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Daqui em diante, você encontrará muitos outros artigos sobre psicologia. A finalidade da Psicoterapia é entender o que está ocorrendo com o cliente, para ajudá-lo a viver melhor, sem sofrimentos emocionais, afetivos ou mentais. Aqui você encontrará respostas sobre a PSICOTERAPIA - para que serve e por que todos deveriam fazê-la. Enfim, você encontrará nesses artigos,informações sobre A PSICOLOGIA DO COTIDIANO DE NOSSAS VIDAS.

UMA GESTAÇÃO ASSISTIDA MAIS TRANQUILA E FELIZ: O PAPEL DA PSICOTERAPIA

A Fertilização in Vitro (FIV) é um dos procedimentos mais sofisticados da medicina reprodutiva, que possibilita que casais e mulheres com dificuldades de engravidar realizem o sonho de ter filhos. No entanto, além dos desafios médicos e financeiros, a FIV abrange uma variedade de questões psicoemocionais que afetam de modo importante a saúde mental e a qualidade de vida dos envolvidos. Entre os fatores que contribuem para esse impacto, sobressaem-se os sentimentos de ansiedade, frustração, culpa, medo e até mesmo sintomas depressivos.

A decisão pela FIV geralmente ocorre após tentativas infrutíferas de engravidar. Muitas pessoas relataram sentir pressão tanto da sociedade quanto pelo anseio de serem pais, resultando em um processo decisório repleto de expectativas e inseguranças. De fato, pode haver um conflito interno entre a esperança e o medo de não alcançar o resultado almejado que pode afetar a estabilidade emocional antes mesmo do tratamento começar. É uma jornada que pode evocar sensações de impotência, culpa, desamparo e ansiedade. Ademais, o procedimento não assegura um êxito imediato, e cada etapa do tratamento traz novas expectativas, podendo causar frustração na eventualidade de não ocorrer a gestação.

O estresse emocional associado à FIV pode elevar o risco de transtornos de ansiedade e depressão. A ansiedade, nesses casos uma companheira frequente, é alimentada pela incerteza sobre o resultado do tratamento, pelos procedimentos médicos e pelas possíveis complicações. A seu lado, a esperança de realizar o sonho de ter um filho surge como um farol, acendendo um misto de emoções positivas e negativas. É uma montanha-russa emocional, com altos e baixos intensos. A ansiedade, a esperança, a tristeza e a culpa são sentimentos comuns nesse processo, assim como o isolamento social.

É comum que mulheres que não obtiveram sucesso na FIV se sintam culpadas, acreditando que não fizeram o bastante ou que seus corpos estão falhando. Esse sentimento pode ser intensificado por crenças culturais e sociais que responsabilizam a mulher pela gestação. Uma autocobrança excessiva pode levar à exaustão emocional, intensificando a dor do processo. O mesmo pode acontecer com os homens que possuem dificuldades reprodutivas, muitas vezes escondendo seus sentimentos devido à pressão social. Observe, portanto, que além das expectativas e ansiedades relacionadas à gravidez, a FIV acarreta uma carga emocional elevada para os casais que buscam essa alternativa para construir a família, impactando a autoestima, autoimagem e a qualidade de vida dos casais.

A infertilidade pode afetar profundamente a autoestima e a identidade de mulheres e de homens. Em várias culturas, a capacidade de ter filhos está associada à feminilidade e à masculinidade, gerando, com frequência, sentimentos de inadequação e fracasso. Para algumas mulheres, a dificuldade de engravidar pode ser vista como uma falha pessoal, resultando em culpa e angústia. Nos homens, a infertilidade pode ser vivenciada como uma ameaça à sua virilidade ou que pode impactar a autoconfiança e a saúde emocional.

Quando um ciclo de FIV não resulta em gravidez, a sensação de perda pode ser devastadora. Muitas mulheres e casais vivenciam o luto pela ausência do filho desejado, especialmente após a transferência embrionária sem sucesso. A infertilidade pode, assim, afetar profundamente a autoestima e a percepção de identidade. Muitas pessoas sentem que sua capacidade de ser pais faz parte de sua identidade, e a dificuldade de conceber pode gerar sentimento negativos nessas pessoas.

Desenvolver resiliência emocional é essencial para lidar com as frustrações e manter a esperança quanto ao futuro, seja enfrentando novos ciclos de FIV ou considerando outras possibilidades de parentalidade, como a adoção. Sendo resiliente, não se isolará socialmente, algo que acontece com muitos casais, inclusive porque nem todos compreendem as dificuldades e os desafios inerentes ao processo de fertilização in vitro.

O processo de FIV pode fortalecer ou abalar um relacionamento. Enquanto alguns casais encontram maior cumplicidade ao enfrentar juntos os desafios, outros vivenciam conflitos devido ao estresse, às pressões externas e à diferença na maneira como cada um cuida da situação. A rotina do tratamento pode variar a intimidade, seja pelo desgaste emocional, seja pelas exigências médicas que impõem momentos específicos para relações sexuais. O diálogo aberto e o apoio mútuo são essenciais para evitar o distanciamento emocional.

O acompanhamento psicológico durante a FIV em muito auxilia o casal podendo contribuir na elaboração e manejos das emoções intensas e construir estratégias para enfrentar as dificuldades. Além disso, muitas pessoas encontram apoio na espiritualidade, uma fonte de conforto e força para fortalecer a esperança ou para ressignificar suas experiências.

A experiência da FIV é única para cada casal, sendo influenciada por fatores como histórico de vida, apoio social, personalidade e características do tratamento. Trata-se de um recurso valioso em todas as fases do tratamento, visto que o psicólogo, além de fornecer apoio emocional e orientação para lidar com as demandas do tratamento de FIV, também pode oferecer:

  • Ambiente seguro para o casal expressar angústias, medos e esperanças.
  • Estratégias para lidar com o estresse: Técnicas de relaxamento, mindfulness e outras abordagens para lidar com o estresse e a ansiedade.
  • Apoio emocional: Acompanhamento contínuo, oferecendo apoio emocional e incentivando a resiliência.
  • Melhora da comunicação: Auxílio na interação do casal, favorecendo a resolução de conflitos e o fortalecimento dos laços.
  • Preparação para a parentalidade: Apoio ao casal nos desafios e alegrias da paternidade.

