas tarefas de casa, ou solicitar que se colete mais informações (por exemplo, registrar reações em situação específica), ou mesmo que o paciente pratique novas habilidades entre as sessões. Em contraste, as abordagens psicanalítica e humanista geralmente se concentram mais em falar do que em fazer. Por exemplo, o paciente pode passar algumas sessões discutindo suas primeiras experiências para ajudar a si mesmo e ao psicólogo a entender melhor as causas dos problemas atuais. O psicólogo pode, também, combinar elementos de vários estilos de psicoterapia. De fato, a maioria dos terapeutas não se liga a nenhuma abordagem e, em vez disso, mesclam elementos de diferentes abordagens e ajustam o tratamento de acordo com as necessidades de cada cliente. A principal coisa a saber é se o psicoterapeuta tem experiência na área em que você precisa de ajuda e se ele (o psicólogo) acha que pode ajudá-lo.

Tendo decidido fazer psicoterapia, você precisa encontrar um psicólogo.

Por que escolher um psicólogo para psicoterapia? Além do fato do psicólogo ter um profundo respeito pelo ser humano e ser capaz de ver cada indivíduo em sua particularidade, somos especializados em psicoterapia e em outras formas de tratamento psicológico. Temos treinamento, formação acadêmica, experiência em avaliação, diagnóstico e tratamento de saúde mental e mudança de comportamento. A graduação de um psicólogo leva, pelo menos cinco anos, sem contar aqueles que decidem fazer pós-graduação, mestrado ou doutorado. Normalmente, antes de iniciarmos no atendimento de pessoas, realizamos estágio clínico supervisionado em algum ambiente de saúde organizado. Além disso, somos registrados no Conselho de Psicologia, o qual normatiza e regulamente a nossa profissão. Evite, portanto, profissionais não-psicólogos, sem formação reconhecida pelo MEC e que não pertencem ao Conselho de Psicologia. Há pessoas que se dizem psicoterapeutas mas que não tem a formação adequada. Coach, Facilitador de Barra de Access, Hipnólogos, Terapeutas de Theta Healing, Terapeutas Holísticos, Constelador Familiar e vários outros fazem parte desse grupo.

É importante dizer que psicólogos e pacientes trabalham juntos, então tem que haver uma boa "química", por isso não tenha medo de perguntar o que quiser ao psicólogo ao iniciar a terapia, coisas como experiência clínica e experiência no tratamento de problemas como o seu. Só faça a terapia se, na primeira sessão, você se sentir confortável e o profissional lhe inspirar confiança.

A melhor maneira de fazer contato inicial com um psicólogo é por telefone, mas você pode usar whatsapp ou e-mail como alternativa – esses são menos seguros do que o telefone quando se trata de confidencialidade. Os psicólogos geralmente estão com clientes e nem sempre atendem as ligações imediatamente. Basta deixar uma mensagem com o seu nome, número de telefone e breve descrição da sua situação.

No inicio do artigo eu disse que você pode se sentir nervoso ao fazer contato com um psicólogo. Essa ansiedade é perfeitamente normal, mas ter a coragem de superar essa ansiedade e fazer a ligação é o primeiro passo no processo de se buscar ajuda para se sentir melhor. Nós, psicólogos, entendemos como é difícil fazer contato inicial, isso é novo para você, mas é algo que lidamos regularmente.

Você deve se preparar para a consulta psicológica?

Não necessariamente, mas sugiro que você faça algumas poucas coisas básicas, que são:
  • Aprenda sobre psicoterapia: Se algum de seus amigos tiver feito psicoterapia, pergunte a eles como foi. Leia sobre isso na internet e, se você já fez psicoterapia, pense no que gostou e no que não gostou durante essa experiência com o psicólogo. 
  • Mantenha a mente aberta: Mesmo que você seja cético quanto aos resultados produzidos pela psicoterapia, ou mesmo que esteja indo só porque alguém lhe disse, esteja disposto a tentar. Seja o mais honeste e mente aberta possível, para que você possa aproveitar essa oportunidade para aprender mais sobre si mesmo.
  • Certifique-se de saber o local do consultório do psicoterapeuta: Verifique o endereço no site do psicólogo ou faça uma busca no mapa para não se atrasar e ter pouco tempo para conversar.
  • Uma sessão típica de psicoterapia dura cerca de 50 minutos. Para aproveitar ao máximo esse tempo, faça uma lista dos assuntos que você quer abordar em sua primeira sessão e o que você quer trabalhar na psicoterapia. Mesmo uma vaga idéia do que você quer realizar pode ajudar você e ao seu psicólogo a prosseguir de forma eficiente e eficaz.
  • Se você foi encaminhado por outro profissional, como um médico, mantenha consciência sobre o motivo pelo qual foi recomendado fazer psicoterapia. Se um professor sugeriu que seu filho fosse submetido a psicoterapia, você pode trazer boletins ou anotações do professor dele ou dela. Seu psicólogo poderá ligar para esses profissionais para obter informações adicionais, se você der permissão por escrito. Registros de psicoterapia anterior ou testes psicológicos também podem ajudar seu novo psicólogo a ter uma noção melhor de você. Se você estiver tomando algum medicamento, anote quais são, principalmente se forem medicamentos psiquiátricos ou neurológicos.
Pode ser difícil lembrar de tudo o que acontece durante uma sessão de psicoterapia. Um caderno pode ajudá-lo a guardar as perguntas ou sugestões do seu psicólogo e suas próprias perguntas e idéias. Anotar algumas coisas durante a sessão pode ajudá-lo a permanecer engajado no processo. A terapia requer tempo, logo, várias sessões. Leve a sua agenda para que você possa definir o dia e horário da sua terapia.

É normal sentir-se nervoso quando na primeira consulta de psicoterapia, mas preparar-se antecipadamente pode ajudar a acalmar seus nervos.