A Fertilização in Vitro é um processo que vai muito além da biologia, afetando profundamente a esfera psicoemocional dos envolvidos. É essencial considerar e validar os sentimentos que emergem nesse percurso, buscando suporte emocional e psicológico para reduzir o impacto do estresse, da ansiedade e da frustração.

A jornada da FIV não deve ser solitária – compartilhar experiências, buscar apoio profissional, tanto individual quanto para o casal, e manter um diálogo aberto no relacionamento são fatores determinantes para enfrentar esse desafio com equilíbrio. Aceitar as emoções como parte natural dessa jornada e contar com uma rede de apoio faz toda a diferença para uma experiência mais leve e consciente. Ao oferecer um espaço seguro para expressar seus sentimentos e desenvolver estratégias de enfrentamento, a psicoterapia contribui para a construção de uma jornada mais leve e esperançosa em direção à realização do sonho de ser pai ou mãe.

A preparação para a parentalidade também é um aspecto importante do acompanhamento psicológico, pois ajuda o casal a construir expectativas realistas e a desenvolver habilidades e estratégias de enfrentamento para lidar com os desafios da maternidade e da paternidade.

Você pode acessar os conteúdos divulgados nesses locais:


Um abraço,

Psicólogo Paulo Cesar

  • Psicoterapeuta de adolescentes, adultos e casais.
  • Psicólogo de linha humanista existencial com acentuada orientação junguiana, budista e pós-graduações em Sexualidade Humana, Autismo e Psicologia Clínica.
  • Voluntário no Serviço de Reprodução Humana da Escola Paulista de Medicina.
  • Psicólogo colaborador da Clínica Paulista de Medicina Reprodutiva.
  • Associado à SBRA - Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida e à ABRA - Associação Brasileira de Reprodução Assistida
  • Palestrante sobre temas ligados ao comportamento humano no ambiente social e empresarial.
  • Consultório próximo à estação de metrô Vila Mariana em São Paulo, SP.
  • Atendimentos (presenciais e por internet) de segunda-feira a sexta-feira.

EMPRESAS E CHEFES “TÓXICOS” FAZEM MAL AO TRABALHADOR

Muitos dos meus pacientes são pessoas que não estavam lidando bem com seu chefe ou com a pressão das empresas onde trabalhavam, o que cabe, portanto, perguntar a você, leitor, o seguinte: “a sua empresa é daquelas que, face à pressão por resultados imediatos, pouco tem focalizado a atenção ao fato de que as pessoas se sentem ansiosas, inseguras, desgastadas e perplexas em muitos momentos de suas vidas? Ou faz parte do rol de empresas que entende que, por serem constituídas de pessoas, podem se tornar (corporativamente) ansiosas, deprimidas, sofrerem de pânico, fobias, e outros transtornos psicológicos?”

Apesar das pessoas estarem se tornando cada vez mais conscientes a respeito de suas escalas de prioridades e também mais preocupadas com a autoestima, autoconfiança, culto ao corpo, felicidade e plenitude na vida, o fato é que um grande número de empresas e uma boa parcela dos chefes nessas empresas ainda não aprenderam que não há linhas divisórias entre o ser humano e o profissional, o que é um dificultador para aspectos como qualidade de vida e felicidade, os quais deveriam ser nas empresas, tão importantes quanto tecnologia e métodos de auditoria, quando se pensa em resultados e produtividade.
Inicialmente, vamos falar dos chefes. Sim, é verdade, o seu “chefe tóxico” pode estar prejudicando a sua saúde mental! Esses chefes são, infelizmente, uma das principais causas de infelicidade no local de trabalho. Milhares de funcionários deixam seus empregos para se afastarem de um gerente incompetente (relacionamento interpessoal ou tecnica), e muitos outros, sentindo-se assediados psicologicamente, procuram um tratamento psicoterápico – por depressão, nervosismo, bullying ou outros motivos. Se você for um funcionário com um chefe ruim, sabe bem o que isso pode fazer com seus níveis de estresse e satisfação no trabalho. Interessante, porém triste, são as constatações de que funcionários de chefes narcísicos e psicopatas são os que mais mostram sinais de depressão, de envolvimento com bullying e falta de cooperação no trabalho.

Creio que seja importante dizer que há chefes tóxicos do tipo que não são muito bons em suas atividades técnicas. Outros, especialmente se narcísicos ou psicopatas, frequentemente mostram comportamentos destrutivos e prejudicam os outros em benefício próprio. Denotam apreciar dor e o sofrimento de outras pessoas, portanto, com reais indícios de que são pessoas más e abusivas. Uma pessoa com tendências narcísicas e psicopatas é alguém que mostra um forte desejo de poder e falta empatia pelos outros. Num chefe, isso pode se manifestar querendo levar vantagens sobre seu time, ficar com o crédito pelo trabalho realizado por um membro da equipe, ser um profissional excessivamente crítico e intimidador. Essas pessoas estão focados principalmente em chegar ao topo da pirâmide e não estão preocupados com quem eles podem prejudicar nesse caminho.

Do ponto de vista da saúde física, está claro que ser subordinado a um chefe tóxico pode levar a outros tipos de problemas de saúde: grande risco de pressão alta, estresse crônico, problemas de sono, ansiedade, problemas de abuso de substâncias tóxicas, ataques cardíacos e outros problemas de saúde.

Assim é que posso dizer, com segurança, que ansiedade e estresse não são patrimônios exclusivos de executivos atarefados; além disso, posso dizer, também, que a competitividade acabou substituindo a colaboração, o que é um paradoxo se levarmos em conta que vivemos na época do trabalho em equipe. Isso e muitas outras variáveis aumentam o grau de ansiedade (temor indefinido experimentado como expectativa do pior) dos profissionais nas empresas como também as frustrações. Vejo as empresas dando “tiros nos pés” pois apesar de quererem profissionais comprometidos e engajados com seus resultados, mantém ambientes hostis onde a ansiedade é apenas o ponto de partida a um atalho que conduz ao tédio. Essa ansiedade gerada nas empresas (inclusive com ataques de pânico), conduzem a um certo cansaço psicológico que plana sobre um sentimento de vazio e neutralidade perante tudo quanto rodeia o trabalhador. O quadro agrava-se com a depressão pois essa é uma doença do organismo como um todo, que compromete o físico, o humor e, em conseqüência, o pensamento. Como altera a maneira como a pessoa vê o mundo, sente a realidade, entende as coisas, manifesta emoções, sente a disposição e o prazer com a vida, pode-se dizer que altera, da mesma forma, a empresa onde trabalha. Ela traz muitas outras manifestações comportamentais que podem prejudicar o esforço pelos resultados empresariais, tais como “fracassomania”, inveja, oposição neurótica, estresse, paranóia, hostilidade, intolerância às críticas, necessidade de poder, inimizades, etc. Há, ainda, os “fantasmas” do corpo que tanto influenciam a autoestima e a vaidade humana.