O que pode acontecer na primeira consulta da psicoterapia?

É claro que cada psicólogo tem o seu estilo e método de trabalho, mas uma coisa comum a todos é o levantamento de informações a respeito do paciente na primeira sessão. A anamnese serve para o profissional obter o máximo de informações suficientes para dar uma noção realista sobre o caso. Apresentarei aqui, como a consulta normalmente se desenrola quando é comigo, ressaltando que outros colegas podem conduzir a sessão de outra maneira.

Não se preocupe se você não souber o que fazer quando a sessão realmente começar. Vejo como normal o cliente sentir-se um pouco ansioso mas o psicoterapeuta tem experiência suficiente para dar o tom e fazer as coisas começarem e, eficazmente, alcanças os objetivos. Com alguns clientes, essa sessão parece um jogo de perguntas e respostas. Por exemplo, o psicólogo pode fazer perguntas como: "O que lhe trouxe aqui hoje?" ou "O que fez você decidir fazer terapia agora, em vez de um mês ou um ano atrás?" ou ainda, “O que você espera de um psicólogo?”. Isso ajuda a identificar seu problema, mesmo que você não esteja plenamente consciente dele. Você pode sentir raiva ou tristeza sem saber o que está causando esses sentimentos ou como parar de se sentir assim. Se o problema for muito doloroso para falar, costuma-se não forçar o paciente a dizer mais do que ele se sente confortável em compartilhar, até que ele conheça melhor o terapeuta. Então, não há problema se você disser que ainda não está pronto para falar sobre algo. Com certeza, será questionado sobre a sua própria história e de sua família, e dos problemas psicológicos antecedentes como depressão, ansiedade ou problemas semelhantes; isso normalmente antecede a investigação de como o seu problema está afetando a sua vida cotidiana. O psicólogo vai querer saber se você notou alguma mudança em seus hábitos de sono, apetite ou outros comportamentos e que tipo de apoio social você tem - família, amigos e colegas de trabalho. Não há pressa nesse processo, logo, essa etapa pode levar mais de uma sessão. Ao guiá-lo, o terapeuta vai deixá-lo definir o ritmo - se trata de contar sua história. À medida que você ganhar confiança no psicoterapeuta e na psicoterapia, ele vai perscrutar a sua disposição para compartilhar coisas que não se sentiu à vontade em responder no início. Uma vez que o terapeuta tenha uma história completa, de modo colaborativo buscará, com você, alcançar as respostas que melhorarão a qualidade de sua vida. Ao final da primeira sessão, amiúde, o psicólogo fará sugestões de ações imediatas. Se você estiver muito deprimido, por exemplo, poderá recomendar que procure um médico para descartar quaisquer condições médicas subjacentes, como um distúrbio da tireoide. Se você tiver uma dor crônica, poderá precisar de fisioterapia, medicação e ajuda para insônia e psicoterapia. Em poucas sessões, a expectativa é que o paciente tenha uma nova compreensão do seu problema, um plano de ação e um novo senso de esperança.

É nessa sessão que são apresentadas as questões logísticas, como honorários, como cancelar consultas, confidencialidade, quando fazer os pagamentos, etc.

A psicoterapia é muitas vezes referida como a terapia da fala, e é isso que você vai fazer enquanto o seu tratamento continuar. Você e o seu psicólogo, se engajarão num diálogo sobre seus problemas e como consertá-los.

O que você deve esperar ao decidir ir além da primeira sessão e continuar com a psicoterapia?

Conforme sua psicoterapia segue em frente, você continuará o processo de construção de um relacionamento terapêutico confiante com seu psicólogo. Como parte do processo contínuo de buscar conhecimentos sobre você, o psicólogo pode querer fazer alguma avaliação. Os psicólogos são profissionais treinados para administrar e interpretar testes psicológicos, os quais podem ajudar a determinar a profundidade de sua depressão, identificar características importantes de personalidade, descobrir estratégias de enfrentamento inadequadas das questões vividas (como dificuldades com a bebida), ou identificar dificuldades de aprendizagem. Os resultados dos testes podem ajudá-lo a diagnosticar uma condição ou fornecer mais informações sobre a maneira como você pensa, sente e se comporta. Como isso depende de cada profissional,  particularmente, no meu caso, o uso de testes é bem reduzido, dado as características de meu estilo e da população que atendo.

Você e o psicólogo continuarão explorando seus problemas por meio de conversas. Para algumas pessoas, apenas conseguir falar livremente sobre um problema traz um importante alívio. Nos estágios iniciais, o psicólogo lhe ajudará a esclarecer o que lhe incomoda. Você passará para uma fase de solução de problemas, trabalhando em conjunto para encontrar formas alternativas de pensar, se comportar e gerenciar seus sentimentos. Você poderá interpretar novos comportamentos durante as sessões e fazer os exercícios propostos para praticar novas habilidades. Conforme avança, vocês avaliarão seu progresso e determinarão se suas metas originais precisam ser reformuladas ou expandidas.

Em alguns casos, o psicólogo poderá sugerir o envolvimento de outras pessoas. Se você estiver tendo problemas de relacionamento, por exemplo, ter um cônjuge ou parceiro lhe acompanhando numa sessão pode ser útil. Da mesma forma, um indivíduo com problemas com o filho poderá querer trazê-lo à sessão. E alguém que tenha dificuldade em interagir com os outros pode se beneficiar da psicoterapia de grupo ou da presença de um amigo durante o processo.

É bom mencionar que ao começar a resolver o problema que o levou à psicoterapia, você também estará aprendendo novas habilidades que lhe ajudarão a ver a si mesmo e ao mundo de maneira diferente. Você aprenderá a distinguir entre as situações que pode mudar e aquelas que não pode, e se habituará a focar em melhorar as coisas sob seu controle.