Não se pretende tomar por depressão qualquer sintoma conseqüente às dificuldades e frustrações do dia-a-dia, aos aborrecimentos a que todos estamos sujeitos ou as reações às queixas dos chefes sobre as performances dos funcionários. É uma doença afetiva (ou do humor), e não, simplesmente, um "baixo astral" passageiro. Também não é sinal de fraqueza ou de falta de pensamentos positivos, mas as conseqüências podem ser muito negativas para as empresas, como alguns exemplos abaixo: 
  • A autoimagem e a autoestima destes trabalhadores costumam estar francamente deterioradas a ponto de não se verem capazes de realizar suas tarefas ou novos desafios.
  • O profissional depressivo tende a isolar-se afetando a comunicação interna e a qualidade do trabalho em equipe.
  • A depressão pode evoluir para a síndrome de pânico ou outras fobias paralisando o funcionário nas situações de maior pressão.
  • O funcionário poderá apresentar transtorno somatomorfo, ou seja, manifestará no corpo, em forma de doenças, a ansiedade ou a depressão, podendo ser frequentemente afastado de suas atividades.
  • A ansiedade é um quadro que poderá evoluir para o consumo excessivo de álcool e/ou drogas.
  • Muitas vezes somam-se os sintomas de persecutoriedade, ou seja, de ser perseguido e isso pode alterar negativamente o clima entre os funcionários e gerar sérios conflitos individuais ou grupais. 
Enfim, não apenas importante, é imprescindível cuidar da saúde psicológica dos trabalhadores. Sentimentos como raiva, tristeza ou frustração, quando ignorados, podem drenar a vitalidade dos profissionais e, também, minar a competitividade de uma empresa. O sofrimento é um subproduto inevitável da rotina dos negócios - administrar mudanças, liderar projetos, criar produtos ou buscar resultados sempre levará os profissionais a algum nível de sofrimento.

Cuide de si mesmo, fazer psicoterapia é uma boa opção nesses casos, e busque outras soluções para as dificuldades que está vivendo. Se você trabalha numa empresa problemática ou tem um chefe ruim, fique bastante atento pois tudo isso pode ser um veneno que mina a sua autoestima e afeta a sua confiança, tendo como conseqüências, a perda de produtividade à vontade de parar de trabalhar.

Espero que tenha gostado desse artigo. Há vários outros artigos no Blog do Psicólogo (www.blogdopsicologo.com.br) - acesse-os! CLIQUE AQUI para ler sobre a depressão.

Um abraço,

Psicólogo Paulo Cesar
Psicoterapeuta de adolescentes, adultos e casais. Psicólogo de linha humanista com acentuada orientação junguiana e budista. Palestrante sobre temas ligados ao comportamento humano no ambiente social e empresarial.
Consultório próximo à estação de metrô Vila Mariana. Atendimento de segunda-feira aos sábados.
Marcação de consultas pelo tel. 11.94111-3637 ou pelo Whatzapp 11.98199-5612.


O QUE É PSICOTERAPIA E COMO ELA FUNCIONA



NÃO DEIXE DE LER O ARTIGO ABAIXO:

"O QUE É PSICOTERAPIA E COMO ELA FUNCIONA"

Você já se sentiu sobrecarregado ou estressado, a ponto de ter dificuldades para resolver os 
seus problemas? Se sua resposta é “sim”, saiba que você não está sozinho. Estima-se que mais de 25% da população adulta mundial já passou ou está passando por períodos de depressão, ansiedade ou algum outra dificuldade psicológica. Algumas pessoas precisam de ajuda para lidar com uma doença grave, perder peso ou parar de fumar. Outras lutam para conseguirem superar separações, problemas de relacionamento, abuso sexual ou doméstico, perda de emprego, a morte de alguém muito amado, estresse, abuso de substâncias psicoativas ou outros problemas igualmente importantes e que podem se tornar debilitantes.

A psicoterapia é um eficaz recurso para todas essas questões porém, ainda há muito desconhecimento, desconforto e preconceito a respeito dela. Esse é o motivo que me fez apresentar num único artigo, o máximo de informações que possam modificar essa situação e facilitar a ida das pessoas ao psicólogo. O artigo é longo, porém, servirá para eliminar suas dúvidas quanto a essa maravilhosa experiência que é fazer psicoterapia.

O que é a psicoterapia?

Um psicólogo pode ajudá-lo a lidar e resolver os problemas que citei no início desse artigo. Através da psicoterapia, nós ajudamos pessoas de todas as idades a conquistarem vidas mais felizes, saudáveis ​​e produtivas. Durante a psicoterapia, podem ser usados vários procedimentos cientificamente validados que auxiliam as pessoas a desenvolver hábitos mais saudáveis ​​e mais eficazes. Esses procedimentos seguem vários tipos de abordagens tais como terapia cognitivo-comportamental, interpessoal, existencial, humanista, fenomenológica, Junguiana e outras, todas com o mesmo fim, que é ajudar as pessoas a cuidar de seus problemas.

A psicoterapia é um tratamento colaborativo baseado na relação entre o paciente e o psicólogo. Fundamentada no diálogo, ela cria um ambiente de apoio que favorece a conversa aberta com alguém que é objetivo, neutro e imparcial. Você e seu psicólogo trabalharão juntos para identificar e mudar os padrões de pensamento e os comportamentos que impedem que você se sinta bem.

Ao final da terapia, você não apenas terá resolvido o problema que o fez procurar um psicólogo, como também terá aprendido novas habilidades que lhe ajudarão a enfrentar melhor quaisquer desafios que surjam no futuro.

Quando você deve pensar em fazer psicoterapia?

Por causa dos muitos equívocos sobre a psicoterapia (como mencionado acima), eu entendo que você possa ficar um pouco relutante. E ainda que você conheça a realidade em vez de mitos sobre isso, ainda assim poderá se sentir nervoso em tentar quando pensar em fazer psicoterapia. Mas posso lhe garantir que superar esse nervosismo e a desconfiança vale a pena. Digo com muita segurança que sempre que sua qualidade de vida não estiver como você quer, a psicoterapia pode lhe ajudar.

Algumas pessoas procuram psicoterapia porque se sentem deprimidas, ansiosas ou com raiva há muito tempo; outras podem querer ajuda porque alguma doença crônica está interferindo em seu bem-estar emocional ou físico; outros, além do citado, podem estar passando por um divórcio, enfrentando um distanciamento dos filhos, sentindo-se pressionado num novo emprego ou lamentando a morte de um membro da família, por exemplo.

Veja alguns momentos em que você poderia se beneficiar da psicoterapia:
  • Quando você está sentindo uma sensação intensa e prolongada de desamparo e tristeza.
  • Quando você está percebe que o desamparo e a tristeza estão lhe levando a uma depressão
  • Quando você está convivendo com muitos medos e não sabe bem como lidar com situações do passados.
  • Quando seus problemas parecem não melhorar apesar de seus esforços e ajuda de familiares e amigos.
  • Quando você acha difícil superar um luto ou uma separação. 
  • Quando você acha difícil se concentrar em tarefas de trabalho ou realizar outras atividades cotidianas.
  • Quando você fica excessivamente preocupado, fica esperando o pior ou está constantemente “no limite”.
  • Quando a vida acelerada ou excessos de preocupações lhe tornam ansioso(a) e/ou numa situação de pânico.
  • Quando suas condutas (como beber muito álcool, usar drogas ou ser agressivo), estão prejudicando você ou outras pessoas.
Quais são os diferentes tipos de psicoterapia?

Existem muitas abordagens diferentes de psicoterapia e nós podemos usar uma ou mais abordagens conforme o caso. Cada perspectiva teórica atua como um roteiro para ajudar o psicólogo a entender os seus clientes, seus problemas e o desenvolvimento de soluções. Significa dizer que o tipo de abordagem a ser usado com você dependerá de uma variedade de fatores: atualização sobre pesquisas psicológicas, orientação teórica do psicólogo e o que funciona melhor para sua situação.

A perspectiva teórica do seu psicólogo afetará o que acontece no consultório. Psicólogos que usam terapia cognitivo-comportamental, por exemplo, podem pedir para que seus pacientes façam determinadas tarefas de casa, ou solicitar que se colete mais informações (por exemplo, registrar reações em situação específica), ou mesmo que o paciente pratique novas habilidades entre as sessões. Em contraste, as abordagens psicanalítica e humanista geralmente se concentram mais em falar do que em fazer. Por exemplo, o paciente pode passar algumas sessões discutindo suas primeiras experiências para ajudar a si mesmo e ao psicólogo a entender melhor as causas dos problemas atuais. O psicólogo pode, também, combinar elementos de vários estilos de psicoterapia. De fato, a maioria dos terapeutas não se liga a nenhuma abordagem e, em vez disso, mesclam elementos de diferentes abordagens e ajustam o tratamento de acordo com as necessidades de cada cliente. A principal coisa a saber é se o psicoterapeuta tem experiência na área em que você precisa de ajuda e se ele (o psicólogo) acha que pode ajudá-lo.

Tendo decidido fazer psicoterapia, você precisa encontrar um psicólogo.

Por que escolher um psicólogo para psicoterapia? Além do fato do psicólogo ter um profundo respeito pelo ser humano e ser capaz de ver cada indivíduo em sua particularidade, somos especializados em psicoterapia e em outras formas de tratamento psicológico. Temos treinamento, formação acadêmica, experiência em avaliação, diagnóstico e tratamento de saúde mental e mudança de comportamento. A graduação de um psicólogo leva, pelo menos cinco anos, sem contar aqueles que decidem fazer pós-graduação, mestrado ou doutorado. Normalmente, antes de iniciarmos no atendimento de pessoas, realizamos estágio clínico supervisionado em algum ambiente de saúde organizado. Além disso, somos registrados no Conselho de Psicologia, o qual normatiza e regulamente a nossa profissão. Evite, portanto, profissionais não-psicólogos, sem formação reconhecida pelo MEC e que não pertencem ao Conselho de Psicologia. Há pessoas que se dizem psicoterapeutas mas que não tem a formação adequada. Coach, Facilitador de Barra de Access, Hipnólogos, Terapeutas de Theta Healing, Terapeutas Holísticos, Constelador Familiar e vários outros fazem parte desse grupo.

É importante dizer que psicólogos e pacientes trabalham juntos, então tem que haver uma boa "química", por isso não tenha medo de perguntar o que quiser ao psicólogo ao iniciar a terapia, coisas como experiência clínica e experiência no tratamento de problemas como o seu. Só faça a terapia se, na primeira sessão, você se sentir confortável e o profissional lhe inspirar confiança.

A melhor maneira de fazer contato inicial com um psicólogo é por telefone, mas você pode usar whatsapp ou e-mail como alternativa – esses são menos seguros do que o telefone quando se trata de confidencialidade. Os psicólogos geralmente estão com clientes e nem sempre atendem as ligações imediatamente. Basta deixar uma mensagem com o seu nome, número de telefone e breve descrição da sua situação.

No inicio do artigo eu disse que você pode se sentir nervoso ao fazer contato com um psicólogo. Essa ansiedade é perfeitamente normal, mas ter a coragem de superar essa ansiedade e fazer a ligação é o primeiro passo no processo de se buscar ajuda para se sentir melhor. Nós, psicólogos, entendemos como é difícil fazer contato inicial, isso é novo para você, mas é algo que lidamos regularmente.

Você deve se preparar para a consulta psicológica?