Como você pode aproveitar ao máximo a psicoterapia?

A psicoterapia é diferente de tratamentos médicos ou odontológicos, em que os pacientes geralmente se sentam passivamente enquanto os profissionais trabalham neles e lhes informam seus planos de diagnóstico e tratamento. Na psicoterapia não há essa postura de um psicólogo lhe dizendo o que fazer pois se trata de uma colaboração ativa entre você e ele.

De fato, centenas de estudos comprovam que uma parte muito importante para o êxito da psicoterapia é a relação de colaboração entre psicólogo e paciente, também conhecida como “aliança terapêutica”. Então, seja um participante ativo e envolvido na psicoterapia: ajude a definir metas para o tratamento, faça perguntas sobre o andamento do processo, se você achar que uma sessão não foi boa, compartilhe esse feedback e tenha um diálogo para que o psicólogo possa avaliar os motivos, responder e adaptar seu tratamento de maneira mais eficaz, peça sugestões de livros com informações úteis sobre seus problemas, etc.

Há um ponto muito importante: como a mudança de comportamento é algo difícil, a prática também é fundamental. É fácil retroceder em velhos padrões de pensamento e comportamento, por isso fique atento às sessões. Observe como você está reagindo às coisas e aproveite o que aprende nas sessões psicoterapêuticas e aplique o que aprende nas situações da vida real. Quando você leva para a terapia aquilo que aprendeu entre as sessões, essas informações podem informar vários aspectos sobre o seu desenvolvimento. Com a prática regular, você consolidará os ganhos obtidos, agilizará a psicoterapia e manterá seu progresso depois que terminar.

Você deve se preocupar com a confidencialidade?

Os psicólogos consideram a manutenção de sua privacidade extremamente importante e isso faz parte do código de ética dos profissionais de psicologia, a ponto de ser uma condição da sua licença profissional. Psicólogos que violam a confidencialidade do paciente correm o risco de perder o direito ao exercício da profissão.

Não posso deixar sem esclarecimentos, entretanto, que a quebra do sigilo profissional está prevista no Código de Ética do Psicólogo para casos em que o paciente encontra-se em situação de risco ou oferece, no momento atual, risco a terceiros. Trata-se de uma decisão que cabe somente ao psicólogo, mesmo se demandada por instâncias superiores. O psicólogo tem autonomia técnica e ética para fazê-lo quando julgar necessário, conforme gravidade de cada caso e desde que não fira o Código de Ética ou as resoluções do Conselho Federal de Psicologia. Se, ao longo do processo de atendimento, o psicólogo detectar que o sujeito está sob uma situação de violência ou abuso, por exemplo, – e que há chance de esse ato repetir-se – ou ainda em situação de risco à sua integridade ou a de terceiros, então o profissional pode optar pela quebra de sigilo, apresentando uma denúncia (que pode ou não ser anônima) junto ao órgão competente.

Para fins psicoterapêuticos, que é o foco principal desse artigo, recomendo que, para tornar sua psicoterapia tão eficaz quanto possível, seja aberto e honesto sobre seus pensamentos e comportamentos mais privados. Isso pode ser estressante, mas não precisa se preocupar com seus segredos pois o psicólogo não os compartilhará com ninguém. Eles levam a confidencialidade tão a sério que podem até não agir como se não lhe conhecesse, caso se lhe encontre no supermercado ou em qualquer outro lugar - e não há problema se você não disser “oi!” também. Psicólogos não se sentem mal com isso, pois entendem que o paciente está protegendo sua privacidade.

Algumas pessoas se perguntam por que não podem, simplesmente, falar sobre seus problemas com familiares ou amigos. O fato é que os psicólogos oferecem mais do que um lugar para desabafar e possuem anos de treinamento e experiência que em ajudar as pessoas a melhorar suas vidas. Além disso, há muitas evidências significativas mostrando que a psicoterapia é um tratamento muito eficaz do que um “bate-papo” com amigos. Centenas de estudos mostram que a psicoterapia ajuda as pessoas a fazer mudanças positivas em suas vidas – no mínimo, cerca de 80% das pessoas apresentam benefícios; um paciente de psicoterapia é melhor no final do tratamento do que 80% daqueles que não recebem tratamento algum.

Como funciona a psicoterapia – como é o processo?

Podemos dizer simplificadamente que o sucesso do tratamento é o resultado de três fatores concomitantes: (1) tratamento baseado em evidências e que seja apropriado para o seu problema, (2) a experiência clínica do psicólogo e (3) suas características, valores, cultura e preferências.

Quando as pessoas iniciam uma psicoterapia, geralmente estão sentindo que o sofrimento nunca terminará. A psicoterapia ajuda as pessoas a entenderem que podem fazer algo para melhorar a situação. Isso leva a mudanças que estimulam o comportamento saudável, melhorando relacionamentos, expressando melhor as emoções, agindo melhor no trabalho ou na escola, ou pensando cada vez mais positivamente. Embora algumas questões e problemas respondam melhor a um estilo particular de psicoterapia, o que permanece crítico e importante é a “aliança terapêutica” e o relacionamento com o psicólogo.

Quanto tempo leva uma psicoterapia?

Você pode pensar fazer psicoterapia significa se comprometer com anos de tratamento semanal. Isso, de forma alguma, é uma regra. A duração da psicoterapia depende de vários fatores: o tipo de problema ou distúrbio, as características e a história do paciente, os seus objetivos, o que está acontecendo na vida do paciente fora da psicoterapia e a rapidez com que ele progride. Algumas pessoas sentem-se bem aliviadas depois de uma só sessão de psicoterapia pois um psicólogo pode dar uma nova perspectiva, ajudá-lo a ver as situações de forma diferente e oferecer alívio para a dor psicológica ou emocional. A maioria das pessoas identifica alguma melhora após poucas sessões, especialmente se estiverem trabalhando sobre um único problema, específico e bem definido, e não esperaram muito tempo antes de procurar ajuda.