Não necessariamente, mas sugiro que você faça algumas poucas coisas básicas, que são:
  • Aprenda sobre psicoterapia: Se algum de seus amigos tiver feito psicoterapia, pergunte a eles como foi. Leia sobre isso na internet e, se você já fez psicoterapia, pense no que gostou e no que não gostou durante essa experiência com o psicólogo. 
  • Mantenha a mente aberta: Mesmo que você seja cético quanto aos resultados produzidos pela psicoterapia, ou mesmo que esteja indo só porque alguém lhe disse, esteja disposto a tentar. Seja o mais honeste e mente aberta possível, para que você possa aproveitar essa oportunidade para aprender mais sobre si mesmo.
  • Certifique-se de saber o local do consultório do psicoterapeuta: Verifique o endereço no site do psicólogo ou faça uma busca no mapa para não se atrasar e ter pouco tempo para conversar.
  • Uma sessão típica de psicoterapia dura cerca de 50 minutos. Para aproveitar ao máximo esse tempo, faça uma lista dos assuntos que você quer abordar em sua primeira sessão e o que você quer trabalhar na psicoterapia. Mesmo uma vaga idéia do que você quer realizar pode ajudar você e ao seu psicólogo a prosseguir de forma eficiente e eficaz.
  • Se você foi encaminhado por outro profissional, como um médico, mantenha consciência sobre o motivo pelo qual foi recomendado fazer psicoterapia. Se um professor sugeriu que seu filho fosse submetido a psicoterapia, você pode trazer boletins ou anotações do professor dele ou dela. Seu psicólogo poderá ligar para esses profissionais para obter informações adicionais, se você der permissão por escrito. Registros de psicoterapia anterior ou testes psicológicos também podem ajudar seu novo psicólogo a ter uma noção melhor de você. Se você estiver tomando algum medicamento, anote quais são, principalmente se forem medicamentos psiquiátricos ou neurológicos.
Pode ser difícil lembrar de tudo o que acontece durante uma sessão de psicoterapia. Um caderno pode ajudá-lo a guardar as perguntas ou sugestões do seu psicólogo e suas próprias perguntas e idéias. Anotar algumas coisas durante a sessão pode ajudá-lo a permanecer engajado no processo. A terapia requer tempo, logo, várias sessões. Leve a sua agenda para que você possa definir o dia e horário da sua terapia.

É normal sentir-se nervoso quando na primeira consulta de psicoterapia, mas preparar-se antecipadamente pode ajudar a acalmar seus nervos.

O que pode acontecer na primeira consulta da psicoterapia?

É claro que cada psicólogo tem o seu estilo e método de trabalho, mas uma coisa comum a todos é o levantamento de informações a respeito do paciente na primeira sessão. A anamnese serve para o profissional obter o máximo de informações suficientes para dar uma noção realista sobre o caso. Apresentarei aqui, como a consulta normalmente se desenrola quando é comigo, ressaltando que outros colegas podem conduzir a sessão de outra maneira.

Não se preocupe se você não souber o que fazer quando a sessão realmente começar. Vejo como normal o cliente sentir-se um pouco ansioso mas o psicoterapeuta tem experiência suficiente para dar o tom e fazer as coisas começarem e, eficazmente, alcanças os objetivos. Com alguns clientes, essa sessão parece um jogo de perguntas e respostas. Por exemplo, o psicólogo pode fazer perguntas como: "O que lhe trouxe aqui hoje?" ou "O que fez você decidir fazer terapia agora, em vez de um mês ou um ano atrás?" ou ainda, “O que você espera de um psicólogo?”. Isso ajuda a identificar seu problema, mesmo que você não esteja plenamente consciente dele. Você pode sentir raiva ou tristeza sem saber o que está causando esses sentimentos ou como parar de se sentir assim. Se o problema for muito doloroso para falar, costuma-se não forçar o paciente a dizer mais do que ele se sente confortável em compartilhar, até que ele conheça melhor o terapeuta. Então, não há problema se você disser que ainda não está pronto para falar sobre algo. Com certeza, será questionado sobre a sua própria história e de sua família, e dos problemas psicológicos antecedentes como depressão, ansiedade ou problemas semelhantes; isso normalmente antecede a investigação de como o seu problema está afetando a sua vida cotidiana. O psicólogo vai querer saber se você notou alguma mudança em seus hábitos de sono, apetite ou outros comportamentos e que tipo de apoio social você tem - família, amigos e colegas de trabalho. Não há pressa nesse processo, logo, essa etapa pode levar mais de uma sessão. Ao guiá-lo, o terapeuta vai deixá-lo definir o ritmo - se trata de contar sua história. À medida que você ganhar confiança no psicoterapeuta e na psicoterapia, ele vai perscrutar a sua disposição para compartilhar coisas que não se sentiu à vontade em responder no início. Uma vez que o terapeuta tenha uma história completa, de modo colaborativo buscará, com você, alcançar as respostas que melhorarão a qualidade de sua vida. Ao final da primeira sessão, amiúde, o psicólogo fará sugestões de ações imediatas. Se você estiver muito deprimido, por exemplo, poderá recomendar que procure um médico para descartar quaisquer condições médicas subjacentes, como um distúrbio da tireoide. Se você tiver uma dor crônica, poderá precisar de fisioterapia, medicação e ajuda para insônia e psicoterapia. Em poucas sessões, a expectativa é que o paciente tenha uma nova compreensão do seu problema, um plano de ação e um novo senso de esperança.

É nessa sessão que são apresentadas as questões logísticas, como honorários, como cancelar consultas, confidencialidade, quando fazer os pagamentos, etc.

A psicoterapia é muitas vezes referida como a terapia da fala, e é isso que você vai fazer enquanto o seu tratamento continuar. Você e o seu psicólogo, se engajarão num diálogo sobre seus problemas e como consertá-los.

O que você deve esperar ao decidir ir além da primeira sessão e continuar com a psicoterapia?

Conforme sua psicoterapia segue em frente, você continuará o processo de construção de um relacionamento terapêutico confiante com seu psicólogo. Como parte do processo contínuo de buscar conhecimentos sobre você, o psicólogo pode querer fazer alguma avaliação. Os psicólogos são profissionais treinados para administrar e interpretar testes psicológicos, os quais podem ajudar a determinar a profundidade de sua depressão, identificar características importantes de personalidade, descobrir estratégias de enfrentamento inadequadas das questões vividas (como dificuldades com a bebida), ou identificar dificuldades de aprendizagem. Os resultados dos testes podem ajudá-lo a diagnosticar uma condição ou fornecer mais informações sobre a maneira como você pensa, sente e se comporta. Como isso depende de cada profissional,  particularmente, no meu caso, o uso de testes é bem reduzido, dado as características de meu estilo e da população que atendo.