Se você estiver sofrendo de extrema ansiedade, por exemplo, poderá se sentir melhor simplesmente porque procurou ajuda - um sinal de esperança de que as coisas vão mudar. E mesmo que o seu problema não desapareça depois de algumas sessões, você pode se sentir confiante de que já está progredindo e aprendendo novas habilidades de enfrentamento que o ajudarão bem no futuro. Outras pessoas e situações exigem mais tempo - talvez um ano ou dois - para se beneficiarem da psicoterapia. Eles podem ter sofrido traumas graves, ter vários problemas ou simplesmente não está claro o que os está deixa insatisfeitos. Observo, com frequência, que muitas pessoas continuam a psicoterapia mesmo depois de resolverem os seus problemas e o motivo é que elas continuam a experimentar novas percepções, melhor bem-estar e melhor “funcionamento” na vida.

Como você  saberá que está pronto para parar com a psicoterapia?

A psicoterapia não é um compromisso vitalício. Você e o seu psicólogo decidirão juntos o momento da alta da psicoterapia. Um dia, você perceberá que não vai mais acordar com o problema que o levou à psicoterapia, ou você receberá feedbacks positivos dos outros, e então, você e o seu psicólogo avaliarão suas condições para você seguir em frente sem a psicoterapia.

E o que acontece depois que a psicoterapia acaba?

Você provavelmente visita seu médico para exames periódicos. Você pode fazer o mesmo com seu psicólogo. Talvez você queira se encontrar com seu psicólogo novamente algumas semanas ou um mês depois que a psicoterapia terminar apenas para relatar como você está. Não pense na psicoterapia como tendo início, meio e fim. Você pode resolver um problema, depois enfrentar uma nova situação em sua vida e sentir que as habilidades que aprendeu na terapia precisam de alguns ajustes. Basta entrar em contato com seu psicólogo novamente. Afinal, ele já conhece sua história. Evidentemente, você não precisa esperar por uma crise para vê-lo novamente. Você pode precisar apenas de uma sessão de "reforço" - pense nisso como um ajuste de saúde mental.

E sobre os custos? É caro fazer psicoterapia?

Muita gente pensa que fazer psicoterapia é caro, mas isso não é verdade. Psicólogos geralmente são acessíveis a adaptar os valores à realidade do paciente. Se você tem plano de saúde / convênio médico, verifique se ele pode cobrir serviços de saúde mental, como psicoterapia. Muitos pacientes que atendo tem praticamente custo zero, pois tem os valores pagos ressarcidos pelo plano de saúde.

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 Um abraço,

Psicólogo Paulo Cesar T. Ribeiro

Psicoterapeuta de adolescentes, adultos, casais e gestantes – Presencial e Online.
Psicólogo clínico de linha humanista existencial e de orientação das Psicologias Analítica (Carl Jung), Relacional e Budista.
Extensão e Certificação em Filosofia & Meditação (PUCRS), Certificação em Racismo e Psicanálise (Achille Mbembe), Pós-graduações em Sexualidade Humana, Autismo (Famart) e Psicologia Clínica (PUCRS).
Associado à ABRAP, SBRA e ABRA (Psicoterapia e Reprodução Assistida).
Colaborador do HSPMAIS – Saúde Suplementar e de Apoio à Pesquisa Clínica (Serviço de Reprodução Humana da Escola Paulista de Medicina).
Palestrante sobre temas ligados ao comportamento humano no ambiente social e empresarial.

PESSOAS QUE SE RECUSAM A ADMITIR QUE ERRARAM

 BREVE ANÁLISE PSICOLÓGICA DAS PESSOAS QUE SE RECUSAM A ADMITIR QUE ESTÃO ERRADAS

Existem pessoas que são, praticamente, incapazes de admitir que estão erradas. Essa dificuldade em pedir desculpas pode surgir da tentativa de preservar uma imagem ideal de si mesmo para evitar a humilhação. E mais, é uma relutância que pode resultar, também, da ideia errônea de que não deveríamos ser obrigados a pedir desculpas, uma vez que não tivemos culpa, ou ainda, reluta por uma ausência de autoconhecimento e consciência nas relações.

Nós nos curamos através de interações, e não por nos mantermos inabaláveis como adversários. A hostilidade se manifesta quando o anseio humano por reparação é acolhido com engano, resistência ou uma barreira de desprezo.

Ninguém gosta de perceber que desapontou alguém ou errou, principalmente se tentou agir corretamente ou se sentiu injustamente acusado. No entanto, alguns enfrentam desafios específicos ao admitir que erraram, assumir a responsabilidade ou expressar arrependimento de maneira significativa. Esse padrão é evidente em personalidades proeminentes, mas também é um desafio familiar em nossas relações pessoais, onde defesas inconscientes, personalidade e rigidez podem interferir no comportamento adaptativo. Entender o que se passa nos bastidores quando nos encontramos num impasse pode nos auxiliar a avançar, ou desconsiderar e interromper o ciclo de interações prejudiciais.

Uma barreira frequente ao pedido de desculpas é a ideia de que não deveríamos fazer isso já que não cometemos nada de "errado". Em certas situações, pode se tratar de algo tecnicamente correto, considerando uma perspectiva fundamentada em fatos. No entanto, a insistência em demonstrar que estamos "corretos", até mesmo no diálogo interno, só intensifica o conflito e semeia a divisão. Na realidade, se um indivíduo está correto, o outro está equivocado, e sob uma perspectiva relacional, todos saem perdendo.

Certos indivíduos evitam assumir a responsabilidade ou admitir que erram, pois acreditam que, indiscutivelmente, estão sempre "certíssimos". A falta de habilidade para rever a situação, o que implica em se autorrefletir e interagir com uma visão ou mentalidade distinta da sua, pode representar um entrave para a empatia, conexão e conciliação. Um ponto associado a essa renitência é possuir uma "certeza patológica" sobre a coerência e fundamentação de sua posição. Essa rigidez cognitiva se apresenta como uma mente fechada e inflexível, na realidade, uma deficiência de aprendizagem psicológica caracterizada pela incapacidade de assimilar novos conhecimentos e alterar sua percepção.

Outro entendimento é o de que a exigência de se redimir perante os outros após cometer um erro ou transgredir pode estar ligada a um perfil de personalidade rigoroso e perfeccionista, além de defesas narcisistas. Neste contexto, a pressão inconsciente para manter uma autoimagem ideal é planejada para atuar como um escudo contra a possibilidade de críticas temidas e autocríticas.

Para algumas pessoas, admitir que feriu uma pessoa estimada ou cometeu um erro é evitado inconscientemente, pois desperta sentimentos temidos de maldade e vergonha. Aqui, por exemplo, pode ser relembrada a dinâmica da infância com um pai crítico, repreendedor, indiferente e/ou culpado que lhe imputou um fardo emocional.

A empatia e a responsabilidade podem fazer com que indivíduos com essa dinâmica se identifiquem excessivamente com o sofrimento imaginado e projetado do próximo, resultando num sentimento exagerado de culpa, falha e responsabilidade emocional pelos sentimentos do outro.

Os equívocos e a sensação de estar "correto", de mais a mais, podem surgir de uma discrepância entre a intenção consciente da comunicação ou ação de alguém e a reação de desapontamento do receptor, talvez como resultado de uma ausência de autopercepção, sucedendo numa comunicação desconexa onde sentimentos e processos inconscientes se infiltram nas entrelinhas ou entonação da mensagem, sem que haja plena lucidez. Por exemplo, emoções não manifestadas ou isoladas, como ira, impaciência ou mágoa, frequentemente se manifestam involuntariamente através do tom, altura e palavras. As “entrelinhas” e o tom da interação são enviados de imediato ao cérebro do receptor, indicando um risco e neutralizando conteúdo superficialmente insignificante.

No entanto, em certas circunstâncias, persistir em defender a opinião ou comportamento de alguém pode ser, na realidade, uma tática inconscientemente normal ou adaptativa, como no caso de uma resposta a um apelo do desenvolvimento pessoal para priorizar a independência, como ocorre na adolescência. Igualmente, manter-se firme pode surgir da legítima necessidade de se resguardar de uma dinâmica relacional opressora, ou seja, agir dessa forma pode ser um modo de declarar autonomia ou estabelecer um limite diante de um abuso de autoridade ou em resposta a um indivíduo controlador.

Certamente, quando os perigos são elevados, a tarefa de negar ou justificar ações que provocaram danos se torna complexa por razões ocultas e tentativas de controlar a narrativa, independentemente de quão errônea seja. Diferentemente da sabedoria tradicional, as pessoas tendem a processar mais quando não recebem um pedido de desculpas significativo que admita o erro ou o prejuízo. Mesmo quando grandes acordos são alcançados, os acusados se sentem decepcionados sem um pedido de desculpas, uma constatação que é ecoada pela opinião alheia.

Erros de julgamento, conflitos e "erros empáticos" são inevitáveis, principalmente em relações próximas. Mesmo com mães em perfeita sintonia com seus bebês, podem ocorrer desconexões - a mãe não estar em sintonia com o bebê. Mas é a capacidade de ser responsiva de forma confiável e restaurar o ritmo ou o vínculo quebrado que determina a segurança e a saúde da criança e, da mesma forma, a saúde dos relacionamentos ou a facilidade de resolver uma disputa.

As desculpas reparadoras atendem à nossa necessidade humana de que uma quebra de confiança ou outro dano seja reconhecido, entendido e sentido de alguma maneira por aquele que causou o dano - contribuindo para a restauração da justiça, diminuição da auto culpa e partilha de parte do ônus, se for o caso. Quando essa necessidade é negligenciada, a retaliação e as disputas de controle atuam como um método alternativo para o mesmo propósito, resultando em mais prejuízos para todos os envolvidos. Os capazes conseguem escolher o remédio contra uma escalada mais intensa e, ao proporcionar paz, acerto e aliança para a situação, contribuem para tornar o mundo em que vivemos mais habitável.

Você pode acessar os conteúdos divulgados nesses locais:


Um abraço,

Psicólogo Paulo Cesar

  • Psicoterapeuta de adolescentes, adultos e casais.
  • Psicólogo de linha humanista existencial com acentuada orientação junguiana, budista e pós-graduações em Sexualidade Humana, Autismo e Psicologia Clínica.
  • Voluntário no Serviço de Reprodução Humana da Escola Paulista de Medicina.
  • Psicólogo colaborador da Clínica Paulista de Medicina Reprodutiva.
  • Associado à SBRA - Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida e à ABRA - Associação Brasileira de Reprodução Assistida
  • Palestrante sobre temas ligados ao comportamento humano no ambiente social e empresarial.
  • Consultório próximo à estação de metrô Vila Mariana em São Paulo, SP.
  • Atendimentos (presenciais e por internet) de segunda-feira a sexta-feira.