Você e o psicólogo continuarão explorando seus problemas por meio de conversas. Para algumas pessoas, apenas conseguir falar livremente sobre um problema traz um importante alívio. Nos estágios iniciais, o psicólogo lhe ajudará a esclarecer o que lhe incomoda. Você passará para uma fase de solução de problemas, trabalhando em conjunto para encontrar formas alternativas de pensar, se comportar e gerenciar seus sentimentos. Você poderá interpretar novos comportamentos durante as sessões e fazer os exercícios propostos para praticar novas habilidades. Conforme avança, vocês avaliarão seu progresso e determinarão se suas metas originais precisam ser reformuladas ou expandidas.

Em alguns casos, o psicólogo poderá sugerir o envolvimento de outras pessoas. Se você estiver tendo problemas de relacionamento, por exemplo, ter um cônjuge ou parceiro lhe acompanhando numa sessão pode ser útil. Da mesma forma, um indivíduo com problemas com o filho poderá querer trazê-lo à sessão. E alguém que tenha dificuldade em interagir com os outros pode se beneficiar da psicoterapia de grupo ou da presença de um amigo durante o processo.

É bom mencionar que ao começar a resolver o problema que o levou à psicoterapia, você também estará aprendendo novas habilidades que lhe ajudarão a ver a si mesmo e ao mundo de maneira diferente. Você aprenderá a distinguir entre as situações que pode mudar e aquelas que não pode, e se habituará a focar em melhorar as coisas sob seu controle.

Como você pode aproveitar ao máximo a psicoterapia?

A psicoterapia é diferente de tratamentos médicos ou odontológicos, em que os pacientes geralmente se sentam passivamente enquanto os profissionais trabalham neles e lhes informam seus planos de diagnóstico e tratamento. Na psicoterapia não há essa postura de um psicólogo lhe dizendo o que fazer pois se trata de uma colaboração ativa entre você e ele.

De fato, centenas de estudos comprovam que uma parte muito importante para o êxito da psicoterapia é a relação de colaboração entre psicólogo e paciente, também conhecida como “aliança terapêutica”. Então, seja um participante ativo e envolvido na psicoterapia: ajude a definir metas para o tratamento, faça perguntas sobre o andamento do processo, se você achar que uma sessão não foi boa, compartilhe esse feedback e tenha um diálogo para que o psicólogo possa avaliar os motivos, responder e adaptar seu tratamento de maneira mais eficaz, peça sugestões de livros com informações úteis sobre seus problemas, etc.

Há um ponto muito importante: como a mudança de comportamento é algo difícil, a prática também é fundamental. É fácil retroceder em velhos padrões de pensamento e comportamento, por isso fique atento às sessões. Observe como você está reagindo às coisas e aproveite o que aprende nas sessões psicoterapêuticas e aplique o que aprende nas situações da vida real. Quando você leva para a terapia aquilo que aprendeu entre as sessões, essas informações podem informar vários aspectos sobre o seu desenvolvimento. Com a prática regular, você consolidará os ganhos obtidos, agilizará a psicoterapia e manterá seu progresso depois que terminar.

Você deve se preocupar com a confidencialidade?

Os psicólogos consideram a manutenção de sua privacidade extremamente importante e isso faz parte do código de ética dos profissionais de psicologia, a ponto de ser uma condição da sua licença profissional. Psicólogos que violam a confidencialidade do paciente correm o risco de perder o direito ao exercício da profissão.

Não posso deixar sem esclarecimentos, entretanto, que a quebra do sigilo profissional está prevista no Código de Ética do Psicólogo para casos em que o paciente encontra-se em situação de risco ou oferece, no momento atual, risco a terceiros. Trata-se de uma decisão que cabe somente ao psicólogo, mesmo se demandada por instâncias superiores. O psicólogo tem autonomia técnica e ética para fazê-lo quando julgar necessário, conforme gravidade de cada caso e desde que não fira o Código de Ética ou as resoluções do Conselho Federal de Psicologia. Se, ao longo do processo de atendimento, o psicólogo detectar que o sujeito está sob uma situação de violência ou abuso, por exemplo, – e que há chance de esse ato repetir-se – ou ainda em situação de risco à sua integridade ou a de terceiros, então o profissional pode optar pela quebra de sigilo, apresentando uma denúncia (que pode ou não ser anônima) junto ao órgão competente.

Para fins psicoterapêuticos, que é o foco principal desse artigo, recomendo que, para tornar sua psicoterapia tão eficaz quanto possível, seja aberto e honesto sobre seus pensamentos e comportamentos mais privados. Isso pode ser estressante, mas não precisa se preocupar com seus segredos pois o psicólogo não os compartilhará com ninguém. Eles levam a confidencialidade tão a sério que podem até não agir como se não lhe conhecesse, caso se lhe encontre no supermercado ou em qualquer outro lugar - e não há problema se você não disser “oi!” também. Psicólogos não se sentem mal com isso, pois entendem que o paciente está protegendo sua privacidade.

Algumas pessoas se perguntam por que não podem, simplesmente, falar sobre seus problemas com familiares ou amigos. O fato é que os psicólogos oferecem mais do que um lugar para desabafar e possuem anos de treinamento e experiência que em ajudar as pessoas a melhorar suas vidas. Além disso, há muitas evidências significativas mostrando que a psicoterapia é um tratamento muito eficaz do que um “bate-papo” com amigos. Centenas de estudos mostram que a psicoterapia ajuda as pessoas a fazer mudanças positivas em suas vidas – no mínimo, cerca de 80% das pessoas apresentam benefícios; um paciente de psicoterapia é melhor no final do tratamento do que 80% daqueles que não recebem tratamento algum.

Como funciona a psicoterapia – como é o processo?