COMO GERENCIAR DIÁLOGOS PERTURBADORES SOBRE REPRODUÇÃO ASSISTIDA COM A FAMÍLIA E AMIGOS

Se você é uma paciente com problemas de fertilidade e optou por buscar ajuda médica para engravidar, é provável que queira receber suporte emocional de amigos e parentes, o que é normal e tranquilizador. O problema é que o suporte esperado pode se manifestar de forma totalmente diferente do que você imagina, podendo gerar, até mesmo, constrangimentos e emoções negativas. Portanto, é possível que você hesite em compartilhar a decisão com o "seu pessoal", algo bastante frequente entre as pessoas que escolhem a reprodução assistida.

Certamente, a escolha de compartilhar essa novidade com amigos e parentes deve ser cuidadosamente ponderada, pois cada situação é única. Caso não compartilhe, poderá enfrentar a frustração de não conseguir expressar seus sentimentos e emoções para as pessoas que lhe são significativas. No entanto, compartilhar detalhes com eles não garante uma compreensão completa do que você está passando neste momento. Se optar por informá-los e a resposta for negativa, pode surgir uma circunstância desagradável, especialmente se for a primeira vez, sobretudo se você tiver a expectativa de uma resposta será positiva. Existem pacientes que elegem aqueles com quem compartilhar a notícia, pessoas que acredita serem capazes de gerenciar as expectativas criadas pela novidade. Há outras que optam por nada falar até mesmo para aqueles que foram e são fundamentais em fases cruciais de suas vidas. E ainda há pacientes que se sentem desconfortáveis em admitir que necessitam de tratamento para engravidar, ou que escolhempor vivenciar a experiência de maneira pessoal e sem criar expectativas nos demais. Em última análise, cada uma deve refletir e avaliar o que será mais apropriado numa ocasião tão significativa de suas vidas, de acordo com sua realidade. O essencial é enfrentar o tratamento da maneira mais tranquila e eficaz possível. Se for preciso, um psicólogo especializado em Reprodução Humana terá recursos para fornecer.

Em relação ao suporte emocional, você pode desejar, por exemplo, que as pessoas se coloquem em sua posição, isto é, que tenham empatia e saibam exatamente como agir e falar em seu benefício, levando em conta a condição em que está passando, fruto de um tratamento de reprodução assistida. Contudo, surpreendentemente, a sua “galera” que compõe a rede de suporte pode não estar disposta a fazer isso e, em vez de oferecer apoio, as pessoas podem fazer perguntas invasivas e fornecer orientações indesejadas. Em outras palavras, ao invés de empatia, os parentes e amigos podem ser críticos e desinformados! Portanto, mesmo que você ame a todos, pode necessitar de auxílio para "sobreviver" neste contexto social, em outros termos, entre membros de sua própria família e círculo de amigos.

No entanto, se o seu objetivo é ultrapassar e vencer todos os desafios para realizar o belo sonho de formar sua família, motivo pelo qual escrevo este artigo, o mais adequado é procurar estratégias para preservar a sua segurança e o equilíbrio emocional durante este período.

Por exemplo, é muito sábio não esperar que as pessoas sejam diferentes quando você enfrenta problemas de fertilidade, em comparação com quando estava decidindo sobre um trabalho ou convidando um casal de amigos para encontros familiares. A sugestão é sempre ser realista e compreender que se essas pessoas (familiares e amigos) nunca tiveram uma boa visão da vida, provavelmente ainda estão emocionalmente surdos agora.

Outra sugestão é manter um distanciamento psicológico. Mas como se procede? É simples, basta olhá-los como se fosse a primeira vez que os vejo. O conceito é agir mais como uma observadora do que uma participante, pois isso contribui para uma sensação de desapontamento ou irritação reduzida.

Também será muito benéfico para o seu bem-estar refletir sobre algumas questões insensíveis acerca da gravidez. Certamente, as respostas da paciente podem ser auto declarativas ou auto protetoras, sérias ou divertidas, originais ou plagiadas, mas isso não é relevante, contanto que ela se sinta preparada e não seja surpreendida quando alguém lhe fizer perguntas desse tipo. É aconselhável praticar respostas como: "Obrigada pela pergunta, mas não quero discutir isso" ou "Esta é uma questão pessoal e não quero discutir isso".

Garantir que eles entendam que você não é a responsável pela sua infertilidade é igualmente crucial nesses momentos. Em outras palavras, caso os familiares ou amigos sugiram que a paciente esteve excessivamente ocupada ou ansiosa, é mais adequado esclarecer que a infertilidade também pode gerar estresse. Isso significa que um estresse pode surgir de questões profissionais, problemas pessoais, dinâmica familiar, doenças e diversos outros fatores, incluindo a infertilidade. Utilizar a psicologia e afirmar que essa informação os trará alívio normalmente gera entendimento (de forma indireta) e concordância.

A experiência de se submeter a um procedimento de reprodução assistida é extremamente individual, portanto, o indivíduo deve se sentir confortável para manter isso apenas para si. Se ela não tem interesse em responder a perguntas de seguimento não solicitadas, verificações frequentes, monitoramentos ou artigos intermináveis sobre questões de fertilidade enviados por parentes e amigos, ela simplesmente não precisa divulgar sua tentativa de conceber e, sobretudo, não se sentir culpada por não o fazer. Em outras palavras, ela deve conceder a si mesma a permissão para aguardar até que o membro da família seja o ouvinte adequado. Nem todos os tios, tias, primos e afins foram educados da mesma maneira em relação à escuta e suporte: Para alguns, não há problema em contar, para outros, é impossível não contar e ainda existem aqueles que não merecem ser informados ou receber notícias positivas.

Se a paciente necessitar de algo e tiver certeza do que necessita, deve conversar diretamente com um membro da família. Isso facilitará a nossa vida e a de todos. Você deve tentar expressões como "O que eu necessito agora é ____". Ou "Por gentileza, auxilie-me com ____." Se eles responderem de maneira relevante, demonstrar gratidão e demonstrar apreciação irá fortalecer a resposta.

O que são as chamadas "conversas constrangedoras" com amigos? Essas conversas geralmente oferecem conselhos não solicitados ou clichês, ou mal podem esperar para compartilhar seus próprios problemas. Na realidade, a paciente buscava uma conexão profunda e a oportunidade de expressar seus maiores temores em voz alta. Abaixo, apresento algumas sugestões para lidar com isso.

  • Não se deixe iludir pelas respostas deles. Apenas o ato de expressar seus sentimentos lhe proporciona uma sensação de ação e você consegue se escutar de maneira mais nítida.
  • Eles podem não ter ideia de como agir. Não esqueça que alguns dos seus amigos podem se sentir desconfortáveis ao se aproximarem de você, com medo de dizer algo incorreto ou tristes e exibindo ansiedade. Tente auxiliá-los comunicando o que precisa ser feito. "Eu ficaria encantado se você ____."

O grupo de suporte mais eficaz é formado por amigos que entendem o que você está vivenciando, pois já passaram ou estão passando por isso no momento. Quando dizem "eu compreendo", você percebe que estão realmente demonstrando empatia e compaixão.

  • Peça perdão. Se você estiver com amigos que não passaram por tratamento de fertilidade, mas continuam compartilhando informações sobre os médicos mais competentes, a dieta ideal para essa fase ou os suplementos mais eficazes, seja sua melhor amiga e interrompa. Agradeça e explique que está inundada de informações, e então, peça desculpas. Você já enfrentou o suficiente em sua jornada para evitar mais conversas desconfortáveis, não é mesmo?

Interagir com amigos e parentes em ocasiões sociais pode ser menos desafiador para a paciente do que gerir suas próprias reações constrangedoras.

  • Caso esteja tomando hormônios como parte de um tratamento de fertilidade, lidando com uma perda (ou risco) de gravidez ou aguardando os resultados de exames ou procedimentos, é possível que fique mais irritada.
  • É provável que você experimente pelo menos um pouco de ciúmes e ira ao se aproximar de alguém que já possui família, especialmente em ocasiões de festas familiares.
  • É possível que você se sinta retraído e sensível ao discutir seus problemas de fertilidade com outras pessoas, já que não consegue antecipar as respostas delas.

Em resumo: não é apropriado desmerecer ou depreciar os esforços do grupo de suporte. Em vez disso, tente encontrar oportunidades para brincar e rir com eles, pois ambos são eficazes na redução do estresse. Em vez disso, seria benéfico experimentar alguns jogos, assistir a uma comédia, ler e-mails divertidos ou enviá-los, já que todos esses estímulos liberam substâncias químicas cerebrais que elevam o estado de espírito. Lembre-se também de ser um amigo solidário consigo mesmo, tratando-se com a mesma consideração e respeito que dedica aos que você ama.

Em última análise, se houver um apoio significativo da família e amigos, isso deve envolver mais escutar do que falar. É crucial deixar a paciente em tratamento de reprodução assistida confortável - muitas perguntas sobre o progresso do procedimento podem intensificar o nervosismo e a pressão. Há situações em que as famílias apoiam a decisão do casal, porém desejam participar, fazendo perguntas constantes sobre a fertilização e o progresso do processo. Este tipo de comportamento pode levar a paciente a se sentir pressionada a fornecer uma resposta positiva, o que aumenta a pressão. O apoio incondicional é a maior demonstração de amor e solidariedade que a família e os amigos podem oferecer a quem enfrenta esse período.

Um abraço,

Psicólogo Paulo Cesar

  • Psicoterapeuta de adolescentes, adultos e casais.
  • Psicólogo de linha humanista existencial com acentuada orientação junguiana, budista e pós-graduações em Sexualidade Humana, Autismo e Psicologia Clínica.
  • Associado à ABRAP – Associação Brasileira de Psicoterapia
  • Associado à SBRA - Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida e à ABRA - Associação Brasileira de Reprodução Assistida
  • Colaborador do site HSPMAIS – Saúde Suplementar e de Apoio à Pesquisa Clínica (Serviço de Reprodução Humana da Escola Paulista de Medicina).
  • Palestrante sobre temas ligados ao comportamento humano no ambiente social e empresarial.

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  • Consultório próximo à estação de metrô Vila Mariana em São Paulo, SP.
  • Atendimentos (presenciais e por internet) de segunda-feira a sexta-feira.

 

 

A INFERTILIDADE NÃO É UM PROBLEMA EXCLUSIVO DAS MULHERES

 

Um equívoco frequente relacionado à infertilidade é vê-la como um problema exclusivo das mulheres. Existem vários sites, grupos e diversos conselhos para as mulheres em tratamento de fertilidade, lidando com as mudanças hormonais, os perigos da autoculpabilização e o preço do insucesso. Há também conselhos que focam no apoio que os homens podem dar às suas parceiras, seja ajudando a administrar os medicamentos, comparecendo às consultas juntos ou oferecendo um ombro amigo No entanto, que orientação é dada às mulheres para que apoiem seus parceiros masculinos que foram diagnosticados com problemas de fertilidade? Não muito, essa é a verdade.

A infertilidade, na mulher e no homem, pode causar depressão, ansiedade e uma sensação de fracasso que pode afetar profundamente o relacionamento e o clima de romance. Enfatizo que mesmo que a infertilidade esteja pairando sobre o casal como uma nuvem indesejada, ambos parceiros precisam buscar um descanso dessa nuvem. que, apesar da infertilidade pairar sobre o casal como uma nuvem indesejada, ambos os parceiros precisam encontrar um refúgio dessa nuvem. Portanto, na sua lista de "coisas para fazer", inclua passatempos, momentos com amigos, viagens de fim de semana e outras vivências prazerosas para revitalizá-los emocionalmente e reforçar o compromisso de permanecerem juntos, mesmo diante das incertezas que o futuro pode trazer.