Podemos dizer simplificadamente que o sucesso do tratamento é o resultado de três fatores concomitantes: (1) tratamento baseado em evidências e que seja apropriado para o seu problema, (2) a experiência clínica do psicólogo e (3) suas características, valores, cultura e preferências.

Quando as pessoas iniciam uma psicoterapia, geralmente estão sentindo que o sofrimento nunca terminará. A psicoterapia ajuda as pessoas a entenderem que podem fazer algo para melhorar a situação. Isso leva a mudanças que estimulam o comportamento saudável, melhorando relacionamentos, expressando melhor as emoções, agindo melhor no trabalho ou na escola, ou pensando cada vez mais positivamente. Embora algumas questões e problemas respondam melhor a um estilo particular de psicoterapia, o que permanece crítico e importante é a “aliança terapêutica” e o relacionamento com o psicólogo.

Quanto tempo leva uma psicoterapia?

Você pode pensar fazer psicoterapia significa se comprometer com anos de tratamento semanal. Isso, de forma alguma, é uma regra. A duração da psicoterapia depende de vários fatores: o tipo de problema ou distúrbio, as características e a história do paciente, os seus objetivos, o que está acontecendo na vida do paciente fora da psicoterapia e a rapidez com que ele progride. Algumas pessoas sentem-se bem aliviadas depois de uma só sessão de psicoterapia pois um psicólogo pode dar uma nova perspectiva, ajudá-lo a ver as situações de forma diferente e oferecer alívio para a dor psicológica ou emocional. A maioria das pessoas identifica alguma melhora após poucas sessões, especialmente se estiverem trabalhando sobre um único problema, específico e bem definido, e não esperaram muito tempo antes de procurar ajuda.

Se você estiver sofrendo de extrema ansiedade, por exemplo, poderá se sentir melhor simplesmente porque procurou ajuda - um sinal de esperança de que as coisas vão mudar. E mesmo que o seu problema não desapareça depois de algumas sessões, você pode se sentir confiante de que já está progredindo e aprendendo novas habilidades de enfrentamento que o ajudarão bem no futuro. Outras pessoas e situações exigem mais tempo - talvez um ano ou dois - para se beneficiarem da psicoterapia. Eles podem ter sofrido traumas graves, ter vários problemas ou simplesmente não está claro o que os está deixa insatisfeitos. Observo, com frequência, que muitas pessoas continuam a psicoterapia mesmo depois de resolverem os seus problemas e o motivo é que elas continuam a experimentar novas percepções, melhor bem-estar e melhor “funcionamento” na vida.

Como você  saberá que está pronto para parar com a psicoterapia?

A psicoterapia não é um compromisso vitalício. Você e o seu psicólogo decidirão juntos o momento da alta da psicoterapia. Um dia, você perceberá que não vai mais acordar com o problema que o levou à psicoterapia, ou você receberá feedbacks positivos dos outros, e então, você e o seu psicólogo avaliarão suas condições para você seguir em frente sem a psicoterapia.

E o que acontece depois que a psicoterapia acaba?

Você provavelmente visita seu médico para exames periódicos. Você pode fazer o mesmo com seu psicólogo. Talvez você queira se encontrar com seu psicólogo novamente algumas semanas ou um mês depois que a psicoterapia terminar apenas para relatar como você está. Não pense na psicoterapia como tendo início, meio e fim. Você pode resolver um problema, depois enfrentar uma nova situação em sua vida e sentir que as habilidades que aprendeu na terapia precisam de alguns ajustes. Basta entrar em contato com seu psicólogo novamente. Afinal, ele já conhece sua história. Evidentemente, você não precisa esperar por uma crise para vê-lo novamente. Você pode precisar apenas de uma sessão de "reforço" - pense nisso como um ajuste de saúde mental.

E sobre os custos? É caro fazer psicoterapia?

Muita gente pensa que fazer psicoterapia é caro, mas isso não é verdade. Psicólogos geralmente são acessíveis a adaptar os valores à realidade do paciente. Se você tem plano de saúde / convênio médico, verifique se ele pode cobrir serviços de saúde mental, como psicoterapia. Muitos pacientes que atendo tem praticamente custo zero, pois tem os valores pagos ressarcidos pelo plano de saúde.

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 Um abraço,

Psicólogo Paulo Cesar T. Ribeiro

Psicoterapeuta de adolescentes, adultos, casais e gestantes – Presencial e Online.
Psicólogo clínico de linha humanista existencial e de orientação das Psicologias Analítica (Carl Jung), Relacional e Budista.
Extensão e Certificação em Filosofia & Meditação (PUCRS), Certificação em Racismo e Psicanálise (Achille Mbembe), Pós-graduações em Sexualidade Humana, Autismo (Famart) e Psicologia Clínica (PUCRS).
Associado à ABRAP, SBRA e ABRA (Psicoterapia e Reprodução Assistida).
Colaborador do HSPMAIS – Saúde Suplementar e de Apoio à Pesquisa Clínica (Serviço de Reprodução Humana da Escola Paulista de Medicina).
Palestrante sobre temas ligados ao comportamento humano no ambiente social e empresarial.

PESSOAS QUE SE RECUSAM A ADMITIR QUE ERRARAM

 BREVE ANÁLISE PSICOLÓGICA DAS PESSOAS QUE SE RECUSAM A ADMITIR QUE ESTÃO ERRADAS

Existem pessoas que são, praticamente, incapazes de admitir que estão erradas. Essa dificuldade em pedir desculpas pode surgir da tentativa de preservar uma imagem ideal de si mesmo para evitar a humilhação. E mais, é uma relutância que pode resultar, também, da ideia errônea de que não deveríamos ser obrigados a pedir desculpas, uma vez que não tivemos culpa, ou ainda, reluta por uma ausência de autoconhecimento e consciência nas relações.

Nós nos curamos através de interações, e não por nos mantermos inabaláveis como adversários. A hostilidade se manifesta quando o anseio humano por reparação é acolhido com engano, resistência ou uma barreira de desprezo.