Se a causa da infertilidade estiver com o homem, ele precisa ser apoiado. Seguem algumas formas da companheira ajudar o seu parceiro masculino durante este período desafiador da vida do casal. 

Como vocês estão juntos, faça o que for mais adequado para apoiar o seu parceiro.

Ajude-o a distinguir realidade de ficção: Existem diversos recursos e mitos sobre fertilidade, e seu parceiro pode estar se culpando por suas dificuldades nesse campo. Seguem alguns fatos para refletir.

  • Homens e mulheres têm a mesma probabilidade de ter problemas de fertilidade. Em termos gerais, pode-se afirmar que aproximadamente um terço dos casos de infertilidade são causados por fatores femininos, um terço por fatores masculinos, e os casos restantes são de ambos os sexos ou desconhecidos. Assim, não é raro que o parceiro masculino sofra de problemas de fertilidade.
  • Ele não precisa ser um acrobata para engravidar a sua mulher. Oespermatozoides são quimicamente programados para se dirigirem às trompas de Falópio e podem ser encontrados apenas alguns segundos após a ejaculação, independentemente da posição sexual.
  • Calças apertadas não são um grande problema. Mesmo com todas as advertências, cuecas ou jeans apertados não causam infertilidade porque geralmente não modificam a temperatura do escroto a ponto de causar um impacto significativo.
  • Hábitos alimentares não constituem a solução. Assegure-lhe que a infertilidade provavelmente não foi provocada por batatas fritas ou carne. Apesar de alguns alimentos possuírem características parecidas com hormônios, seria necessário consumir quantidades ilimitadas de gengibre, peixes (salmão, cavala, etc.), abacate, amendoim, entre outros, para elevar a testosterona o suficiente para resolver um problema de fertilidade. Além disso, seria necessário consumir soja, linhaça e ostra diariamente e em grande quantidade para influenciar a fertilidade masculina.
  • Ele não precisa se preocupar com o estresse: O estresse no ambiente de trabalho ou financeiro não provoca diretamente problemas de fertilidade nos homens. Mesmo que sua produção de esperma, libido ou ereções sejam afetadas por estresse físico ou emocional (como excesso de trabalho ou problemas familiares), essas perturbações são autocorretivas e limitadas no tempo. Dito de outra forma, mesmo um casal sob estresse ainda pode conceber se um óvulo apto encontrar um espermatozoide viável.
  • Incentive-o a desabafar: Discutir assuntos complexos pode ser um desafio para muitos, portanto, inicie a conversa com questões simples de responder, como "Então, o que você está pensando sobre tudo isso?" Se ele começar a falar sobre seus pensamentos, é provável que ele também fale sobre suas emoções.

Repita as declarações dele para que ele saiba que você está prestando atenção, ouvindo, entendendo e aceitando o que ele diz sobre esse problema de infertilidade. Isso dá a ele a oportunidade de:

  • Ouvir a si mesmo
  • Alterar ou aprimorar seus sentimentos
  • Entender e aceitar os sentimentos
E mesmo que você queira, tente não contradizer declarações negativas como: "Não consigo lidar com esse tratamento". Fazer seu parceiro se sentir seguro e apoiado é crucial - garanta a ele que seus sentimentos são normais. Com situações estressantes como essa, muitas pessoas só precisam de alguém que as ouça.

Mantenha-o envolvido nas atividades cotidianas: O tratamento de fertilidade é uma parte importante da vida diária se você estiver nele, mas assegure-se de que seu parceiro ainda esteja investindo tempo nas outras coisas que estão em andamento – você, o trabalho dele, os amigos, etc. Isso o lembrará de que ele é necessário e desejado, e mais do que apenas uma fonte de esperma. É comum que os homens confundam virilidade e fertilidade, então tranquilize-o de que seu esperma não o define mais do que seus óvulos definiriam você.

Experimente uma noite de vídeo ou cinema, uma aula de exercícios juntos, um show de stand up ou jogos como um intervalo no meio de um drama de fertilidade em andamento. Jogos competitivos como cartas, assistir ou jogar jogos de equipe, videogames e palavras cruzadas podem ser envolventes o suficiente para mantê-lo no aqui e agora e dar a ele uma pausa do estresse.

Lembre-se, a maioria das pesquisas sobre níveis de estresse durante o tratamento de infertilidade tem sido centrada em mulheres, logo e por óbvio, a maioria dos conselhos sobre como lidar com a infertilidade é também centrada nas mulheres. Contudo se você leu este artigo até aqui, compreende que os homens também precisam de apoio e ajuda durante esse período de ansiedade. E como uma parceria é um trabalho de duas pessoas que visa benefícios mútuos, seus esforços podem causar um positivo impacto no estado mental dele, à medida que vocês continuam essa jornada de fertilidade como um casal.

Você pode acessar os conteúdos divulgados nesses locais:

Um abraço,

Psicólogo Paulo Cesar

  • Psicoterapeuta de adolescentes, adultos e casais.
  • Psicólogo de linha humanista existencial com acentuada orientação junguiana, budista e pós-graduações em Sexualidade Humana, Autismo e Psicologia Clínica.
  • Associado à ABRAP – Associação Brasileira de Psicoterapia
  • Associado à SBRA - Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida e à ABRA - Associação Brasileira de Reprodução Assistida
  • Colaborador do site HSPMAIS – Saúde Suplementar e de Apoio à Pesquisa Clínica (Serviço de Reprodução Humana da Escola Paulista de Medicina).
  • Palestrante sobre temas ligados ao comportamento humano no ambiente social e empresarial.
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  • Consultório próximo à estação de metrô Vila Mariana em São Paulo, SP.
  • Atendimentos (presenciais e por internet) de segunda-feira a sexta-feira.