Ninguém gosta de perceber que desapontou alguém ou errou, principalmente se tentou agir corretamente ou se sentiu injustamente acusado. No entanto, alguns enfrentam desafios específicos ao admitir que erraram, assumir a responsabilidade ou expressar arrependimento de maneira significativa. Esse padrão é evidente em personalidades proeminentes, mas também é um desafio familiar em nossas relações pessoais, onde defesas inconscientes, personalidade e rigidez podem interferir no comportamento adaptativo. Entender o que se passa nos bastidores quando nos encontramos num impasse pode nos auxiliar a avançar, ou desconsiderar e interromper o ciclo de interações prejudiciais.

Uma barreira frequente ao pedido de desculpas é a ideia de que não deveríamos fazer isso já que não cometemos nada de "errado". Em certas situações, pode se tratar de algo tecnicamente correto, considerando uma perspectiva fundamentada em fatos. No entanto, a insistência em demonstrar que estamos "corretos", até mesmo no diálogo interno, só intensifica o conflito e semeia a divisão. Na realidade, se um indivíduo está correto, o outro está equivocado, e sob uma perspectiva relacional, todos saem perdendo.

Certos indivíduos evitam assumir a responsabilidade ou admitir que erram, pois acreditam que, indiscutivelmente, estão sempre "certíssimos". A falta de habilidade para rever a situação, o que implica em se autorrefletir e interagir com uma visão ou mentalidade distinta da sua, pode representar um entrave para a empatia, conexão e conciliação. Um ponto associado a essa renitência é possuir uma "certeza patológica" sobre a coerência e fundamentação de sua posição. Essa rigidez cognitiva se apresenta como uma mente fechada e inflexível, na realidade, uma deficiência de aprendizagem psicológica caracterizada pela incapacidade de assimilar novos conhecimentos e alterar sua percepção.

Outro entendimento é o de que a exigência de se redimir perante os outros após cometer um erro ou transgredir pode estar ligada a um perfil de personalidade rigoroso e perfeccionista, além de defesas narcisistas. Neste contexto, a pressão inconsciente para manter uma autoimagem ideal é planejada para atuar como um escudo contra a possibilidade de críticas temidas e autocríticas.

Para algumas pessoas, admitir que feriu uma pessoa estimada ou cometeu um erro é evitado inconscientemente, pois desperta sentimentos temidos de maldade e vergonha. Aqui, por exemplo, pode ser relembrada a dinâmica da infância com um pai crítico, repreendedor, indiferente e/ou culpado que lhe imputou um fardo emocional.

A empatia e a responsabilidade podem fazer com que indivíduos com essa dinâmica se identifiquem excessivamente com o sofrimento imaginado e projetado do próximo, resultando num sentimento exagerado de culpa, falha e responsabilidade emocional pelos sentimentos do outro.

Os equívocos e a sensação de estar "correto", de mais a mais, podem surgir de uma discrepância entre a intenção consciente da comunicação ou ação de alguém e a reação de desapontamento do receptor, talvez como resultado de uma ausência de autopercepção, sucedendo numa comunicação desconexa onde sentimentos e processos inconscientes se infiltram nas entrelinhas ou entonação da mensagem, sem que haja plena lucidez. Por exemplo, emoções não manifestadas ou isoladas, como ira, impaciência ou mágoa, frequentemente se manifestam involuntariamente através do tom, altura e palavras. As “entrelinhas” e o tom da interação são enviados de imediato ao cérebro do receptor, indicando um risco e neutralizando conteúdo superficialmente insignificante.

No entanto, em certas circunstâncias, persistir em defender a opinião ou comportamento de alguém pode ser, na realidade, uma tática inconscientemente normal ou adaptativa, como no caso de uma resposta a um apelo do desenvolvimento pessoal para priorizar a independência, como ocorre na adolescência. Igualmente, manter-se firme pode surgir da legítima necessidade de se resguardar de uma dinâmica relacional opressora, ou seja, agir dessa forma pode ser um modo de declarar autonomia ou estabelecer um limite diante de um abuso de autoridade ou em resposta a um indivíduo controlador.

Certamente, quando os perigos são elevados, a tarefa de negar ou justificar ações que provocaram danos se torna complexa por razões ocultas e tentativas de controlar a narrativa, independentemente de quão errônea seja. Diferentemente da sabedoria tradicional, as pessoas tendem a processar mais quando não recebem um pedido de desculpas significativo que admita o erro ou o prejuízo. Mesmo quando grandes acordos são alcançados, os acusados se sentem decepcionados sem um pedido de desculpas, uma constatação que é ecoada pela opinião alheia.

Erros de julgamento, conflitos e "erros empáticos" são inevitáveis, principalmente em relações próximas. Mesmo com mães em perfeita sintonia com seus bebês, podem ocorrer desconexões - a mãe não estar em sintonia com o bebê. Mas é a capacidade de ser responsiva de forma confiável e restaurar o ritmo ou o vínculo quebrado que determina a segurança e a saúde da criança e, da mesma forma, a saúde dos relacionamentos ou a facilidade de resolver uma disputa.

As desculpas reparadoras atendem à nossa necessidade humana de que uma quebra de confiança ou outro dano seja reconhecido, entendido e sentido de alguma maneira por aquele que causou o dano - contribuindo para a restauração da justiça, diminuição da auto culpa e partilha de parte do ônus, se for o caso. Quando essa necessidade é negligenciada, a retaliação e as disputas de controle atuam como um método alternativo para o mesmo propósito, resultando em mais prejuízos para todos os envolvidos. Os capazes conseguem escolher o remédio contra uma escalada mais intensa e, ao proporcionar paz, acerto e aliança para a situação, contribuem para tornar o mundo em que vivemos mais habitável.

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Um abraço,

Psicólogo Paulo Cesar

  • Psicoterapeuta de adolescentes, adultos e casais.
  • Psicólogo de linha humanista existencial com acentuada orientação junguiana, budista e pós-graduações em Sexualidade Humana, Autismo e Psicologia Clínica.
  • Voluntário no Serviço de Reprodução Humana da Escola Paulista de Medicina.
  • Psicólogo colaborador da Clínica Paulista de Medicina Reprodutiva.
  • Associado à SBRA - Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida e à ABRA - Associação Brasileira de Reprodução Assistida
  • Palestrante sobre temas ligados ao comportamento humano no ambiente social e empresarial.
  • Consultório próximo à estação de metrô Vila Mariana em São Paulo, SP.
  • Atendimentos (presenciais e por internet) de segunda-feira a sexta-feira.